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Porto Alegre, domingo, 23 de abril de 2017. Atualizado às 22h41.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 24/04/2017. Alterada em 23/04 às 21h36min

Concluir duplicação da BR-116 é importante à economia

Impressionante como obras públicas no Brasil são lançadas e, um ou dois anos depois, estão paralisadas, por vários motivos, o principal deles a falta de verbas. Não se entende como uma obra que deve durar três, quatro ou cinco anos não receba, anualmente, dinheiro no orçamento oficial para o seu andamento e até a conclusão.
Isso é de uma obviedade acaciana mas, ano após ano, é notícia recorrente na imprensa. Da mesma forma, prefeitos, deputados estaduais e federais, e senadores, além de empresários perambulam por gabinetes em Brasília na busca de acionar aquilo que deveria estar planejado desde o seu início e até o término, obviamente.
Este é o caso flagrante da duplicação dos 250 quilômetros da BR-116, entre os municípios de Guaíba e Pelotas. Caravanas de prefeitos, vereadores e líderes empresariais de Pelotas, Rio Grande, Jaguarão, Turuçu e Camaquã já percorreram o trecho em caravana rodoviária para chamar a atenção, chegando em Porto Alegre.
No entanto, as obras continuam paralisadas, com prejuízos à economia da Zonal Sul do Estado e, de resto, a todo o Rio Grande do Sul, tal a importância para o escoamento de safras e a chegada e saída de mercadorias ao porto do Rio Grande. Além do mais, a base de areia, saibro e pedras colocada tem assoreamento em diversos pontos, com a perda de milhões de reais, pois o trabalho terá que ser refeito.
Especialistas dizem que o valor de uma rodovia do porte da duplicação da BR-116 volta em benefícios econômicos ao longo de cinco anos, tão somente. Além disso, há redução no valor dos fretes e no número de acidentes.
Por isso, a cada ano em que a duplicação está parada calcula-se que 20% do valor já investido é perdido, uma lástima em tempos de tão escassos recursos públicos. Como a obra tem custo estimado em R$ 1,2 bilhão e prazo inicial para o término em 2014, o prejuízo para o governo federal chega a R$ 39 milhões, pelos quase 30 meses de atraso.
E houve, desde 2014, a morte de 50 pessoas em colisões frontais, a maioria das quais, senão todas, teria sido evitada, com a duplicação da rodovia. Dos R$ 600 milhões que faltam para concluir a duplicação, o governo federal garantiu apenas R$ 59 milhões. O Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) informa que com R$ 200 milhões em 2017 um trecho de 100 quilômetros estaria pronto até o final do ano.
Além de Pelotas e Rio Grande, também seriam beneficiados os municípios produtores agrícolas de Barra do Ribeiro, Tapes e São Lourenço do Sul. Talvez, ao fim desta crise pela qual a economia nacional vem passando desde o final de 2014 e que está dando tímidos, mas sucessivos sinais de superação, o País aprenda a planejar.
Ao lançar uma obra, que se projete as verbas ano após ano. O problema é a tendência à corrupção que estamos presenciando amiudadamente, para tristeza da maioria silenciosa que trabalha e sustenta a máquina pública.
Ainda bem que a transposição das águas do rio São Francisco está continuando e terá nova etapa, no Rio Grande do Norte, concluída até o final de 2017. Esta que é uma obra que foi pensada ainda ao tempo do imperador Dom Pedro II, em 1848. Também é preciso concluir as ferrovias Norte-Sul e outros trechos inacabados e que foram lançados com alarde, eis que importantes para o transporte de cargas.
Enfim, muitas iniciativas interessantes foram lançadas. No entanto, cabe terminar, concluir, entregar o planejado, para gáudio dos brasileiros e da economia nacional.
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