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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de junho de 2017. Atualizado às 18h38.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 20/06/2017. Alterada em 19/06 às 20h13min

Trump desfaz a aproximação dos EUA com Cuba

O presidente Donald Trump defendeu o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba e condicionou avanços na relação bilateral a mudanças políticas na ilha caribenha, na direção de eleições livres, libertação de presos políticos e respeito à liberdade de expressão. Trump cancelou o acordo feito com Cuba na gestão de Barack Obama.
Para os mais velhos, que viram a ascensão e o declínio internacional de Fidel Castro, é algo deplorável. Afinal, se em 1959, ao depor o corrupto governo de Fulgencio Baptista - quando a ilha era um grande cassino com bordéis para turistas abastados -, Fidel e seu grupo foram considerados heróis continentais, a posterior guinada pró-comunismo foi tirando o brilho do então jovem líder revolucionário.
Fidel Alejandro Castro Ruz morreu aos 90 anos em Havana, cidade que tomou em 1959, aos 32 anos. Faleceu em 25 de novembro do ano passado, no mesmo dia em que o barco Granma saiu em 1957 do México com o grupo de guerrilheiros, entre eles o médico Ernesto Che Guevara, para dar início à Revolução Cubana.
Levava 82 combatentes, que sob a liderança de Fidel foram reunidos para "sair, chegar, entrar e vencer" a corrupta ditadura de Batista, apoiado e suportado pelos Estados Unidos.
O plano de Fidel era aplicar o Programa de Moncada, para uma profunda transformação de Cuba. Tinha dito, antes da aventura bélica, "que seremos livres ou seremos mártires".
Desde 1959, Fidel exerceu o poder absoluto, que passou para Raúl Castro em 31 de julho de 2006. Chegou a ser o governante em exercício por mais tempo no mundo. Sob seu comando, nasceram 70% dos 11 milhões de cubanos.
Ao instalar um regime comunista a 150 quilômetros dos Estados Unidos, o líder cubano despertou amor e ódio. Foi considerado por alguns um símbolo da soberania latino-americana e de justiça social. Por outros, um ditador megalomaníaco e cruel.
Enfrentou 11 presidentes norte-americanos, a invasão - repelida - da Baía dos Porcos pela CIA em 1961, a Crise dos Mísseis, e o embargo econômico. Sobreviveu também à queda do Muro de Berlim e à desintegração da União Soviética. Sua morte, pela idade provecta, anunciava, desde alguns anos, mudanças no fechado regime cubano, de um partido só, o Comunista.
Aos poucos, a aversão de Washington por Cuba e seu regime, com a pressão dos milhares de refugiados cubanos em Miami e com a ascensão de muitos, incorporados à vida norte-americana até mesmo no Capitólio, o Congresso dos EUA, foi diminuindo.
Com Obama, um acordo liberou voos diretos entre os dois países, com a ida de milhares de turistas e a possibilidade de negócios serem instalados na ilha. Parecia algo bom e irreversível, eis que, no ano que vem, em 2018, haverá eleições e Raúl Castro, hoje no poder e irmão de Fidel, dará lugar a um novo presidente ou "comandante".
No entanto, apesar da declaração, Trump reviu apenas questões pontuais da política anunciada por Obama no dia 17 de dezembro de 2014. As mudanças acabam com a possibilidade de viagens individuais para a ilha e proíbem gastos em estabelecimentos turísticos controlados pelo Exército e os setores de inteligência e segurança do país. "Lucros provenientes do turismo foram diretamente para as forças armadas", afirmou Trump.
A reaproximação com Cuba ficou mais longe. Uma pena.
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