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Porto Alegre, terça-feira, 09 de maio de 2017. Atualizado às 22h35.

Jornal do Comércio

Internacional

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Coreia do Sul

Notícia da edição impressa de 10/05/2017. Alterada em 09/05 às 20h49min

Biografia do novo presidente é marcada pela divisão da Coreia

Moon foi eleito sucessor de Park Geun-hye, que sofreu impeachment

Moon foi eleito sucessor de Park Geun-hye, que sofreu impeachment


JUNG YEON-JE/JUNG YEON-JE/AFP/JC
O liberal Moon Jae-in é o novo presidente da Coreia do Sul. Segundo pesquisas de boca de urna, o sucessor de Park Geun-hye, cujo impeachment foi confirmado em março, obteve 41,4% dos votos, uma vantagem de 18,1 pontos percentuais sobre seu rival mais próximo, Hong Joon-pyo, partidário da presidente deposta.
A biografia do presidente eleito é curiosa. A complexa relação de Moon com o regime do Norte da península começa antes mesmo de ele ter nascido. No auge da Guerra da Coreia, em 1950, os pais dele estavam entre os cerca de 100 mil refugiados que aproveitaram a ajuda norte-americana para deixar o Norte antes do avanço do Exército comunista. Ele nasceu dois anos depois, em uma ilha sul-coreana onde as Nações Unidas administravam um campo de refugiados.
Aos 23 anos, em 1976, Moon teve papel fundamental em um impasse militar na zona desmilitarizada que divide os dois países na Península Coreana. Mais tarde, serviu como diretor de estafe de um presidente sul-coreano que visitou o líder de Pyongyang em 2007.
Agora, como presidente do país, Moon está em posição para remodelar os laços entre as duas nações, cuja relação ajudou a definir sua vida. Durante suas duas campanhas para a presidência, em 2012 e este ano, pregou uma política ambiciosa de engajamento com a Coreia do Norte, argumentando que a negociação e o trabalho junto ao isolado regime podem, enfim, abri-lo para o mundo. Sua visão é de que esta política é um imperativo econômico, não ideológico.
A mudança da atual política sul-coreana, que prioriza o enfrentamento, ameaça colocar o novo líder na rota contrária à adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tenta forçar o isolamento de Pyongyang em meio a uma escalada de testes nucleares e de mísseis. Também é incerto o quanto os sul-coreanos vão apoiar tal abordagem.
A política mais diplomática de Moon, por outro lado, é apoiada por muitos cidadãos que chegaram à idade adulta durante as décadas de 1970 e 1980. Naquele momento, eram fortes os protestos estudantis contra o ditador Park Chung-hee, pai da presidente deposta Park Geun-hye, cujo governo Moon agora sucede após um enorme escândalo de corrupção. Muitos daqueles estudantes leram os escritos do fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, e tinham simpatia por ele.
Em 1975, Moon foi expulso da faculdade de Direito em Seul e preso por liderar um dos protestos. Após quatro meses na prisão, foi recrutado para o Exército, onde, em 1976, fez parte de uma equipe que derrubou uma árvore na zona desmilitarizada por atrapalhar a visão dos observadores das Nações Unidas que vigiavam a fronteira. Antes dele, um grupo de soldados norte-americanos foi atacado por forças norte-coreanas ao tentar realizar o mesmo feito, um incidente que deixou dois mortos. O feito foi reconhecido e eternizado na história moderna do país. Cada soldado da equipe de Moon recebeu um pedaço da árvore como lembrança.
Quando deixou o serviço militar, Moon se tornou um advogado de direitos humanos, rejeitando ofertas mais lucrativas de escritórios conhecidos. Ele atuou na defesa dos direitos humanos no contexto da ditadura sul-coreana. Trabalhou no mesmo escritório de Roh
Moo-hyun, um mentor que, mais tarde, se tornaria presidente do país. No governo, Roh implementou uma política conhecida como "brilho do Sol", que englobava diversos programas de reaproximação, incluindo um parque empresarial administrado conjuntamente pelos dois governos e a zona turística de Kumgangsan. 
Nos últimos tempos, o agora presidente eleito tem defendido o retorno das políticas de reaproximação, como o parque industrial e o complexo turístico. Ambos os projetos, com o envio de milhões de dólares à Coreia do Norte, foram criticados e eventualmente descontinuados pelos sucessores de Roh.
 
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