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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h35.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 17/02/2017. Alterada em 16/02 às 20h57min

Arrozeiros buscam acelerar a liberação de defensivos

Federarroz critica sistema nacional que valida uso de princípios ativos

Federarroz critica sistema nacional que valida uso de princípios ativos


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Thiago Copetti
O início oficial da colheita do arroz, marcado para sábado, em Cachoeirinha, será palco para que produtores reforcem junto a União um pleito que está há seis meses sem resposta: a inclusão da cultura na Portaria 82, de 6 de agosto de 2016, que acelera a liberação de novos defensivos agrícolas e controles de pragas para o grão. Apesar de contemplar soja, feijão e até mesmo algodão e algumas frutas, a portaria 82 não inclui o arroz, que sofre com o aumento da resistência das principais ervas daninhas e doenças aos defensivos existentes no mercado.
Em evento na Estação Experimental do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), na quinta-feira, líderes setoriais já alertavam autoridades de que haverá mobilização maior em torno da questão a partir de agora. A meta é evitar que os agricultores enfrentem os mesmos problemas do ciclo no que se refere à sanidade das lavoura. O pedido, porém, não chegará diretamente ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que não deverá vir ao Estado para a cerimônia.
"Há cinco anos, o custo para conter ervas daninhas resistes era de R$ 278,00 por hectare. Neste ciclo, ficou em acima de R$ 650,00 e sabemos de casos onde chegou a R$ 1 mil por hectare. Atualmente, o capim-arroz é um dos maiores problemas, além da brusone", alerta o diretor-técnico do Irga, Maurício Fischer.
Outro exemplo da distância entre a legislação e as lavouras, ressaltou Fischer durante encontro da Câmara Nacional Setorial do Arroz, ontem, é a inexistência de autorização de defensivo para infestação de caramujos no arroz pré-germinado.
"Muitos produtores buscaram no pré-germinado uma forma de fugir do elevado volume de pragas que afetam o arroz irrigado. O problema é que esse tipo de cultivo vem sendo prejudicado pelo excesso de caramujos e não há nenhum defensivo autorizado para isso, apesar de 10% da produção. E há bons produtos na Europa que poderiam ser adotados aqui, inclusive alguns considerados orgânicos", critica Fischer.
De acordo com o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Henrique Dornelles, há um descompasso excessivo entre as necessidades da lavoura e a velocidade de trabalho dos órgãos que avaliam e liberam o uso de defensivos no País. "O sistema brasileiro de validação de novos princípios ativos é extremamente restritivo e detalhista, o que faz com que o tempo para que chegue ao campo seja muito grande. E o produtor está sofrendo no bolso com essas limitações", critica Dornelles.
Na linha de defesa da Federarroz também está o uso indevido que o governo gaúcho estaria fazendo da contribuição paga pelo arrozeiros para manutenção do Irga. O recurso equivalente a R$ 0,60 por saca, que soma entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões ao ano, não estaria chegando em sua totalidade ao instituto.
"O governo tem repassado no máximo R$ 60 milhões desta contribuição ao Irga. O restante está ficando no caixa único, o que, ao meu ver, é ilegal. Isso está prejudicando o Irga e até levando à perda de pesquisadores. Pela escassez de recurso já há gente se desligando do instituto e migrando até para outros estados", critica Dornelles.
O secretário adjunto da Agricultura, André Petry afirma que a situação já foi levada ao conhecimento do titular da pasta, Ernani Polo, e encaminhado ao núcleo do governo e com o Gabinete de Assessoria Especial (GAE). "Estamos aguardando agora um retorno da Secretaria da Fazenda sobre o retorno da totalidade dos repasses ao Irga", resume Petry.

Safra deste ano é de recuperação de volumes, mas não de ganhos

Apesar de ter retomado volumes normais de produtividade neste ciclo (alcançando 7,7 mil quilos por hectares, ante 6,8 mil quilos no ciclo passado, prejudicado pelo excesso de chuva), boa parte dos orizicultores gaúchos terá de usar os ganhos para quitar débitos passados. Cerca de 20% dos produtores do Estado precisaram pedir renegociação de dívidas devido às perdas da safra 2015/2016, de acordo com o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles.
Com a cotação atual em torno de R$ 49,00 a saca, de acordo com Dornelles, o agricultor não terá como se recapitalizar nesta temporada. A alta nos custos de diesel, energia elétrica e mão de obra, de acordo com o executivo, estão comendo os ganhos do arroz. "Apesar de o Estado estar com preços acima do patamar histórico e os estoque estabilizados, não temos certeza se estes atuais valores vão se manter. Isso também vai depender da postura do produtor nas vendas e negociações". avalia Dornelles.
A retomada da produção no Estado deve levar o Brasil a colher neste ciclo um total de 11,87 milhões de toneladas de arroz, ante 10,6 milhões na temporada passada. E, se levado em conta o cenário mundial, a tendência pode não ser a de recuperação de preços. Além da recuperação brasileira da safra, a estabilidade climática também ajudou a retomada dos níveis de produção de grandes produtores mundiais, especialmente na Ásia. Com a oferta maior, e a demanda estabilizada, os valores tendem a se manterem nos mesmos patamares.
 
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