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Porto Alegre, terça-feira, 27 de junho de 2017. Atualizado às 09h11.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 26/06/2017. Alterada em 25/06 às 20h30min

Blairo Maggi deve ir aos EUA no início de julho

Sucessão de escândalos prejudica a imagem da carne brasileira

Sucessão de escândalos prejudica a imagem da carne brasileira


YASUYOSHI CHIBA/YASUYOSHI CHIBA/AFP/JC
O problema sanitário alegado pelos Estados Unidos, que levou à suspensão das importações de carne brasileira in natura, na semana passada, é visto por técnicos do Ministério da Agricultura como pano de fundo de uma movimentação dos países compradores do produto brasileiro. O Ministério da Agricultura disse que espera resolver a situação o mais rápido possível e programa uma viagem técnica para os EUA, provavelmente na primeira semana de julho. Blairo Maggi tenta marcar uma reunião com o secretário de Agricultura norte-americano, Sonny Perdue.
A credibilidade do sistema de inspeção federal do Brasil ficou fragilizada após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que apontou irregularidades na emissão de certificados sanitários. Países importantes passaram a inspecionar 100% dos embarques do Brasil e pressionaram por menores preços. Além disso, outros exportadores e produtores internos dos países compradores estariam aproveitando para ganhar mais espaço nos mercados.
No caso dos EUA, a avaliação é de que há uma pressão interna, comandada por produtores locais, para barrar a entrada de carnes brasileiras. O Brasil levou 17 anos para conseguir autorização para exportar carne fresca para os EUA, decisão que também abriu as portas do mercado brasileiro para os norte-americanos. O produto brasileiro, no entanto, é mais competitivo, o que incomodou pecuaristas nos EUA. Estes, agora, usam os alegados problemas na carne brasileira para pedir o fechamento do mercado ou a obrigação de identificar a origem do alimento ao consumidor - e políticas nacionalistas ganharam força no governo Donald Trump.
O Brasil esperava vender para os EUA, neste ano, US$ 100 milhões em carne fresca. A compra de carnes pelos norte-americanos pode abrir outros mercados. Agora, porém, Chile e União Europeia (UE) também questionam o sistema de inspeção brasileiro. Além da Carne Fraca, houve o baque do escândalo provocado pelas delações da JBS, que levantou dúvidas sobre a governança dos produtores brasileiros.
A indústria brasileira de carne se preparava para expandir de 7% para 10% sua participação no mercado internacional. Mas, com a sequência de crises, o Brasil trabalha agora para superar os problemas e não perder mercados já conquistados. A briga para entrar em novos países ficou em suspenso, admite o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki.
"Estamos fazendo tudo dentro das regras internacionais. O produtor brasileiro é competitivo, nós somos competitivos. O que não vamos aceitar é fazer com que problemas e questões econômicas tragam desconfianças ao nosso sistema", disse Novacki. "Existe um movimento interno nacionalista. Sabemos da qualidade do nosso produto. Nós voltaremos a exportar para os Estados Unidos", afirma o secretário executivo.
O Chile já tinha reportado o mesmo problema, em novembro de 2016. Para resolver a situação, o Brasil passou a embarcar a carne fresca em pedaços, e não mais a peça inteira. Dessa forma, se os abscessos aparecerem, a carne é descartada. Esse mesmo procedimento agora é estudado para ser adotado para a venda aos EUA.

Produtores norte-americanos reforçam lobby e tentam dificultar a compra do produto brasileiro

Produtores do estado de Washington citaram a suspensão da carne brasileira para reforçar o lobby pela rotulagem do país de origem. Diversas associações de produtores entraram na Justiça, na última segunda-feira, para pedir a identificação da origem do gado. Isso prejudicaria todos os que exportam carne para os EUA, porque o consumidor norte-americano, em geral, teme produtos estrangeiros. A identificação de origem existia nos EUA, mas foi revogada em 2015 após queixas de Canadá e México na Organização Mundial do Comércio.
Uma fonte brasileira envolvida nas negociações com as autoridades norte-americanas, que pediu para não ser identificada, também cita o protecionismo. "Vemos que existe preocupação com os padrões da carne, mas vemos também que muitos grupos se aproveitam disso para impor barreiras protecionistas. O jogo é pesado e deve ficar ainda mais, devido ao discurso protecionista que agora domina a Casa Branca."
O ex-embaixador Luiz Augusto de Castro Neves pondera, no entanto, que o cerne da questão não é o recrudescimento do protecionismo, mas o sistema sanitário brasileiro: "Embora haja protecionismo, já que são nossos competidores em carnes, a questão é o próprio sistema brasileiro de fiscalização sanitária, objeto de acusações de corrupção entre fiscais e fiscalizados, como Carne Fraca e JBS. A confirmação disso é que outros países estão ameaçando tomar medidas semelhantes".
O pecuarista norte-americano Bill Bullard afirmou aque o episódio brasileiro reforça a necessidade da rotulagem. Para ele, "os consumidores devem ter a oportunidade de escolher a carne doméstica sobre a carne bovina estrangeira". Bullard defende que apenas a carne de "animais nascidos, crescidos e abatidos" nos EUA seja oferecida como produto doméstico, o que não ocorre hoje. O lobby dos produtores norte-americanos de carne sempre foi forte. Além de defender o produto made in USA, os produtores alegam que a carne estrangeira é de pior qualidade.
"Estou feliz por o Departamento de Agricultura ter ouvido nossas diversas demandas para proteger os consumidores e produtores norte-americanos em todo o país. Em Montana, temos a melhor carne do mundo, e o governo não deve subestimá-los importando produtos inseguros e até podres de países estrangeiros", afirmou, na quinta-feira, o senador Jon Tester, do estado de Montana, um dos grandes produtores de gado dos EUA, sobre a suspensão da importação da carne brasileira.
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