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Comercialização

07/03/2017 - 17h22min. Alterada em 19/02 às 12h17min

Analista da AgRural critica baixa venda antecipada de soja

Claudio Brazamarello (de chapéu) com familiares lamenta não ter vendido antes fatia maior da lavoura

Claudio Brazamarello (de chapéu) com familiares lamenta não ter vendido antes fatia maior da lavoura


MARCO QUINTANA/jc
Patrícia Comunello
O agricultor de Coxilha Claudio Bruzamarello não escondeu nesta terça-feira (7), na Expodireto em Não-Me-Toque, a decepção por ter errado na decisão de comercialização antecipada da sua lavoura de 80 hectares, 80% de soja. "Vendi 20%, deveria ter vendido 80%!", reagiu Bruzamarello, nesta terça-feira (7), enquanto se refugiava sob um guarda-sol no parque da Cotrijal. Sombra é tudo que os visitantes buscam quando chega o meio-dia na feira.
O agricultor de Coxilha Claudio Bruzamarello não escondeu nesta terça-feira (7), na Expodireto em Não-Me-Toque, a decepção por ter errado na decisão de comercialização antecipada da sua lavoura de 80 hectares, 80% de soja. "Vendi 20%, deveria ter vendido 80%!", reagiu Bruzamarello, nesta terça-feira (7), enquanto se refugiava sob um guarda-sol no parque da Cotrijal. Sombra é tudo que os visitantes buscam quando chega o meio-dia na feira.
Os preços estão bem mais baixos na véspera da maior safra da história do Estado, segundo dados divulgados pela Emater-RS. A saca está a R$ 60,00, bem diferente de valores acima de R$ 70,00 em alguns mercados. "Falavam que ia ter estiagem, no fim o clima mudou, e ajudou e terá boa safra", completa o agricultor, que vai colher mais de 60 sacas por hectare. 
A situação vivida pelo gaúcho se enquadra direitinho no puxou de orelha que Fernando Muraro, analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, deu para a plateia que participava do Fórum Nacional da Soja, que discutiu o futuro do mercado e da cultura. "A primeira e grande lição do mercado é a seguinte: uma parte da safra sempre tem de ser antecipada antecipada. Para fugir desse buraco da baixa de preços em março e abril", recomenda Muraro.
Ele sugere que o produtor venda, pelo menos, um terço do que espera colher. Sobre o melhor momento, depende da "oportunidade". "O mercado sempre oferece oportunidade durante o ano. Em 2016, a oscilação chegou a R$ 20,00 por saca. Em 10 mil sacas, são R$ 200 mil, em 200 mil sacas são R$ 4 milhões. É um absurdo", atenta o analista.    
Quem não fez isso, como Brazamarello, deve "fechar o olho e prender o nariz", ou seja, segurar a onda com a já dada como certa maior queda dos preços, abaixo de R$ 60,00 a saca, avisou Muraro. O analista avalia que o comportamentos dos produtores é efeito de três anos seguidos de se-safras muito boas e sem estiagem no Rio Grande do Sul. "A tomada de decisão do produtor capitalizado é sempre mais difícil, vai prorrogando e prorrogando", opina sobre a baixa venda antes da colheita.
O problema é que a definição de preços hoje está nas mãos da ciranda do mercado financeiro. "É um cassino", alerta. O efeito ainda é que quem não antecipou, aproveitando preços melhores, terá menor rentabilidade. Até porque o custo carrega um câmbio mais desfavorável quando houve a compra de insumos para formar a nova lavoura em 2016. O analisa dá ainda um argumento derradeiro sobre a cultura local menos aderente a contratos no mercado.
A safra nem começou a ser colhida, e as diferenças de frete do Planalto gaúcho para o Porto do Rio Grande já são as mais altas da história. Trata-se de um efeito da lei da oferta e demanda (por transporte), que cresce em março e abril devido à colheita. "Qualquer ganho de preço do grão em Chicago é neutralizado pelo efeito doméstico", conclui o especialista, que foi um dos palestrantes do Fórum Nacional da Soja, que ocorreu na Expodireto. 
Sobre o futuro dos preços da soja, Muraro acredita que os valores devem cair mais, após precificação do grão. "A formação de preço pressupõe queda no mercado internacional e valorização em reais. O real tem importante papel na formação de preço. Nos próximos 60 dias, vamos ter os piores preços do ano", previne. "Abaixo de R$ 60,00 a saca."