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Porto Alegre, domingo, 02 de julho de 2017. Atualizado às 21h59.

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Notícia da edição impressa de 03/07/2017. Alterada em 30/06 às 18h55min

Deflação segura contratos

Crise no mercado imobiliário favorece barganhas, pois proprietários estão mais dispostos a negociar para não ficarem com imóveis vazios

Crise no mercado imobiliário favorece barganhas, pois proprietários estão mais dispostos a negociar para não ficarem com imóveis vazios


/CLAITON DORNELLES/JC
A queda mais forte da inflação em 2017 deve beneficiar os consumidores no momento de negociar o reajuste de preços de contratos de serviços, como aluguel e mensalidades escolares. No caso dos investimentos que têm parte de sua rentabilidade atrelada à inflação, as taxas prefixadas que compõem a rentabilidade prometida devem compensar o recuo do índice.
No caso dos contratos, o efeito não deve ser sentido imediatamente, uma vez que consideram o comportamento dos índices em um período de 12 meses para o reajuste. Especialistas veem espaço, porém, para o consumidor barganhar descontos, principalmente nos contratos de aluguel. "A deflação de junho pode ajudar a reduzir o tamanho do reajuste desse contrato no futuro", explica a economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim. "Se num período de 12 meses houver variação negativa do índice em um deles, o avanço acumulado será menor", afirma.
No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, aumentou 3,60%. Já no Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e usado em boa parte dos contratos de aluguel, o avanço em igual período foi de 1,57%, apesar da deflação vista em maio e abril.
A economista do Idec explica que a natureza desses tipos de contrato, de prestação contínua de um serviço, não prevê o reajuste "para baixo". Se o resultado acumulado em 12 meses fosse negativo, por exemplo, os preços ficariam estáveis, em teoria.
No caso dos aluguéis, no entanto, a possibilidade de barganhar um preço mais baixo não se dá exatamente por causa da trégua da inflação, mas pela crise no mercado imobiliário. Economista da FGV, Fábio Gallo explica que o momento favorece o consumidor, pois os proprietários de imóveis estão mais dispostos a negociar para não ficarem com os imóveis vazios.
Dados da plataforma VivaReal, que reúne imóveis para locação e venda, apontam que, em maio, o preço nominal médio do metro quadrado para aluguel na capital paulista atingiu R$ 35,34, valorização nominal de 0,1% em comparação com o mesmo período de 2016 (R$ 35,29). Em relação a abril deste ano (R$ 35,09), o incremento foi de 0,7%.
Em contratos como telefone, internet e TV por assinatura, os reajustes consideram indicadores diferentes, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que teve variação de 3,35% nos últimos 12 meses até maio. Já no segmento dos planos de saúde, que vêm registrando reajustes na casa dos dois dígitos, o custo de itens setoriais, como medicamentos, acabam sendo a referência para estabelecer os preços dos contratos.
O recuo da inflação provoca dúvidas também em relação a investimentos. "Para um investidor sem muito conhecimento, a primeira intuição é que, se a inflação dá negativa, o título também pode render negativo ou muito baixo", afirma Sandro Baroni, gerente de Preços e Índices da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Um estudo feito pela associação, no entanto, mostrou que, em 2006, quando houve o último registro de deflação no mês de junho, a rentabilidade de títulos do Tesouro Direto indexados ao IPCA ficou positiva. Isso ocorreu em razão da composição das taxas desses papéis - em parte, prefixadas; em parte, corrigidas pela inflação. Assim como a parte prefixada acabou compensando o resultado negativo da inflação no passado, o mesmo deve ocorrer neste mês, explica Baroni. Ele ressalta, porém, que o investidor que resgata um título público antes do prazo pode ter rentabilidade menor pela oscilação do índice.
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