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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de abril de 2017. Atualizado às 22h27.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 25/04/2017. Alterada em 24/04 às 19h29min

Sobre a cultura da paz

Yeda Crusius
Vai e volta, a notícia é sobre alguma guerra. O velho. De novo? Pois é o que inunda as notícias da imprensa depois da recente e inesperada ação patrocinada pelo novo presidente dos Estados Unidos de bombardear uma base militar na Síria depois da notícia do uso (de novo?) de armas químicas naquele país, em guerra civil que já causou mais de 400 mil mortes desde o seu início, em 2011. Tal número contabilizado de mortes não assombra o Brasil, cujo número de mortes por causas violentas desde então não é menor - pelo contrário. Pelas estatísticas brasileiras, é maior no período de 2011 e 2015. Só em 2015 foram mais de 58 mil, e mais de 60 mil em 2016. Estamos com esse retrospecto em guerra civil, dizem alguns, devido à organização do tráfico de drogas, à sociedade cada vez mais violenta como atestam os assassinatos de mulheres e crianças no âmbito doméstico, e à leniência com o trânsito. Tristíssima realidade, que tem clamado por políticas públicas na área, bem como registrado um sem-número de iniciativas da sociedade buscando ações de prevenção à violência.
Em muitos casos de publicações, opiniões e ações, fala-se da necessidade de fomentar uma cultura de paz para contrapor a essa cultura de violência própria de uma sociedade permissiva e intolerante, na qual as diferenças dão vazão a manifestações de preconceitos de toda ordem: raça, gênero, opção sexual. Confunde-se diferenças entre pessoas com superioridade e inferioridade, e a partir daí, no comportamento das pessoas, na lei, ou na sua aplicação, cria-se uma hierarquia entre as essas mesmas pessoas diferentes entre si, reproduzindo e perpetuando injustiças que se necessita reduzir ou vencer. À cultura da dominação de uns sobre outros busca-se contrapor uma possível "cultura da paz". Os seres biológicos evoluem, criando os instrumentos de que necessitam para sobreviver. Uns conseguem; outros, não - a teoria da evolução é farta nos exemplos, e nos canais de TV ligados ao tema. Tempo dos dinossauros, extintos, tempo dos homens - para onde caminham? Antes de tentar achar a resposta, uma coisa é certa. À hierarquizada sociedade da dominação se pode contrapor a construção de uma sociedade de parcerias. Não uns contra os outros, e sim uns com os outros. A evolução das sociedades não é natural, é construída. Para evoluir, só há um caminho que é o que nos afaste da violência e promova a paz.
Deputada federal (PSDB)
 
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