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Porto Alegre, quinta-feira, 30 de março de 2017. Atualizado às 00h39.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 30/03/2017. Alterada em 29/03 às 21h33min

Caminho da exclusão

Hoje, replicamos a nota da CNBB sobre a reforma a PEC 287/16, que trata da reforma da Previdência.
"Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão" (Amós 5,7).
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que tramita no Congresso Nacional.
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um direito social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.
Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.
Os números que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.
O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social, particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos, sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.
Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 "soluciona o problema", excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais; ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário-mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC escolhe o caminho da exclusão social.
A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência.
Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: "A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito a aposentadoria é um direito! porque disto é que se trata."
 
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