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Porto Alegre, terça-feira, 27 de junho de 2017. Atualizado às 22h41.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Opinião

Notícia da edição impressa de 28/06/2017. Alterada em 27/06 às 18h44min

Por que o lucro não vira caixa?

Daiana de Souza
Os desafios têm sido intensos no mundo dos negócios, gerar lucro e caixa no cenário atual com carga tributária representativa, mercado recessivo, fornecedor anunciando aumento no custo de insumos, concorrente trabalhando com preço abaixo do mercado, cliente exigindo o menor preço sem dar valor a qualidade etc. É louvável aquele que se propõe ser empreendedor nos dias atuais!
A inovação, somada à paixão e "brilho nos olhos" e o conhecimento do mercado onde está inserido não são suficientes para gerir o negócio, ficando a questão técnica a cargo do profissional de contabilidade que, juntos, numa parceria, farão a gestão, colhendo os resultados.
Acompanhar se os volumes e o faturamento propostos foram atingidos, se houve gestão nos custos e nas despesas, se o lucro resultante está dentro do esperado, são ações já inseridas no dia a dia do empreendedor. É comum haver indicadores econômicos para acompanhamento dos resultados. Mas, por que o lucro não vira caixa? A gestão do fluxo de caixa é tão importante quanto gerar lucro ou prejuízo, ela determina a continuidade do negócio.
Vender e atingir as metas de volume e faturamento é muito bom para o negócio economicamente, no entanto, o prazo de recebimento afetará o caixa da empresa. Financiar seu cliente não é bom para o caixa. Então, será excelente se além do atingimento das metas de volumes e faturamento, o recebimento for "à vista".
Comprar ao menor custo e suprir as demandas da produção é essencial para o negócio economicamente, no entanto, o prazo de pagamento afetará o caixa da empresa. Será excelente se além do atingimento das metas de compras, o pagamento for "a prazo".
Trabalhar os prazos junto aos clientes e fornecedores auxilia na gestão da caixa e se bem gerido, ameniza a busca de capital de giro junto às instituições financeiras. E para completar o tripé do caixa, a outra rubrica com tamanha importância quanto clientes e fornecedores, os estoques!
Pensar no estoque como uma terra sem lei que fica "lá no fundo da empresa" é meio caminho andado para entrar em uma grande confusão financeira. Em muitos negócios, o problema se torna um triângulo das bermudas - não se sabe quando determinada mercadoria entrou e nem o porquê de ela estar lá.
Com quem está o desafio de gerir o estoque para trazer caixa? Esta ação é interna e depende de todos os envolvidos no processo.
Comprar sem a necessidade adequada, em uma quantidade maior que o giro registrado, substituir um insumo sem plano de ação para consumo do saldo, problemas técnicos de qualidade, destinação das sobras, como aproveitar os produtos fora de especificação; sem relatar os gargalos de compra mínima, lotes de produção mínimo, que no final de tudo, o cliente compra o produto que ele quer, sem reconhecer qualquer esforço realizado até que o produto esteja em suas mãos, e mais, exigindo o menor preço com qualidade.
A rotatividade ou giro do estoque reflete diretamente no caixa da empresa. Controlar o tempo médio de permanência de um produto antes da venda é essencial para a vida financeira do negócio.
Identificar o estoque ideal é uma missão desafiadora, porém possível se cada envolvido no processo tiver a clareza do seu papel e os reflexos no negócio, tanto econômico (custos) quanto financeiro (caixa). A ação é contínua, envolvendo desde diretrizes estratégicas, políticas internas, planejamento adequado e fluxo contínuo de informações.
É através do profissional de contabilidade que o empresário se apoia na disseminação das melhores práticas e controle das ações para perpetuidade do negócio.
Contadora e integrante da Comissão de Estudos de Contabilidade Gerencial do CRC/RS
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