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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 23h20.

Jornal do Comércio

Panorama

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ESTREIA

Notícia da edição impressa de 22/06/2017. Alterada em 21/06 às 16h50min

Aproximação ambígua: longa Mulher do Pai estreia no cinema

Marat Descartes e Maria Galant estrelam o elogiado Mulher do pai, filmado em
 Dom Predrito

Marat Descartes e Maria Galant estrelam o elogiado Mulher do pai, filmado em Dom Predrito


HELO/vitrine filmes/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Limites físicos, geográficos e emocionais: tudo converge e dialoga em Mulher do pai, longa-metragem de estreia da gaúcha Cristiane Oliveira. Rodado na região de Dom Pedrito em 2015, o filme enfim entra em cartaz e com conquistas durante o circuito de festivais na bagagem. Drama sobre uma adolescente que auxilia o pai, deficiente visual, a obra conquistou três prêmios no Rio de Janeiro, no ano passado, e esteve na programação do Festival de Berlim em fevereiro.
A protagonista é Nalu (Maria Galant), jovem de 16 anos vivendo em uma vila na fronteira entre Brasil e Uruguai com o pai (Ruben, papel de Marat Descartes) e a avó. Quando a matriarca falece, a garota precisa assumir as tarefas antes desempenhadas por ela - e assim se aproxima do pai. Ao mesmo tempo, uma uruguaia passa a frequentar a casa de ambos, aparece um novo rapaz nas redondezas, e uma amiga tenta convencê-la a mudar-se para Porto Alegre.
A narrativa tem conexão com pesquisa desenvolvida por Cristiane Oliveira para o curta-metragem Messalina (2004), que também envolvia uma personagem que não enxerga. "Percebi a relação de confiança entre um cego e a pessoa que descreve o mundo para ele. Aí imaginei: e se fosse uma filha que descreve as coisas para o pai? Essa proximidade é tudo que uma filha gostaria de ter", relata a cineasta.
No caso da protagonista do longa-metragem, esse contato se configura de forma bastante confusa. Os dois personagens foram criados praticamente como irmãos, já que, enquanto ela crescia, ele se adaptava à vida sem visão. "Nalu, que gostaria de ter um pai, se transforma quase em uma mãe, porque o Ruben é muito dependente", descreve a realizadora.
Como desde o início o roteiro tinha uma personagem que vinha de fora e trazia outro olhar para a situação, foi escolhida a fronteira com o Uruguai como parte da história. Interessou à diretora a ideia de explorar o espaço da mulher no ambiente da cultura da pecuária, que tem o homem como figura central. A partir dessa premissa, Mulher do pai encontra maneiras de enriquecer o debate sobre autonomia.
Para a viabilização das filmagens, a equipe de produção ganhou apoio de moradores - sobretudo da Vila de São Sebastião, com cerca de 200 habitantes. Mais ou menos 40 dessas pessoas até participaram das filmagens de alguma forma, como motoristas, assistentes ou consultores.
O resultado dessa aproximação com a realidade local pode ser visto nas telonas. O ritmo da narrativa, conforme Cristiane, vem da vivência dos realizadores na vila - a partir de visitas que começaram bem antes das gravações. "Isso definiu nossa decupagem, como enquadramos o filme e a sequência de planos", conta ela, exemplificando: "Levamos a montadora (Tula Anagnostopoulos) para o set por uns dias, mesmo que ela não tivesse função ali na hora, só para sentir o tempo da vila". Assim como o hábito de sentar à porta somente para tomar um chimarrão, o longa-metragem não apresenta pressa, deixando os pequenos acontecimentos se desenrolarem. "Permitimos que esse ritmo interferisse no resultado estético do filme", resume.
Cristiane e Tula são apenas dois dos nomes de mulheres que surgem nos créditos. A produção inclui Aletéia Selonk; na direção de fotografia, Heloisa Passos; e na direção de arte, Adriana Nascimento Borba; entre outras. De acordo com a diretora, foi uma casualidade: "Talentos foram sendo reunidos e precisam de espaço para ser mostrados. Fico feliz que em nosso filme muitas mulheres encontraram esse espaço - e já estão sendo reconhecidas por isso". No Festival do Rio, por exemplo, a obra ganhou os prêmios de direção, fotografia e atriz coadjuvante (Verónica Perrotta).
Para o futuro, a realizadora já tem outro projeto em vista: O luto de Joana foi contemplado em edital de fomento do Bndes - em uma linha dedicada a títulos autorais que buscam reconhecimento artístico. O enredo acompanha o convívio de duas adolescentes quando a tia-avó de uma delas adoece. Joana passa a se perguntar por que a parente nunca teve um namorado e morrerá virgem. O título está em fase de captação de recursos.
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