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Porto Alegre, domingo, 07 de maio de 2017. Atualizado às 22h28.

Jornal do Comércio

Internacional

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França

Notícia da edição impressa de 08/05/2017. Alterada em 07/05 às 20h16min

Emmanuel Macron é o novo presidente do país

Em seu primeiro discurso após a vitória, candidato se comprometeu a defender a França e a Europa

Em seu primeiro discurso após a vitória, candidato se comprometeu a defender a França e a Europa


AFP TV/JC
O centrista Emmanuel Macron foi eleito presidente da França ontem com 65,1% dos votos, segundo estimativas de boca de urna. Representando o movimento independente Em Frente!, ele governará pelos próximos cinco anos a sétima maior economia do mundo e um dos cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU. Macron disputava as eleições, de impacto direto no restante da União Europeia (UE), contra a ultranacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional, que ficou com 34,9% da preferência.
Em seu primeiro discurso após a vitória, o presidente eleito se comprometeu a defender a França e a Europa. Macron disse que uma nova página se abriu com seu triunfo e afirmou que espera que esse capítulo seja o da "esperança e o da confiança renovada". Segundo ele, a base de seu mandato será a "regeneração da vida pública". Além disso, garantiu que vai trabalhar para restabelecer o vínculo entre a Europa e os cidadãos franceses. "Sei que as divisões de nosso país levaram muitos a votar pelos extremos. É minha responsabilidade os escutar em sua luta contra todas as formas de desigualdade, garantir sua segurança e a unidade do país."
O impacto imediato do resultado será o reforço do projeto de integração europeu, do qual Macron é entusiasta. Le Pen defendia erguer barreiras protecionistas, retirar a França do bloco econômico e possivelmente retomar o franco como moeda, em vez do euro.
Esta foi a primeira vez em que os dois principais partidos franceses - socialistas e republicanos - não concorreram no segundo turno. É também a primeira vitória de um candidato sem a estrutura de uma sigla tradicional.
Aos 39 anos, Macron será o presidente mais jovem desde a eleição em 1848 de Luís Napoleão, sobrinho de Napoleão, com 40. O movimento Em Frente!, liderado por ele, foi fundado há um ano nos moldes de uma startup, assentado em uma rede de 260 mil militantes, parte deles inexperientes.
Ex-filiado ao Partido Socialista, o novo presidente foi ministro da Economia do impopular governo de François Hollande, tendo abandonado o barco em agosto do ano passado. A uma população desencantada com a atual divisão entre direita e esquerda, buscou se vender como alguém além dessa divisão. Acena ora com o afrouxamento das leis trabalhistas, que deverá ter dura oposição dos influentes sindicatos, ora com medidas de proteção social, tema caro aos franceses.
O presidente eleito, porém, dificilmente poderá se apresentar como mais um entre a população. Ele outrora trabalhou para o banco Rothschild, em que recebeu € 2,8 milhões de (equivalente a R$ 10 milhões) de 2008 a 2012. Macron foi formado, também, em uma instituição que é símbolo da elite francesa: a ENA (Escola Nacional de Administração), por onde passaram os presidentes Jacques Chirac e François Hollande, além dos principais nomes da administração da França, tanto da esquerda quanto da direita.

Sem maioria, presidente terá dificuldades para aprovar reformas

Macron ainda não pode relaxar na cadeira de presidente. Ele enfrenta já em junho as eleições legislativas que darão o tom geral de seu governo. Sem a maioria dos legisladores, será complicado aprovar as reformas que propõe. Será determinante, agora, quanto apoio virá de socialistas e republicanos, que ele derrotou já no primeiro turno. 
As duas siglas se uniram em torno da candidatura dele contra Le Pen neste domingo, apoiando publicamente o candidato, mas não especificamente por concordar com sua plataforma. A adesão à campanha de Macron foi vista como uma maneira de impedir Marine Le Pen de chegar até a presidência. Em seu discurso admitindo a derrota, a ultraconservadora focou no pleito legislativo de junho. "Estarei à frente desse combate. Mais do que nunca, precisamos de vocês", disse.
Não é a primeira vez em que o establishment francês lança mão dessa estratégia. Em 2002, quando o pai de Le Pen concorreu ao cargo, formou-se também a chamada "frente republicana" para freá-lo. Assim, o conservador Jacques Chirac venceu com 82% dos votos contra Jean-Marie Le Pen, pai de Marine.
O resultado superior da candidata da Frente Nacional neste ano mostra que, apesar da derrota, o partido ultradireitista avança em sua estratégia de se "normalizar" aos olhos do eleitorado francês, afastando membros mais radicais. Seu potencial de se tornar a principal voz crítica à globalização do país e se cacifar para um desempenho melhor no pleito de 2022 aumentará à medida em que o governo Macron não dirimir o desemprego e o lento crescimento de sua economia.
Estudioso da Frente Nacional, o cientista político Stéphane Wahnich, da Universidade Paris-Est Créteil, diz que o crescimento da base de votos dela sinaliza a progressiva vontade do eleitorado de revirar a política. Ele argumenta que Le Pen ainda esbarra na história de seu partido e em sua falta de credibilidade econômica, mas que há potencial para o surgimento de outro candidato antissistema e populista, pois o conceito está se tornando cada vez mais "respeitável" para a população. "O problema de Marine Le Pen é se chamar Le Pen", sintetizou.

Sob ameaça do terrorismo, eleição teve segurança reforçada

Os dois candidatos votaram durante a manhã, ambos no departamento de Pas-de-Calais, no Norte da França. Macron votou em Le Tourquet, cidade litorânea em que vive. Le Pen votou em Hénin-Beaumont, bastião eleitoral da Frente Nacional.
Cerca de 50 mil policiais atuaram na segurança da eleição, em um país que foi alvo de ataques terroristas nos últimos anos, incluindo uma série de ações que deixou 130 mortos em Paris em 2015. A região do Museu do Louvre, onde Macron discursou após os resultados, foi esvaziada brevemente devido a um objeto suspeito.
Em um país amante da polêmica, a escolha do Louvre como local da celebração de Macron foi tema de discussão durante a semana. A Praça da Concórdia, famosa pelo obelisco egípcio localizado no local onde ficava a guilhotina durante a Revolução Francesa, foi considerada "muito de direita", por ter sido palco das festas da vitória dos conservadores Nicolas Sarkozy, em 2007, e Jacques Chirac, em 1995.
Já a Praça da Bastilha, escolhida para a festa do socialista François Hollande em 2012, seria excessivamente ligada à esquerda, assim como a Praça da República, que foi palco de atos do candidato de ultraesquerda derrotado, Jean-Luc Mélenchon.
O Louvre foi assim escolhido por não ter conotação "nem muito de esquerda, nem muito de direita", disse a equipe de Macron ao jornal Le Monde, bem de acordo com o centrismo do candidato. "A esplanada do Louvre tem a vantagem de ser um lugar completamente novo, consensual e neutro", afirmou o especialista em comunicação política Christian Delporte ao diário Figaro.
A taxa de participação informada às 17h era de 65,30% dos eleitores, uma queda em relação à registrada no primeiro turno, há duas semanas - no mesmo horário, havia sido de 69,42%. É esperado que o valor final da participação seja de 75%.
É provável que a abstenção seja maior entre eleitores de esquerda, descontentes com a perspectiva de escolher entre Le Pen - conhecida pelo radicalismo de direita - e um candidato que defende reformar as leis trabalhistas, ampliando a jornada e facilitando as demissões.
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