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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017. Atualizado às 14h36.

Jornal do Comércio

Economia

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e-commerce

Alterada em 23/02 às 14h37min

Via Varejo prevê melhoria de margem com queda de custo e e-commerce integrado

A Via Varejo considera que há uma tendência positiva de evolução das margens de seu negócio em 2017, conforme afirmou em teleconferência nesta quinta-feira, 23, o presidente da companhia, Peter Estermann. Ele destacou a redução de custos com a integração das operações de lojas físicas e online.
"Pode-se esperar melhoria da margem em função da redução de custo e melhoria da rentabilidade em função de já estarmos trabalhando com estratégia totalmente alinhada (entre loja física e e-commerce)", disse ele.
Outro benefício esperado na margem bruta da companhia está relacionado à chamada "Lei do Bem". Diferentemente de concorrentes, a Via Varejo não vinha reconhecendo em seus resultados benefício de isenção de PIS e Cofins para itens como smartphones e tablets, mas passou a fazê-lo a partir do quarto trimestre de 2016. Segundo Estermann, nem todo o ganho com a isenção deve ser repassado ao consumidor por meio de redução de preços.
O executivo ainda afirmou que a companhia tem em curso um projeto de implementação de um novo sistema de precificação. Ainda este ano, o sistema novo pode contribuir positivamente com a margem em 0,3 ponto porcentual, disse ele.
De acordo com Estermann, o objetivo é refinar a precificação por grupo de loja e, eventualmente, fazer promoções numa região especifica como resposta a movimentos de concorrentes.
Estermann considerou ainda que a companhia tem evoluído melhor do que o esperado na captura de sinergias entre as vendas online e as lojas físicas. A Via Varejo reportou que já capturou completamente em dezembro sinergias extraordinárias de R$ 325 milhões com a unificação de estoques e tem evoluído na captura de sinergias recorrentes de R$ 245 milhões.
A Via Varejo rechaça a ideia de que a companhia possa vir a ter custos adicionais com perdas de escala em função do processo de venda de seu controle sendo realizado pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA). Em teleconferência com analistas e investidores, Estermann afirmou que não deve haver impacto significativo.
Ele disse que não deve haver perda de escala, por exemplo, em áreas como compras e tecnologia da informação. Segundo ele, a companhia vai continuar com a mesma capacidade de comprar dos fornecedores. Já na área de TI, disse, os contratos hoje são unificados, mas são firmados considerando cada companhia do grupo de forma independente.
O executivo considerou que hoje o grupo tem alguns serviços integrados em um centro de serviços compartilhados e que, neste caso, sim, pode ser preciso uma separação. "Estamos trabalhando com a possibilidade de separar, o que pode trazer algum impacto de custo, mas nós já sabemos como podemos compensar", afirmou.
A Via Varejo reportou crescimento de 11,6% na receita com crediário e cartões no quarto trimestre de 2016 ante igual período do ano passado. Nos três meses finais de 2016, a receita líquida com estes negócios atingiu R$ 385 milhões.
A companhia divulgou pela primeira vez a descrição da receita por tipo de serviço. Enquanto os produtos financeiros cresceram, a receita com a venda de mercadorias recuou 0,8% na comparação anual, chegando a R$ 6,194 bilhões no trimestre.
Houve ainda crescimento das receitas com frete e montagem. O frete cresceu 41,8%, para R$ 38 milhões e a montagem 52,7%, para R$ 27 milhões.
As vendas por carnê representaram 11,9% do total no trimestre, um crescimento ante os 9,9% do mesmo período de 2015. Já o cartão de crédito co-branded atingiu 12,4% das vendas ante um patamar anterior de 9,4%. A companhia afirmou que o crescimento se deve ao maior número de aprovação de novos cartões, o que reduziu a utilização de cartões de terceiros nas lojas.
A Via Varejo reportou ainda uma estabilidade da inadimplência no crediário. As perdas líquidas da operação de crédito direto ao consumidor atingiram 32% da receita líquida do crediário no quarto trimestre de 2016, informou a companhia, mesmo patamar registrado no quarto trimestre de 2015.
A Via Varejo encerrou o ano de 2016 com 975 lojas, tendo fechado ao todo 47 pontos de venda no ano e inaugurado oito novos. A maioria dos fechamentos foi na bandeira Pontofrio, que teve 28 unidades fechadas no ano, enquanto a Casas Bahia teve 19 fechamentos.
O maior ajuste, com fechamentos de lojas, porém, já havia ocorrido no primeiro trimestre do ano. No quarto trimestre de 2016, a companhia abriu cinco novas unidades e não houve fechamentos.
Os investimentos da Via Varejo em novas lojas caíram no ano. Os recursos usados em inaugurações foram de R$ 5 milhões em doze meses ante R$ 110 milhões em 2015.
A Via Varejo investiu ao todo R$ 265 milhões em 2016, uma redução de 42,5% na comparação com o ano anterior.
A empresa registrou um impacto positivo de R$ 406 milhões no seus resultados do quarto trimestre de 2016 referentes ao reconhecimento de um crédito tributário sobre impostos retroativos aos primeiros nove meses do ano. O crédito diz respeito à chamada "Lei do Bem", de isenção de PIS e Cofins para produtos como smartphones e tablets.
O montante impactou tanto o lucro bruto como o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia. No primeiro resultado em que consolidou as operações de varejo físico e online, a Via Varejo reportou lucro bruto de R$ 2,289 bilhões no quarto trimestre de 2016, expansão de 27% e margem bruta de 33%, valor 0,7 ponto mais alta que a do mesmo período de 2015.
Sem o impacto dos impostos retroativos, o lucro bruto teria crescido apenas 2,9% no trimestre, para R$ 1,883 bilhão, com margem bruta de 28,8%.
A companhia destacou ainda que sua estratégia comercial foi de manutenção da margem bruta nas lojas físicas e de crescimento de margem bruta para o negócio online.
O Ebitda ajustado de R$ 541 milhões da Via Varejo no trimestre também foi impactado positivamente pelos R$ 406 milhões referentes aos impostos retroativos. Com isso, a companhia registrou expansão de margem Ebitda no trimestre, com ganho de 5,5 pontos porcentuais, para 7,8%.
O ajuste no Ebitda ainda exclui R$ 72 milhões com despesas extraordinárias no trimestre. A companhia destacou que estas despesas têm relação com gastos com reestruturação realizados em ambas as operações, de loja física e online, incluindo os custos com a integração dos negócios de e-commerce.
A Via Varejo acredita que a redução na taxa Selic deve contribuir para uma redução nas despesas financeiras da companhia. Em sua divulgação de resultados do quarto trimestre de 2016, a Via Varejo afirma que a queda de 1 ponto porcentual na Selic pode reduzir as despesas financeiras da companhia em aproximadamente R$ 80 a R$ 100 milhões.
No quarto trimestre de 2016, a Via Varejo reportou despesa financeira líquida de R$ 359 milhões, montante 0,9% superior ao do mesmo período do ano passado.
As despesas financeiras com juros da dívida subiram 127%, para R$ 94 milhões. A companhia destacou que o desempenho foi impactado pela estrutura de capital do negócio de e-commerce, cujos resultados estão sendo consolidados junto com os do varejo físico pela primeira vez.
A companhia ainda informou que a operação de venda online teve consumo operacional de caixa no ano, o que contribuiu para redução da posição de caixa líquido. Ainda assim, a Via Varejo encerrou 2016 com disponibilidades superiores ao total da dívida em R$ 3,756 bilhões. O montante considera como caixa montante de R$ 663 milhões de recebíveis de crédito não vendidos. O total do caixa líquido é 37% menor que o do mesmo período do ano anterior.
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