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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de março de 2017. Atualizado às 22h29.

Jornal do Comércio

Economia

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Fraude

Notícia da edição impressa de 28/03/2017. Alterada em 27/03 às 21h48min

Brasil precisa garantir controle sobre produção agropecuária, afirma UE

Vytenis Andriukaitis irá discutir os instrumentos de controle sanitário

Vytenis Andriukaitis irá discutir os instrumentos de controle sanitário


YASUYOSHI CHIBA/AFP/JC
A credibilidade da carne brasileira por parte da União Europeia (UE) depende apenas do Brasil, que precisa garantir o controle sobre a produção do setor agropecuário, declarou ontem o comissário de Saúde e Segurança Alimentar da União Europeia, Vytenis Andriukaitis, em visita à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, zona Norte do Rio de Janeiro. "O Brasil precisa agir o quanto antes, tomar medidas rapidamente, com boa cooperação e entendimento mútuo", disse ele.
A visita de Andriukaitis ao Brasil estava marcada desde antes da Operação Carne Fraca e, segundo ele, será uma oportunidade para discutir estratégias de cooperação para solucionar o problema da queda das exportações das carnes brasileiras. A União Europeia suspendeu a importação de frigoríficos investigados pela Polícia Federal (PF).
As investigações da operação Carne Fraca revelaram um esquema envolvendo fiscais agropecuários a serviço do Ministério da Agricultura e donos de frigoríficos nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás. A PF afirma que os fiscais investigados recebiam propina para emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva da carne.
O representante do bloco europeu se reúne hoje com vários ministros em Brasília, dentre eles o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. Um dos temas da pauta serão as medidas que estão sendo tomadas para melhorar os instrumentos oficiais de controle sanitário, de qualidade, transparência e fiscalização do setor.
"Sem isso, não há chance de manter um comércio comum", disse ele ao ressaltar a importância da parceria do bloco com o Brasil: "O Brasil é um parceiro comercial muito importante, precisamos ver como continuar com essa boa parceria. A única forma é garantindo 100% de segurança alimentar, pois é um problema de saúde pública".
Ontem, o comissário conversou com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, sobre doenças transmitidas por insetos (zika, dengue, chikungunya, malária e outros), desenvolvimento de tratamentos e vacinas, resistência antimicrobiana, pesquisa sobre novos antibióticos contra hanseníase, entre outros temas.

Exportações de carnes brasileiras caem 19% após início de operação

A média diária de exportações de carne brasileira caiu 19% na quarta semana de março em relação ao acumulado no mês. No fim da terceira semana foi deflagrada a Operação Carne Fraca, que apontou fragilidades na fiscalização de frigoríficos. Segundo dados da balança comercial brasileira divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), até a terceira semana de março, a média diária de exportação em carnes era de US$ 62,2 milhões, número que caiu a US$ 50,5 milhões na última semana. No mês, a exportação de carnes registra redução de 3,7% em relação à média de fevereiro e aumento de 7,1%, se comparado com março de 2016.
Em termos de valor, a carne que mais vem caindo em relação ao mês passado é a de frango in natura, seguida pela bovina in natura. A carne de porco in natura ainda apresenta aumento em relação a fevereiro no resultado da quarta semana de março da balança comercial.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reafirmou o temor com a queda nas exportações brasileiras do setor de proteína animal por causa dos efeitos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. "Acho que teremos problemas, porque nossa imagem foi muito atacada", disse. "Nossos concorrentes aproveitam momentos de fragilidade para ganhar mercado e minha sugestão é de que as empresas procurem seus parceiros comerciais", emendou o ministro.
Maggi citou como exemplo um dos frigoríficos investigados que tinha produtos com data vencida e, apesar de admitir os problemas com a imagem do setor, espera uma recuperação nas exportações, já que houve efetiva interrupção de abate em só uma unidade. "Espero sinceramente que algum dia teremos exportação maior do que o normal, porque tinha muito produto nos portos para embarcar", explicou. Maggi afirmou ainda que o primeiro momento é o restabelecimento das exportações e que a briga para reconquistar confiança externa e dos consumidores será em uma segunda fase.

Governo já interditou seis frigoríficos

Dos 21 frigoríficos alvos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, o Ministério da Agricultura já interditou seis unidades, em Goiás, Santa Catarina e Paraná. De acordo com o ministério, foi interditada uma unidade da BRF de Mineiros (GO); duas unidades da Peccin, de Jaraguá do Sul (SC) e de Curitiba (PR); uma unidade da Souza Ramos de Colombo (PR); uma unidade da Sspma de Sapopema (PR); e uma unidade da Farinha de Castro, em Castro (PR).
Essas decisões decorrem das ações dos técnicos do ministério da Agricultura de fiscalização de produtos e dos próprios estabelecimentos, desde que a Operação Carne Fraca veio à tona, no dia 17. A operação tinha como alvo a atuação de agentes de fiscalização e o ministério vem apurando a situação dos frigoríficos.

JBS retoma produção em 33 unidades, mas com redução de 35%

A JBS informou que retomou nesta segunda-feira a produção de carne bovina nas 33 unidades, das 36 existentes no País, que haviam suspendido o abate na semana passada por três dias. Mas a empresa ressalta que reduziu a produção em 35%, ainda como consequência do embargo imposto à carne brasileira após a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que descobriu um esquema de pagamento de propinas a fiscais do Ministério da Agricultura para afrouxar as fiscalizações.
A empresa informou que está avaliando como ficará a produção após o fim do bloqueio às importações anunciado por China, Chile e Egito, que começam a retomar a compra do produto brasileiro. Mercado importantes, como Hong Kong, ainda mantêm o bloqueio. A União Europeia também suspendeu as importações de carne do Brasil dos 21 frigoríficos investigados na Carne Fraca.
A JBS informou que ainda não há notícias de demissões na empresa.

Acionistas movem ação coletiva nos EUA contra JBS

As consequências da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal já começam a surgir para as empresas envolvidas que possuem negócios no exterior ou ações negociadas na Bolsa de Nova Iorque, os chamados American Depositary Receipts. 
O escritório de advocacia Rosen Law Firm entrou, na semana passada, com uma ação coletiva na Justiça dos Estados Unidos representando um grupo de investidores em ações do grupo JBS que se sentiram prejudicados pela omissão de informações e divulgação de comunicados que consideraram enganosos por parte da empresa. O escritório brasileiro Almeida Advogados faz parte da ação. Uma ação similar pode ser aberta contra a empresa BRF.
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