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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de abril de 2017. Atualizado às 12h42.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

26/04/2017 - 11h36min. Alterada em 26/04 às 12h44min

Taxa de desemprego em março repete fevereiro na Região Metropolitana de Porto Alegre

Ocupação e população em busca de trabalho tiveram o mesmo recuo, o que estabilizou a taxa

Ocupação e população em busca de trabalho tiveram o mesmo recuo, o que estabilizou a taxa


MARCELO G. RIBEIRO/JC
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) ficou estável em 10,8% em março, repetindo a mesma taxa de fevereiro. O mês teve queda na ocupação, mas ao mesmo tempo na População Economicamente Ativa (PEA), segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgados nesta quarta-feira (26). Os dois fatores determinaram a estabilidade na taxa.
O número total de desempregados foi estimado em 197 mil pessoas, 1 mil a menos ante fevereiro. Os setores que mais cortaram postos foram serviços, com queda de 2,7% ou 24 mil ocupados e indústria de transformação, que reduziram 7 mil ocupados ou corte de 2,4%. Já comércio adicionou 12 mil pessoas, alta de 3,7%, e construção civil outras 6 mil pessoas, avanço de 4,9%.
Foram 11 mil a menos pessoas ocupadas no mercado de trabalho da RMPA no mês passado, com recuo de 0,7% frente a fevereiro. A PEA teve diminuição de 12 mil, caindo no mesmo nível que a ocupação. Frente a março de 2016, o contingente ativo ficou 23 mil menor. Segundo a PED, a taxa de desocupação chegou a crescer 0,9% em relação a março de 2016. Um dado destacado no boletim mensal pelos especialistas da Fundação de Economia e Estatística (FEE), do Dieese e FGTAS é que a fatia da PEA na População em Idade Ativa (PIA), com mais de 10 anos, diminuiu de 51,6% para 51,3%, atingindo o menor patamar da série histórica do indicador.

Emprego com carteira cai mais

A PED apontou que houve redução de 2,4% nos assalariados, com redução de 28 mil postos nessa condição em março. No setor privado, foram 25 mil a menos, ou queda de 2,5%. O emprego com carteira liderou as baixas nos assalariados, com perda de 19 mil vagas, recuo de 2,1%. Já o segmento sem carteira assinada teve corte de 6 mil vagas ou menos 6,5% de pessoas nessa condição. Já os trabalhadores autônomos registram alta, com ampliação de 17 mil, aumento de 8,3%. Houve acréscimo ainda de 2 mil ocupados em empregos domésticos, avanço de 2%.
Nos rendimentos, o ganho médio real diminuiu 2% para o total de ocupados - os dados se referem aos valores recebidos em fevereiro. Já para assalariados a queda foi de 3%. Os autônomos tiveram aumento de 1,4%. Os valores ficaram em R$ 1.841,00 para o contingente ocupado, R$ 1.840,00 para assalariados e R$ 1.635,00 para autônomos.

Tendência de queda na ocupação e mais desemprego

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Especialista advertem para cenário de maior desemprego em Porto Alegre e no País. Foto: Fredy Vieira/JC
A economista do Dieese Virgínia Donoso observou que a ocupação cai pelo quinto mês consecutivo. "Embora a taxa se mantenha relativamente estável, isso só acontece porque tem uma redução muito grande da PEA”, adverte Virgínia. “Há uma saída muito significativa de pessoas do mercado de trabalho, o que demanda uma análise do perfil dos inativos, para entender as motivações desses processos. Se não fosse esse movimento as taxas de desemprego seriam bem maiores."
Para a economista da FEE, Iracema Castelo Branco, o cenário econômico indica difícil recuperação do mercado de trabalho. “Proporcionalmente, o setor público contribuiu mais para a queda da ocupação do que o setor privado", destaca Iracema. A economista confronta que os autônomos, grupo que mais cresceu na ocupação, tiveram a maior queda dos rendimentos, de 11,2%, frente a fevereiro de 2016. "Esse empreendedorismo que surge como alternativa acaba não se confirmando. Os componentes da demanda não mostram possibilidade de crescimento econômico, que é o que determina a geração de emprego", alerta a especialista da FEE. "A queda nos rendimentos é uma variável insuficiente para deter a queda na ocupação. O cenário é de deterioração.”
A coordenadora nacional da PED, economista do DIEESE Lúcia Garcia, chama atenção para o fato de Porto Alegre ser uma espécie de sentinela do mercado de trabalho no País. “Sintomas acontecem aqui primeiro, muito em função do encadeamento da nossa cadeia produtiva. Quando há um tombo aqui, acaba por acontecer em seguida nas outras capitais e regiões metropolitanas", explica Lúcia. A coordenadora nacional da PED previne que "o mercado de trabalho em Porto Alegre se direciona para a elevação do patamar de desemprego". "Estamos patinando, rumo à degradação, que é a precarização muito forte”, assinala Lúcia.
O aumento do número de autônomos e do serviço doméstico e a redução dos rendimentos são elementos que demonstram o cenário desfavorável, que pode se agravar caso sejam implementadas as reformas em discussão, projeta a coordenadora nacional da PED.  Nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados poderá votar a reforma trabalhista. “Somos técnicos que oferecem informações qualificadas para a sociedade. E essas informações nos levam a tomar posição. Nossa posição é que as reformas não só precarizam, como trazem novas perversidades para esse mercado e pioram a condição social e econômica da população.” 
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