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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de maio de 2017. Atualizado às 21h26.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 05/05/2017. Alterada em 04/05 às 16h56min

Compreendendo Oscar Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer (1897-2012) é um dos brasileiros mais conhecidos e importantes em toda a história do País, em âmbito nacional e internacional. A partir dos 50 anos de Brasília, comemorados em 2010, diferentes instâncias acadêmicas brasileiras preocuparam-se em prestar homenagem a Niemeyer, mediante vários projetos editoriais.
Entre essas homenagens, uma antologia de três seções, convocada pela Universidade de Brasília (UnB), consagradas respectivamente a olhares panorâmicos, análises teóricas e trabalhos sobre a trajetória profissional do carioca, a partir de obras específicas, no Brasil e no exterior, foi feita, sob a organização de Paulo Bruns e Ingrid Quintana Guerrero.
Quatro ensaios sobre Oscar Niemeyer (Ateliê Editorial, 344 páginas), além de homenagear o mestre Niemeyer, fornece uma amostra revisada da iniciativa da UnB. São ensaios dos organizadores, de Hugo Segawa e Rodrigo Queiroz, com introdução de Sylvia Fischer, que abordam a obra de Niemeyer em São Paulo; a repercussão internacional da obra do arquiteto, a revisão crítica de Oscar Niemeyer e o Espaço Sagrado em Oscar Niemeyer e alguns desdobramentos na América Latina. Ao final do volume, notas biográficas dos autores dos ensaios.
Os autores-organizadores fazem parte do grupo de pesquisas Arquitetura e Cidade Moderna e Contemporânea, vinculado à área de concentração em História da Arquitetura da Fauusp - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e seus trabalhos partem de seus diferentes campos de atuação profissional. O professor Hugo Segawa, da USP, arquiteto, e a professora e arquiteta Ingrid Quintana Guerrero são responsáveis por dois ensaios.
No volume, se fala da excepcionalidade da obra de Niemeyer, que despertou o interesse internacional e da literalidade de um diálogo com o passado que resulta em seus edifícios religiosos e que faz pensar sobre o caráter de modernidade que geralmente é atribuído, "a priori", ao grande arquiteto.
O grande mérito da obra, além da profundidade e criatividade dos textos, como, aliás, disse Sylvia Fischer na introdução, é abordar mais especificamente questões teóricas, estéticas e historiográficas referentes aos projetos de Niemeyer e à sua atividade profissional em si. O projeto da UnB produziu um alentado volume de mais de 30 capítulos. Como disse a apresentadora, os quatro ensaios ora publicados fazem parte do volume e servem como um bom aperitivo, agora publicados nessa obra.
A apresentadora e os leitores certamente vão ficar aguardando ansiosamente o cardápio completo, como escreveu ela. Niemeyer merece, realmente, estudos aprofundados, por sua longa, criativa e aplaudida trajetória.

lançamentos

  • A vida das sobras (Leitura XXI e FestiPoa Literária, 56 páginas), do jornalista, poeta, escritor e produtor cultural Carlos Eduardo Caramez, traz poemas destravados, pungentes e urgentes, como, por exemplo: lavro minha carne / lavo minha alma/ limpo meu espírito / preparo meu corpo.
  • Manual de Editoração e Estilo (Editoras Unicamp, Edusp e UFMG, 728 páginas), do grande editor Plínio Martins Filho, mais de 45 anos dedicados à arte de editar, com colaboração de especialistas, é obra que nasce clássica e interessa a profissionais do livro e leitores, por sua amplitude e clareza.
  • Arquivida - Do senciente e do sentido (Iluminuras, 96 páginas), do filósofo francês Jean-Luc Nancy, aborda com sutileza temas como tecnologia, divindade, toque e democracia. Não confronta a tradição para justificar suas teses. Ele usa os elementos da tradição justamente para relativizá-la.

Velhas novidades midiáticas

Antigamente, dizia-se que não existia nada mais velho do que o jornal de ontem. Também se dizia que o escândalo de hoje devia ser embrulhado com o jornal de ontem. Hoje, o jornal eletrônico de dois minutos atrás já está velho, e o escândalo é embrulhado com o jornal da hora. Haja jornal.
No passado, o jornal impresso servia para comerciantes e até para açougueiros empacotarem suas mercadorias. Os impressos também serviam (e servem) para cobrir a cabeça nos dias de chuva. Legítima cobertura de imprensa. Nesse sentido, os televisores, notes, ipads etc. nunca vão substituir a mídia impressa.
Essa conversa toda pensei enquanto estava folheando jornais de dois meses atrás, empilhados num sofá, como se fossem visitas esperando a hora de receber atenção. Viagens, correrias, falta de tempo e aí a pilha de periódicos atingiu uns 120 exemplares. Ainda sou do tempo do jornal impresso e do hábito de ler jornais velhos. Suplementos culturais, segundos cadernos, revistas, livros, bulas de remédio e propaganda de decupinização, armazenadas, também aguardam leitura ou uma limpeza tipo feng shui. A ver.
Pensei em ler todos os 120 jornais, claro que não daria. Olhei as manchetes, os títulos principais, alguns textos e pensei que não faria muita diferença a leitura total. A não ser quanto à parte dos óbitos e nascimentos de nossa província e as simpáticas fotos das colunas sociais. Colunas sociais e horóscopos existem, acho, em quase todos os jornais do mundo. Horóscopo não tenho lido, pois já me preocupa bastante o presente para ainda me encucar com o que acontecerá ou não no futuro.
Protestos, votações, reformas, crimes e crises, as coisas vão se repetindo, com cores e pessoas um pouco diferentes, aqui e ali. Gosto de notícias e fatos estranhos, como o cachorro que virou santo na França no passado ou assaltantes que estão sendo assaltados por outros assaltantes e que, de certo, registram boletim de ocorrência.
Estou aguardando, ansioso, a notícia sobre um poste que saiu correndo atrás de um cachorro e fez xixi no lombo dele. Acho que não vou precisar esperar muito. Enquanto isso, esses dias, li que um oriental, acho que japonês, tem uma coleção de nove mil bonecas Barbie.
Larguei um pouco o passado recente da pilha de jornais e saí para caminhar no dia 28 de abril, da greve geral. O Centro Histórico e alguns lugares lembravam um pouco os domingos, com poucas pessoas e automóveis em circulação. Dava a impressão de que até os assaltantes estavam envolvidos do "movimento paredista".
Nosso país está dividido. Na eleição passada, aproximadamente um terço dos eleitores votou na Dilma, um terço no Aécio, e um terço votou em branco, anulou ou se absteve. Agora, a divisão parece maior e, nas próximas eleições, acho que o panorama será outro. Muitas pessoas estão pensando em votar em candidatos que não sejam detentores de mandatos. Vamos ver, têm muitos meses pela frente, nesse País onde até o passado é imprevisível, como disse o outro.

a propósito...

Falando em notícias futuras boas, nos jornais impressos eletrônicos, na web, rádios ou TVs, esperamos todos por boas notícias na política, na economia, na educação, na cultura e outras áreas. Tomara que surjam pessoas ou grupos capazes de mediar os variados interesses do Brasil e dos brasileiros e que, de uma vez por todas, a corrupção fique sob fiscalização, controle e punição, e que a grana vá para a saúde, a educação, a segurança e outros itens estatais. O esforço tem que ser de todos. Não podemos ficar esperando que apenas os detentores e "detentos" dos poderes resolvam tudo para nós. Esse filme a gente já viu. Não vale a pena ver de novo. 
 
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