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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de maio de 2017. Atualizado às 16h45.

Jornal do Comércio

Economia

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Urbanismo

Notícia da edição impressa de 17/05/2017. Alterada em 17/05 às 16h45min

Projeto do Cais Mauá ainda gera divergências

Pontos como a forma de utilização do espaço foram questionados durante a reunião na Câmara

Pontos como a forma de utilização do espaço foram questionados durante a reunião na Câmara


MARCELO G. RIBEIRO/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Assinada em dezembro de 2010, a concessão do Cais Mauá não apenas ainda não saiu do papel como, também, ainda segue alvo de debates sobre a sua execução. Em debate ontem na Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara de Vereadores, o empreendimento foi novamente criticado por especialistas, que apontam problemas nos estudos de tráfego, no projeto arquitetônico e na forma de utilização do espaço do porto de Porto Alegre.
"Desde que se iniciou a parte decisiva, o projeto mudou, as empresas mudaram, a arquitetura evoluiu e se tornou notória a fragilidade em termos técnicos desse equipamento", defendeu o historiador e professor da Ufrgs Francisco Marshall, um dos integrantes da Associação Amigos do Cais Mauá (Amacais), grupo que concentrou as falas. Marshall ainda criticou a "falta de potência do empreendedor para executar o projeto", uma vez que o Ministério Público de Contas (MPC), entre outros motivos, utilizou a falta de garantias financeiras do consórcio Cais Mauá do Brasil como argumento para pedir a suspensão das obras no fim de 2016.
As principais críticas se referiram, porém, à metodologia utilizada no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Segundo o urbanista especialista em transporte, Emílio Merino, o estudo não prevê corretamente a viabilidade no tráfego da região. "O projeto parte de premissas retrógradas, que nos anos 1980 até eram referência, mas que hoje em dia não condizem com a realidade de cidades mais humanas", argumenta. Não haveria, por exemplo, análises multicriteriais, nem estudos sobre o impacto do transporte de cargas para o shopping center proposto no projeto.
Além disso, Merino questionou a projeção de aumento de 30% no tráfego, que estima em torno de 50 a 60%. Além disso, das 14 intersecções que serão afetadas, em nove o projeto diz que não há o que fazer para mitigar o transtorno porque não seria possível fazer desapropriações. "O que inviabiliza o projeto não é a falta de espaço para ampliação viária, mas sim os usos outorgados", continuou Merino, referindo-se à opção pelo shopping center, previsto para a área entre os armazéns e a Usina do Gasômetro. Segundo o arquiteto Cristiano Kunze, outro problema é que boa parte do centro comercial está projetado sobre uma praça delimitada no Plano Diretor, o que inviabiliza a utilização para edificações.
Na reunião, os ânimos se acirraram durante a fala do vereador Valter Nagelstein (PMDB), integrante da Cuthab, que defendeu que o tema já foi amplamente discutido ao longo dos anos e aprovado pela Câmara e por órgãos técnicos da prefeitura. "Essa oposição ao projeto é ideológica e anticapitalista", afirmou, atribuindo à esquerda o atraso nas obras e o fim de outros projetos, como o Pontal do Estaleiro.
Após a fala, os presentes tiveram de acalmar os mais exaltados para que a sessão pudesse continuar, com críticas principalmente do consultor em direito ambiental e ex-vereador Beto Moesch (PP) e também integrante da Amacais, que rejeitou o rótulo. "Aceitei participar porque o grupo tem o objetivo de buscar mais informações, não é contra a revitalização e nem contra a parceria público-privada", comentou Moesch, que questionou a falta de compensação pelo aumento na poluição e de monitoramento da qualidade do ar no estudo de viabilidade do Cais Mauá.
Ao fim da sessão, o presidente da Cuthab, vereador Dr. Goulart (PTB), acatou a sugestão de realizar um seminário para que os questionamentos pudessem ser discutidos com mais clareza. Solicitada pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), a organização do evento teve a concordância de representantes da prefeitura, que alegaram necessitar da presença de mais órgãos municipais para poder responder a todas as dúvidas.
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