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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de junho de 2017. Atualizado às 23h01.

Jornal do Comércio

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dança

Notícia da edição impressa de 30/06/2017. Alterada em 29/06 às 17h06min

Deborah Colker apresenta Cão sem plumas em Porto Alegre

Cão de plumas, de Deborah Colker, é inspirado em poema de João Cabral de Melo Neto

Cão de plumas, de Deborah Colker, é inspirado em poema de João Cabral de Melo Neto


CAFI/DIVULGAÇÃO/JC
Cristiano Vieira
A dura realidade do interior do Nordeste, tão bem relatada na literatura, no teatro e no cinema, chega agora à dança, por meio da coreógrafa e dançarina Deborah Colker. Seu novo espetáculo, Cão sem plumas, tem sessões sexta-feira e sábado, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80). Ingressos entre R$ 80,00 e R$ 200,00, à venda na bilheteria do local.
Cão sem plumas tem como referência o poema homônimo de João Cabral de Melo Neto. Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de "força invencível e anônima".
A imagem do "cão sem plumas" serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno. "O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida", conta Deborah.
Para desenvolver o espetáculo, Deborah e sua equipe percorreram, em novembro de 2016, o sertão, o agreste e foram até Recife. In loco, perceberam (e filmaram) o cotidiano desse bicho-homem, que tem no simbólico caranguejo o símbolo da resistência. "O caranguejo expressa, ao mesmo tempo, a dificuldade da lama, a dureza, mas também o sustento. Por isso ele é tão importante na economia e na cultura", destaca Deborah, por telefone.
Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, e do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do mangue beat.
Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares. "Minha história é uma história de misturas", afirma ela.
A dança se mistura com o cinema durante a apresentação. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Claudio Assis - diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato - são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos.
A jornada também foi documentada pelo fotógrafo Cafi, nascido em Pernambuco. Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994).
O icônico texto Cão sem plumas nasceu enquanto João Cabral, então diplomata, vivia em Barcelona. Ele leu em uma revista que a expectativa de vida no Recife era menor do que na Índia. A notícia foi o impulso para fazer Cão sem plumas. Sua poesia, das mais importantes do Brasil, é marcada pelo rigor e pela rejeição a sentimentalismos.
O espetáculo é um novo impulso na carreira consagrada de Deborah Colker. Reconhecida internacionalmente, Deborah recebeu em 2001 o Laurence Olivier Award na categoria Oustanding Achievement in Dance (realização mais importante da dança no mundo). Em 2009, criou um espetáculo para o Cirque de Soleil: Ovo. Em 2016, foi a diretora de movimento da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
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