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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de maio de 2017. Atualizado às 22h44.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócio

Notícia da edição impressa de 12/05/2017. Alterada em 11/05 às 20h57min

Entidades projetam queda na produção gaúcha de trigo

Liquidez do grão seguirá baixa no primeiro semestre

Liquidez do grão seguirá baixa no primeiro semestre


EPITÁCIO PESSOA/AE/JC
Thiago Copetti
Com a aproximação do período de plantio das safras de inverno, diferentes entidades começam a divulgar os primeiros e divergentes números sobre o encolhimento da cultura do trigo. Apesar de concordarem com a perspectiva de redução de área, a Emater e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) têm projeções diferentes para a produção final.
No ponto mais extremo da queda está a Conab, que, em seu oitavo levantamento sobre a safra brasileira, estima queda de 34,6% na produção, mesmo prevendo redução de somente 10% da área. Menos pessimista, a Emater, que também divulgou sua projeção ontem, acredita em redução inferior a 7% na área e de cerca de 20% na produção. Nos dois casos, a queda acentuada está relacionada com os bons números de 2016, ano de uma das melhores colheitas de trigo dos últimos 10 anos no Estado.
De acordo com a Conab, em 2016 foram colhidas quase 2,5 milhões de toneladas de trigo apenas no Rio Grande do Sul, ante 1,6 milhão prevista para este ciclo, até o momento. A queda projetada pela Emater é de 26,71% na produção (de 2,24 milhões de toneladas para 1,76 milhão). De acordo com o presidente da Emater, Clair Tomé Kuhn, a região de Passo Fundo é onde há maior redução (13%) e somente na região de Ijuí há expectativa de aumento de área (1,65%).
De acordo com a Conab, a perspectiva de o País colher apenas 5,47 milhões de toneladas (basicamente Rio Grande do Sul e Paraná) deverá implicar em maiores importações de trigo em grão. A estimava da companhia é de que o consumo brasileiro de trigo em grão seja de 10,9 milhões de toneladas, e que o suprimento nacional fique próximo de 13,7 milhões, composto pelo somatório dos estoques de entrada, produção e importação.
"As áreas que deixarão de receber o trigo devem ser ocupadas por aveia, azevém, cevada e plantas forrageiras. São culturas de custo menor de plantio e que não deixam o solo desprotegido. Dificilmente essa área toda que deixará de receber o trigo ficará em repouso", diz Kuhn.
O presidente da Emater destaca que, entre os cultivos alternativos, as maiores semeaduras devem ficar com a aveia branca (230,7 mil hectares, alta de 1,32%), canola (com 52 mil hectares, mais 5%) e cevada (51,50 mil hectares, alta de 16,5%). "A cevada está estimulada pelos bons preços do último ano. Entre as alternativas de inverno é que deve ter maior expansão e rentabilidade", opina.
Para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro-RS), Paulo Pires, a realidade de retração do trigo pode ser alterada ao longo do período de plantio. Ele avalia que, com a atual queda nas cotações da soja, os produtores gaúchos acabarão buscando no trigo uma compensação de renda e devem fazer a opção de última hora pelo cereal. "Não temos uma opção de inverno para o produtor ter renda. Ele também precisa cobrir a terra, e as culturas alternativas ainda não têm expressão econômica", opina.
 

Safra nacional de grãos de verão deve ser ainda maior do que o esperado

Enquanto no cenário gaúcho o principal debate é o rumo da safra de inverno; nacionalmente, o destaque é o encaminhamento do final do ciclo 2016/2017 com alta ainda maior do que o previsto. A produção brasileira de grãos, que se encerra no mês que vem, deve atingir recorde de 232,02 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 24,3%, ou 45,4 milhões de toneladas, em comparação com a safra passada.
Os números fazem parte da oitava estimativa da Conab, divulgada nesta quinta-feira. Em comparação com a previsão do mês anterior, houve aumento de 4,09 milhões de toneladas, ou 1,8%. A soja, principal cultura de verão, deve ter um crescimento de 18,4% na produção, devendo atingir 113,01 milhões de toneladas, com ampliação de 1,8% na área plantada, que pode alcançar 33,9 milhões de hectares.
Já a produção de milho deve alcançar 92,8 milhões de toneladas, 39,5% acima da safra 2015/2016. A previsão é de 30,15 milhões de toneladas para a primeira safra (mais 17,1%) e de 62,68 milhões de toneladas (53,7%) para a segunda, de inverno. A área de milho deve ser de 17,2 milhões de hectares, uma ampliação de 8,3%.
A safra de arroz está estimada em 11,96 milhões de toneladas, uma alta de 12,8% ante o período anterior. No Rio Grande do Sul, onde a colheita está próxima do fim, a produtividade média é de 7.968 quilos por hectare, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), restando apenas 12.560 hectares a serem colhidos.
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