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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de junho de 2017. Atualizado às 00h48.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 01/06/2017. Alterada em 31/05 às 20h56min

Desemprego em Porto Alegre chega a 11,3% em abril

Região agora tem 203 mil pessoas sem trabalho, aponta pesquisa

Região agora tem 203 mil pessoas sem trabalho, aponta pesquisa


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Após vários meses de relativa estabilidade, abril marcou um pequeno salto na taxa de desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), o indicador chegou a 11,3% no mês, crescimento considerável em relação aos 10,8% vistos em março e primeira vez desde setembro que a taxa chega à marca dos 11%.
O cenário visto no mês é, de certa forma, o mesmo que se repete desde o início da crise: há menos gente trabalhando, mas há também, ao mesmo tempo, menos gente no mercado de trabalho, o que ajuda a conter a taxa. A População Economicamente Ativa (PEA), que engloba todos os trabalhadores ocupados ou procurando ocupação, caiu 1,5% em abril, totalizando 1,796 milhão de pessoas. Com isso, a taxa de participação, que calcula os ativos em relação aos habitantes com 10 anos de idade ou mais, caiu a 50,5%, o menor valor de toda a série histórica.
Mesmo com os trabalhadores saindo do mercado de trabalho, porém, o desemprego cresce porque a queda no número de ocupados é ainda maior. Ao todo, 34 mil vagas foram eliminadas, queda de 2,1% sobre o número total de ocupados. No fim das contas, foram 6 mil desempregados a mais em abril, um aumento de 3%, totalizando um contingente de 203 mil pessoas desocupadas na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Embora sigam a tendência dos últimos meses, os dados de abril chamaram a atenção dos pesquisadores quanto à composição do desemprego. Um dos pontos, por exemplo, é que, como o desemprego aberto se manteve praticamente estável (passou de 9,8% para 9,9%), é possível concluir que a taxa cresceu principalmente no que se chama de desemprego oculto - aqueles trabalhadores que ou recorreram ao trabalho precário, os famosos "bicos", ou que desistiram da procura por uma vaga por desalento quanto à chance de efetivamente consegui-la.
"Tivemos também uma redução na indústria, que vinha de resultados positivos e, em abril, mostrou uma grande retração", comenta Iracema Castelo Branco, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), uma das instituições que realiza a PED-RMPA. O número de vagas no setor fabril caiu 13,6% no mês, eliminando 38 mil postos de trabalho. Segundo Iracema, ainda não é possível afirmar se a queda é pontual ou marcará o início de uma trajetória de cortes na indústria da região.
Já em relação às posições, a maior parte dos cortes continuou vindo das vagas mais qualificadas, no setor público (-2,8%) e entre os assalariados com carteira assinada do setor privado (-3,8%). Em contrapartida, as mais precárias, como autônomos ( 3,6%), empregados domésticos ( 2,9%) e assalariados sem carteira assinada ( 1,1%) cresceram em abril. O dado positivo, porém, ficou por conta dos rendimentos médios dos ocupados, que, embora ainda muito abaixo dos patamares de 2015 e até de 2016, cresceram 0,5% em março (a pesquisa sobre os salários é feita em relação ao mês anterior). Entre os assalariados, o aumento foi ainda maior, de 1,5%, chegando aos R$ 1.867,00. Entre os autônomos, porém, o valor continuou a cair, chegando aos R$ 1.578,00 (-3,4%). "Percebe-se uma tendência das pessoas de fugirem para estratégias de sobrevivência, como o trabalho autônomo, que não geram riqueza. Quanto mais gente recorre a essa saída, mais se divide o bolo, e mais a renda média cai", alerta Lúcia Garcia, economista do Dieese, outra das entidades que promovem a pesquisa.

País soma 14 milhões de desocupados, calcula o IBGE

A taxa de desemprego subiu a 13,6% no trimestre encerrado em abril, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal divulgados ontem pelo IBGE. Com isso, o número de desempregados ficou em 14 milhões, uma alta de 23,1% em relação ao mesmo período do ano passado - o que corresponde a um acréscimo de 2,6 milhões de brasileiros à fila de desempregados, na comparação anual.
Em relação a janeiro, último dado comparável com a taxa de abril, houve alta de 8,7%, equivalente a 1,1 milhão de pessoas. No trimestre encerrado em janeiro a taxa havia sido de 12,6%. Já a registrada no período de fevereiro a abril de 2016 foi de 11,2%.
Apesar de ainda alto, o número de desempregados no País cresce mais lentamente, quando comparado ao ano passado. Em abril passado, a alta da população desocupada chegou a 18,6%, bem maior que os 8,7% registrados neste ano. Na comparação anual, a alta deste ano, de 23,1%, também é inferior à registrada no ano passado, quando o salto frente ao mesmo período foi de 42,1%.
Mas a alta mais gradativa do número de desempregados pode não estar necessariamente relacionada a uma melhora do mercado de trabalho, explica Cimar Azeredo. O número de desempregados também pode estar caindo influenciado por pessoas que perderam o emprego e desistiram de procurar uma nova colocação. "O que pode estar explicando a redução da desocupação? As pessoas estão desistindo de procurar trabalho. Podem ir para o lado de insuficiência de horas trabalhadas ou para o lado do desalento", afirmou Cimar Azeredo.
A população ocupada caiu 1,5% na comparação anual, para 89,2 milhões de pessoas. Ou seja, foram perdidos 1,4 milhão de postos de trabalho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre encerrado em janeiro, a queda foi de 0,7%. A combinação entre a queda da ocupação e o aumento da desocupação resultou na alta da taxa de desemprego. O resultado de abril é inferior ao registrado no trimestre encerrado em março, que foi de 13,7%. No entanto, o IBGE compara com o de janeiro por causa da metodologia chamada de trimestres móveis. O número de janeiro é o último sem interferência dos números de fevereiro e março.
Na comparação com o ano passado, o número de empregados com carteira assinada recuou 3,6%, para 33,3 milhões de pessoas. Este é o menor contingente de trabalhadores com carteira desde o início da série histórica, iniciada em 2012. Considerando apenas os meses de abril, a taxa de desemprego de abril também é a maior da série histórica.
O rendimento do brasileiro ficou estatisticamente estável, em R$ 2.107,00, tanto na comparação em relação ao trimestre anterior, como na comparação anual. Apesar da taxa ainda alta, os dados mostram alguns sinais de recuperação do mercado de trabalho.

Governo teria mais de 280 votos para a reforma da Previdência

O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), afirmou que o governo conta com "mais de 280 votos" para aprovar a proposta na Casa. Ele afirmou que o número de votos "mudou pouco" após as delações da JBS, mas reconheceu que as denúncias contra o presidente causam uma "dúvida de crise política" e precisam ser superadas rapidamente.
"Estamos em um patamar muito próximo do necessário em votos para aprovar a reforma", disse o deputado em coletiva de imprensa durante o Fórum de Investimentos Brasil 2017, em São Paulo. "Eu acho que nós já temos, seguramente, mais de 280 votos."
Além disso, o relator afirmou que o Congresso está na expectativa do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que mesmo se houver um pedido de vistas, interrompendo o julgamento, o Congresso tem condições de avançar na apreciação da reforma. O julgamento será retomado pela corte eleitoral no próximo dia 6.
"Não é possível que um ministro peça vistas, que ele não tem prazo para devolver o processo, e o Parlamento fique de braços cruzados esperando que um dia esse processo seja devolvido para a pauta para que o Brasil possa andar", disse o deputado. "Me perdoa, mas se houver um pedido de vistas, nós temos que tocar a reforma, temos que andar com isso no Congresso Nacional", enfatizou. Ele destacou que é preciso esperar o dia 6 de junho para definir o andamento da reforma na Câmara.
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