Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 07 de maio de 2017. Atualizado às 22h28.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Energia

Notícia da edição impressa de 08/05/2017. Alterada em 07/05 às 22h24min

CEEE-D quer reduzir em 75% perdas até 2020

'Gatos' da fiação elétrica estão sendo combatidos com inspeções de equipes próprias e terceirizadas

'Gatos' da fiação elétrica estão sendo combatidos com inspeções de equipes próprias e terceirizadas


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Jeferson Klein
Entre os maiores problemas que as distribuidoras de energia precisam enfrentar estão as perdas técnicas (inerentes ao transporte de eletricidade) e comerciais (os famosos gatos), sendo que as ocorrências desse último caso, em um momento de crise econômica, aumentam. Para a Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), o prejuízo causado por esses fatores significa 17% do faturamento, ou seja, um rombo de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões ao ano. Com o objetivo de reverter esse cenário, a estatal implementou um programa cuja meta é recuperar 75% desse valor até 2020.
Segundo o presidente da estatal, Paulo de Tarso Pinheiro Machado, o combate às perdas consiste em inspeções com equipes próprias e terceirizadas. No total, serão feitas mais de 100 mil ações ao ano. Além disso, está prevista a modernização do sistema de medição do consumo de energia e uma campanha de conscientização da população. Dentro dessa iniciativa, na semana passada, a companhia autuou, com a Polícia Civil, a casa noturna porto-alegrense Rambla. O presidente do Grupo CEEE informa que foi constatado que o estabelecimento estava registrando apenas um quinto do seu consumo efetivo. Técnicos da distribuidora e da Polícia verificaram que o local possuía dois medidores de energia, sendo que um deles estava com os lacres violados e constava como desligado desde agosto do ano passado. A energia que abastecia parte dos equipamentos - como duas câmaras frigoríficas, três aparelhos de ar-condicionado para ambientes grandes, ar central e toda a cozinha - era proveniente do furto. A CEEE-D está apurando os valores devidos.
Pinheiro Machado enfatiza que o crime relativo à fraude no consumo de energia prevê prisão de um a quatro anos, inafiançável. Nos últimos 15 meses, a empresa realizou mais de 34,6 mil inspeções, incluindo fiscalizações em unidades consumidoras de todos os segmentos de consumo e bairros de cidades atendidas pela distribuidora. Conforme os cálculos feitos pelas equipes, e considerando a energia consumida e não paga, os processos em tramitação envolvem valores de cobrança na ordem de R$ 30 milhões aos cofres da estatal.
Também no que diz respeito a uma cifra milionária, recentemente o Grupo CEEE, através do seu braço de geração, a CEEE-GT, discutiu uma proposta de distribuição de lucros aos acionistas, com o limite da partilha de até R$ 129 milhões. Porém essa ideia foi postergada. Machado destaca que o lucro do grupo, de R$ 396,6 milhões em 2016, foi contábil. Há recursos que ainda deverão entrar na empresa, devido à indenização de investimentos feitos na Rede Básica do Sistema Existente (RBSE). Sendo um resultado contábil, não se tem disponibilidade de caixa. Soma-se a isso uma decisão judicial, devida a uma ação da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), que gerou a perspectiva de revisão do montante a ser indenizado.
Esse conjunto de fatores, argumenta o dirigente, determinou que não se fizesse a distribuição dos dividendos neste momento. A definição será remetida para uma nova assembleia de acionistas, a ser realizada até dezembro. Por enquanto, o saldo à disposição será mantido no patrimônio líquido da companhia.
Outra decisão do grupo, tomada há pouco tempo, foi a adoção do modelo de faturamento instantâneo da conta de luz para agilizar e facilitar o processo. No entanto Pinheiro Machado admite que a implantação do sistema acarretou algumas dificuldades iniciais, que ocasionaram reclamações por parte dos clientes através de canais como a ouvidoria e o 0800 da empresa. Um dos problemas verificados foi a entrega de duas cobranças no mesmo mês. O dirigente explica que isso aconteceu devido a casos em que o profissional que realizou a leitura dos medidores fez a emissão do faturamento, mas não avisou à base da CEEE. Com isso, a companhia, pensando que a conta não tinha sido impressa, mandou a cobrança pelo correio. A expectativa é de que esses episódios diminuam cada vez mais com a maturação do sistema.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia