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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de maio de 2017. Atualizado às 14h26.

Jornal do Comércio

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saúde

06/05/2017 - 14h46min. Alterada em 08/05 às 14h27min

Voluntários do Centro de Valorização da Vida trabalham para ajudar quem precisa

Voluntários precisam realizar um curso de 12 semanas até que possam atuar no atendimento

Voluntários precisam realizar um curso de 12 semanas até que possam atuar no atendimento


CLAITON DORNELLES /JC
Amanda Jansson Breitsameter e Melissa Renz
Existem diversos serviços que podem ajudar quem busca auxílio psicológico no Brasil. Um deles é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que, em Porto Alegre (localizado na rua José de Alencar, 414, bairro Menino Deus, e atendendo das 8h às 18h, telefone 188), presta atendimento pessoalmente e por telefone para pessoas que estão precisando conversar ou desabafar. O serviço já existe no País há 55 anos - e há 47 anos na Capital gaúcha. 
A ideia, conforme a coordenadora de divulgação e porta-voz do CVV de Porto Alegre, Liziane Eberle, é prestar apoio emocional a pessoas que buscam atendimento - sejam por estar se sentindo muito tristes ou até mesmo muito felizes. "O nosso objetivo é conversar. Sem julgamentos, sem preconceitos. Criamos um ambiente no qual a pessoa possa se sentir melhor, até mesmo se quiser compartilhar alguma coisa boa", explica Liziane.
Para oferecer esse tipo de serviço com qualidade, o CVV está sempre buscando voluntários. Atualmente, são 200 trabalhando no Estado. Para colaborar com o centro, os voluntários passam por um curso de 12 aulas, uma aula por semana, treinamento que busca despertar neles a importância de ouvir outras pessoas e uma visão de mundo sem julgamentos.
"O próprio treinamento já serve como seleção, pois quem não se vê escutando o outro sem julgar, quem não consegue se doar ao outro ou mesmo quem acha que essa é uma carga emocional muito forte, acaba percebendo que não consegue fazer esse tipo de trabalho durante as aulas e não fica até o fim", explica Liziane. Podem participar do curso de formação pessoas com mais de 18 anos que tenham disponibilidade para plantões semanais de quatro horas. 
Liziane destaca que o CVV não quebra o sigilo de quem busca o serviço. Assim, mesmo no atendimento presencial, não é necessário que a pessoa se identifique para ser atendida. Ela explica ainda que, apesar de ser considerada polêmica, a posição do centro é de não ir contra a vontade de quem está do outro lado da linha. "Se a pessoa nos liga já durante um processo de suicídio, nós vamos respeitar o que ela quer e apenas confortá-la durante este momento. Já se a pessoa nos ligar pedindo ajuda, buscamos pegar os dados dela e acionar a polícia, os bombeiros ou mesmo o Samu", afirma.

Serviço atende por número gratuito no Estado, o 188

Centro de Valorização da Vida.
na foto: Raul, voluntário do CVV
Centro de Valorização da Vida em Porto Alegre realiza atendimento por telefone (foto) e presencial
CLAITON DORNELLES /JC
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior número de casos de suicídios no País, registrando o dobro em relação à média - no dado nacional, são cinco mortes para cada 100 mil habitantes; no Estado, são de 9,5 a 10 mortes para cada 100 mil habitantes. Em razão disso, o Estado conta desde 2015 com um número gratuito para o CVV, o 188.
Conforme Liziane, o serviço também passou a atender pelo telefone gratuito em razão da tragédia da boate Kiss, que vitimou 242 pessoas e feriu 680 outras em Santa Maria em 2013. "Percebemos que os parentes e amigos das vítimas, e mesmo pessoas que pudessem não estar diretamente envolvidas com o caso mas também o sentissem profundamente, poderiam precisar conversar sobre isso, e a ideia foi facilitar o atendimento", afirma a porta-voz do CVV de Porto Alegre, Liziane Eberle.
Até novembro deste ano, outros quatros estados brasileiros deverão passar a atender também pelo número, oferecendo uma ligação gratuita (a ligação para o número 141 custa o valor de uma ligação local): Santa Catarina, Piauí, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Até 2020, a previsão é de que todo o País já conte com o serviço de graça.
Para Liziane, que está há quatro anos atendendo no CVV de Porto Alegre, as causas do suicídio, principalmente entre os mais jovens, é sempre multifatorial. Séries como a recente 13 Reasons Why e o jogo da internet Baleia Azul, que trouxeram o assunto à tona, segundo ela, devem servir como formas de quebrar o tabu que ainda existe sobre o assunto. "Precisamos perder o medo de falar sobre suicídio e fazer justamente o contrário, conversar sobre isso para poder divulgar os canais de ajuda, que existem e são muitos", defende. De fato, a procura por canais de atendimento cresceu nos últimos meses no País. 
Entre as dicas para ajudar pais e responsáveis, Liziane é categórica: "Cada um de nós pode ajudar a evitar o suicídio de outra pessoa, basta que se olhe para ela, se fale com ela". Ela diz que a pessoa que sofre de depressão vai apresentar pequenos sinais que podem ajudar na identificação de que algo não está certo. Embora não haja uma regra geral, estar atento ao próximo sempre é uma boa forma de evitar o pior.

Psicóloga destaca a importância da ajuda profissional

Para a psicóloga Neuza Fernandes é necessário estar atento a sinais de familiares ou pessoas próximas que possam estar sofrendo com a depressão para evitar uma tentativa de suicídio. Ela acredita que o período da adolescência é uma das mais críticas. " É uma fase de crises com o desenvolvimento do corpo, da voz, da emoção. Os pais precisam estar atentos a qualquer sinal de afastamento do contexto familiar ou isolamento até dos amigos.Se o jovem já possui uma carga genética, vai ser potencializada nessa fase", explica.
É preciso muito cuidado na condução da conversa entre o profissional e o paciente para ter certeza que há uma ideação suicida. Se houver a confirmação da intenção ou já houveram tentativas de suicídio, a família precisa estar fazendo um monitoramento 24 horas. Quando chega na situação que envolve tentativas é preciso ser feito uma internação.
Neuza afirma que as pessoas não gostam de falar da morte por medo, e com isso acabam criando um tabu social. Ainda assim, é importante falar sobre o assunto. "Acho que não precisa virar um assunto do cotidiano, mas precisa ser falado de vez em quando. O suicídio é a morte antecipada pelo ser humano, que apesar de temê-la, passa a ver como alternativa. É importante mostrar para essas pessoas que a solução não está em tirar a vida", afirma.
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