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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de março de 2017. Atualizado às 21h54.

Jornal do Comércio

Economia

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Fraude

Notícia da edição impressa de 15/03/2017. Alterada em 15/03 às 21h55min

MP-RS flagra adulteração em leite de três laticínios

Fábricas 'rejuvenesciam' o produto vencido e impróprio para o consumo, segundo apurou a investigação

Fábricas 'rejuvenesciam' o produto vencido e impróprio para o consumo, segundo apurou a investigação


MPRS/MP-RS/Divulgação/JC
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) deflagrou a 12ª etapa da Operação Leite Compensado, com prisões e apreensões em cinco municípios. A ação do MP-RS ocorreu desde o começo da manhã de ontem. Os alvos nesta nova etapa estavam localizados em Nova Araçá, Casca, Marau, Estrela e Travesseiro, na região Nordeste.
Foram cumpridos cinco mandados de prisão e quatro de busca e apreensão. As buscas foram realizadas na Indústria de Laticínios Rancho Belo Ltda., em Travesseiro, que fabrica leite UHT integral envazado pela marca dos supermercados Dia%, além de leite, queijo e creme de leite da marca Rancho Belo.
Outro alvo foi a Laticínios Modena, em Nova Araçá, de nome fantasia Bonilé Alimentos e que fabrica creme de leite industrial e queijo. Em Casca, a operação atingiu a Laticínios C&P, nome fantasia Princesul, que fabrica queijo, e em Estrela o alvo foi a Transportadora AC Tressoldi. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da empresa M&M Assessoria, localizada na cidade de Marau. A assessoria é contratada pela Modena e foi detectado, em relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que colabora na investigação, adulterações no leite cru in natura e derivados em grande parte dos postos de resfriamento e laticínios da empresa.
A operação envolve o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Segurança Alimentar do MP-RS e tem a participação do Mapa, Receita Estadual e Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Segundo o MP-RS, as empresas são acusadas de crime organizado e comercialização de produto lácteo impróprio para consumo humano, devido "à nocividade ou pela redução do valor nutricional". Dois dos alvos de prisão preventiva já haviam sido denunciados em outras operações do MP-RS por sonegação fiscal milionária.
O Gaeco Segurança Alimentar explica que os três laticínios recebiam e repassavam entre si leite cru, creme de leite e soro de creme fora dos padrões previstos pela legislação brasileira.
"Muitas das cargas chegam a ser refugadas por outras empresas e acabam sendo comercializadas para estas indústrias", observa o grupo. "Alguns elementos da investigação apontam que carregamentos de leite que só poderiam ter como destino a alimentação de animais foram usados para a industrialização de produtos de consumo humano."
O Laboratório Nacional Agropecuário do Rio Grande do Sul (Lanagro-RS) detectou índices fora dos padrões em mais de 10 Certificados Técnicos de Análise emitidos pelo Mapa realizados em leite cru, leite UHT e nata. O MP-RS informou que os sócios-proprietários das empresas ordenavam a adição desses produtos para corrigir a acidez e eliminar microorganismos. A medida serviria para "rejuvenescer" o produto já vencido, impróprio para o consumo.
A água é adicionada para que o creme de leite duro, já amanteigado, fosse novamente amolecido e misturado a outras cargas em condições melhores. Os laudos das próprias empresas eram mascarados, para que fiscalização e compradores não visualizassem os problemas.
O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) divulgou nota ontem sobre a nova fase da Operação Leite Compensado em apoio à investigação. O sindicato afirma que "repudia qualquer tipo de adulteração no leite e defende uma postura ética e respeitosa perante os consumidores" e considera que os laticínios flagrados se valem de concorrência desleal "com empresas que adotam rigor e controle de qualidade".
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