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Porto Alegre, terça-feira, 30 de maio de 2017. Atualizado às 23h30.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 31/05/2017. Alterada em 30/05 às 19h50min

Uma nova queda dos juros na reunião do Copom

Até 12 dias atrás, antes das delações dos donos da JBS, a maior processadora de proteína animal do mundo, a expectativa dos economistas e da Pesquisa Focus, do Banco Central (BC), era para uma queda de 1,25% nos juros - está em 11,25% - ao final da reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). No entanto, e como está se tornando uma rotina, delações dos proprietários da JBS entornaram o cenário político nacional.
Depois disso, ainda houve o pedido de demissão da presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), e houve a troca, conturbada, como é rotina neste governo, do ministro da Justiça, que estava no cargo desde março, um tempo mais do que exíguo.
Com tudo isso, agora a projeção para o corte no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) está em apenas 1 ponto percentual, caindo a Selic para 10,25%.
É pouco, pois o País precisa crescer, e os juros altos emperram a economia. A Pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central junto a cerca de 100 economistas e entidades financeiras do País, voltou a reduzir a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Também previu alta na inflação. Por isso, ao fim da reunião do Copom, o mercado acredita que a Selic seja diminuída abaixo da previsão de antes, como citado.
Com uma dívida pública que passa dos R$ 3,21 trilhões, não é difícil imaginar os juros pagos pelo Tesouro Nacional com 11,25% ao ano sobre essa quantia. Por isso, um corte de 1% é o que, de fato, o mercado financeiro espera. Se o corte for concretizado, haverá economia de cerca de R$ 30 bilhões ao ano.
Depois que foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 241/55, chamada popularmente de Teto dos Gastos, por 366 votos contra 111, os analistas julgam que a inflação continuará em queda - como está mesmo. A Focus projeta algo pouco acima de 3,9% em 2017, menor que o centro da meta do Banco Central, que é de 4,5% ao ano, o que abre espaço para novos cortes.
Com o teto nos gastos públicos sendo norma para os próximos anos, os juros precisam, devem e vão cair. Juros baixos, repete-se sempre, alavancam os investimentos e diminuem os dispêndios pagos, anualmente, pelo Tesouro, para rolar a dívida de R$ 3,21 trilhões.
A Selic é o principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.
Entidades empresariais e centrais de trabalhadores estão unidas, com razão e apoiadas pela maioria dos analistas, para que os juros no Brasil sejam diminuídos rapidamente. Isso aliviaria a vida do Tesouro Nacional e sem que a inflação volte.
Realmente, na comparação com o teto dos gastos, uma medida mais do que louvável, pois não há outra solução, pode-se comparar o que se paga pela rolagem da dívida pública e os orçamentos justamente da educação, saúde e segurança.
Convenhamos, destinar em torno de R$ 500 bilhões por ano pelo dinheiro tomado junto aos bancos - enquanto, em muitos países da Europa, no Japão e nos Estados Unidos, os juros são bem menores ou até negativos, ou seja, abaixo da inflação local - é quase inexplicável.
 
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