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Porto Alegre, terça-feira, 09 de maio de 2017. Atualizado às 13h25.

Jornal do Comércio

Internacional

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COREIA DO SUL

Alterada em 09/05 às 13h27min

Divisão da Coreia marca biografia do novo presidente sul-coreano

A complexa relação de Moon Jae-in, o presidente eleito da Coreia do Sul, com o regime do norte da península começa antes mesmo de ele ter nascido.
No auge da Guerra da Coreia, em 1950, o pais de Moon estavam entre os cerca de 100 mil refugiados que aproveitaram a ajuda norte-americana para deixar o norte antes do avanço do exército comunista. Ele nasceu dois anos depois, em uma ilha sul-coreana onde as Nações Unidas administravam um campo de refugiados.
Aos 23 anos, em 1976, Moon teve papel fundamental em um impasse militar na zona desmilitarizada que divide os dois países na Península Coreana. Mais tarde, ele serviu como diretor de estafe de um presidente sul-coreano que visitou o líder de Pyongyang em 2007.
Agora, como presidente de seu país, Moon está em posição para remodelar os laços entre os dois países, cuja relação ajudou a definir sua vida.
Durante suas duas campanhas para a presidência, em 2012 e este ano, Moon pregou uma política ambiciosa de engajamento com a Coreia do Norte, argumentando que a negociação e trabalho junto ao isolado regime pode enfim abri-lo para o mundo. Sua visão é de que esta política é um imperativo econômico, não ideológico.
A mudança da atual política praticada pelo governo sul-coreano, que prioriza o enfrentamento, ameaça colocar o novo líder na rota contrária à adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tenta forçar o isolamento de Pyongyang em meio a uma escalada de testes nucleares e de mísseis. Também é incerto o quanto os sul-coreanos vão apoiar tal abordagem.
A política mais diplomática de Moon, por outro lado, é apoiada por muitos cidadãos que chegaram à idade adulta durante as décadas de 1970 e 1980. Naquele momento, eram fortes os protestos estudantis contra o ditador Park Chung-hee, pai da presidente deposta Park Geun-hye, cujo governo Moon agora sucede após um enorme escândalo de corrupção.
Muitos daqueles estudantes leram os escritos do fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, e tinham simpatia por ele. Em 1975, Moon foi expulso da faculdade de Direito em Seul e preso por liderar um dos protesto.
Após quatro meses na prisão, Moon foi recrutado para o Exército. Lá dentro, em 1976, ele foi parte de uma equipe que derrubou uma árvore na zona desmilitarizada que atrapalhava a visão dos observadores das Nações Unidas que vigiavam a fronteira. Antes dele, um grupo de soldados norte-americanos foram atacados por forças norte-coreanas ao tentar realizar o mesmo feito, um incidente que deixou dois mortos.
O feito foi reconhecido e eternizado na história moderna do país. Os soldados da equipe de Moon receberam cada um pedaço da árvore de populus como lembrança.
Quando deixou o serviço militar, Moon se tornou um advogado de direitos humanos, rejeitando ofertas mais lucrativas de escritórios conhecidos. Como membro do coletivo Minbyun, ele foi um dos pioneiros na defesa dos direitos humanos no contexto da ditadura sul-coreana. O grupo de esquerda voltou aos holofotes recentemente, após intervirem em favor dos pais de 13 trabalhadores norte-coreanos que fugiram para a Coreia do Sul no ano passado. Seus pais argumentavam que eles haviam sido sequestrados.
Como advogado, ele trabalhou no mesmo escritório de Roh Moo-hyun, um mentor que mais tarde se tornaria presidente da Coreia do Sul. No governo, Roh implementou uma política conhecida como "brilho do Sol", que englobava diversos programas de reaproximação, incluindo um parque empresarial administrado conjuntamente pelos dois governos e a zona turística de Kumgangsan. Moon serviu como chefe de gabinete de Roh quando este viajou a Pyongyang para se encontrar com o então líder Kim Jong Il.
Dois anos depois, Moon voltou a aparecer para a mídia, desta vez para anunciar que Roh, que terminara sua presidência e era alvo de um investigação sobre corrupção, se suicidara ao pular de uma montanha.
Nos últimos tempos, o agora presidente tem defendido o retorno das políticas de reaproximação, como o parque industrial e o complexo turístico. Ambos os projetos, que resultaram no envio de milhões de dólares para a Coreia do Norte, foram criticados e eventualmente descontinuados pelos sucessores de Roh, em meio por parte de Pyongyang. 
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