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Porto Alegre, terça-feira, 28 de fevereiro de 2017. Atualizado às 22h49.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 01/03/2017. Alterada em 28/02 às 22h07min

Estudo altera panorama do controle da hipertensão

Sandra Fuchs propõe que combinação seja incorporada à Farmácia Popular

Sandra Fuchs propõe que combinação seja incorporada à Farmácia Popular


DIVULGAÇÃO/JC
Suzy Scarton
Considerando que a hipertensão arterial é o principal fator de risco na maioria dos casos de doenças cardiovasculares, uma das causas de morte mais frequentes no mundo, a descoberta de uma alternativa ao tratamento atual se torna extremamente relevante. Recentemente, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre apresentou um estudo comprovando que, quando iniciado mais cedo, o tratamento reduz o risco de o paciente desenvolver hipertensão.
Coordenado pelos professores titulares da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Sandra e Flávio Fuchs, o estudo Prever também traz evidências de que a combinação de dois diuréticos, clortalidona e amilorida, para o tratamento da pressão alta é uma opção mais eficaz do que o uso da losartana, medicamento tradicional para a condição, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Programa Farmácia Popular.
Para que alguém seja considerado hipertenso, a pressão arterial deve ser maior ou igual a
140/90 mmHg (milímetros de mercúrio), ou 14 por 9. O estudo Prever Prevenção, chamado de Prever-1, é focado na prevenção. Os médicos tentaram descobrir se seria possível prevenir o desenvolvimento da hipertensão utilizando anti-hipertensivos em baixa dose. Já no Prever Tratamento, o Prever-2, foi investigado se o tratamento com diuréticos seria superior ao com losartana.
Sandra, que é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, atua no Clínicas e é colíder do Prever, explica como a pesquisa foi feita. No Prever-1, foram selecionadas 1.443 pessoas com pré-hipertensão (pressão entre 120-139 ou 80 e 89 mmHg), que adotaram hábitos saudáveis, uma vez que essas medidas podem reduzir a pressão em até 11 mmHg. Três meses depois, aqueles que não se adaptaram às medidas foram sorteados para participar do ensaio clínico randomizado, quando os efeitos de clortalidona e amilorida, em baixa dose, foram comparados aos do placebo.
"Comprovamos que os pacientes que receberam a combinação de diuréticos tiveram a incidência de hipertensão reduzida em 44% em relação àqueles que receberam placebo", relata a pesquisadora. Além disso, demonstrou-se que os diuréticos reduzem a massa muscular do coração e o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
No Prever-2, foram selecionados 655 participantes com hipertensão arterial estágio I (entre 140/90 e 159/99 mmHg), que foram divididos em dois grupos: um recebeu a combinação de diuréticos, e o segundo, a losartana. Os participantes voltavam a cada três meses e, se a pressão não tivesse reduzido, a dose de anti-hipertensivo era dobrada. Se necessário, na consulta seguinte era acrescentado novo medicamento. "Observamos uma redução importante, de 2,3 mmHg na pressão sistólica, favorecendo aqueles que usaram clortalidona e amilorida. São medicamentos que já existem e que já eram utilizados", conta Sandra.
"A losartana foi o medicamento que mais faturou no Brasil em 2015, mais do que remédios para dor de cabeça. Os profissionais de saúde foram convencidos de que a losartana seria o medicamento ideal, mas comprovamos que não traz tantos benefícios como promete", argumenta Sandra. Ela lembra, também, que hábitos como alimentação saudável, com pouco sal, e prática de exercícios são recomendados para qualquer pessoa. "Esse é o ponto-chave, as pessoas não deveriam precisar de medicamento para controlar a pressão", comenta.
Os professores apresentaram os resultados ao Ministério da Saúde, que financiou o projeto. "Solicitamos que fosse considerada a possibilidade de incorporar essa combinação à Farmácia Popular. Seria, inclusive, vantajoso, uma vez que a losartana é mais cara."
 
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