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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de maio de 2017. Atualizado às 22h35.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Notícia da edição impressa de 09/05/2017. Alterada em 08/05 às 21h18min

O Guaíba

Antônio Carlos Côrtes
Chauki Maddi, de nome artístico Tito Madi, nasceu em São Paulo no município de Pirajuí. Coube a ele cantar em versos de amor a Porto Alegre em "Gauchinha Bem Querer", a meu sentir ganhou na voz da cantora Lúcia Helena definitiva interpretação.
Conheci Lúcia na adolescência no Centro Histórico de Porto Alegre, pois morava na rua João Manoel, meu caminho ao Colégio das Dores. Mas não é disso que falo e sim do Guaíba. Lembro que, criança, me criei no Morro do Menino Deus, então habitado por pobres. Descia, com meus irmãos, pela mão de minha centenária mãe Isolina, para banharmo-nos no Guaíba. O canto da preferida orla era onde está hoje o Internacional, pois era desde então o mais lindo. Momentos indizivelmente bons de tanta alegria e gargalhadas da meninada, a cada mergulho. Aquela água doce tinha ar sossegado. Ficávamos desconfortáveis porque a mãe não permitia que levássemos boias de câmaras de pneus. Depois, conhecemos a sábia razão dela. As breves marolas do rio, para nós eram ondas gigantescas que, se fosse hoje, iríamos surfar em sonhos de aragens aos borbotões. Quando os pescadores permitiam que ajudássemos a puxar as redes era glória. Depois dos banhos, à noite, deitados em nossas confortáveis camas, mentíamos uns para os outros, sobre pescarias, sereias, piratas, navios abandonados e faróis, bem iluminados. Presentemente trabalho no Centro Histórico de Porto Alegre no 22º andar de prédio onde todas as manhãs, da janela, faço minhas preces olhando o Guaíba e a movimentação rara, de embarcações, mas minha imaginação voa aos bons momentos da infância feliz. Me basto olhando à moldura que vai da chaminé da Usina do Gasômetro à Arena do Grêmio. Moro na Zona Sul e vez por outra faço caminhada na orla, relembrando o saudoso restaurante A Taba, cujas mesas ficavam junto ao rio, recebendo o vai e vem das ondas, na murada junto ao salão. A noite enluarada era espetáculo da natureza, dizendo, que é muito bom viver.
Escritor
 
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