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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017. Atualizado às 09h59.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios Corporativos

Notícia da edição impressa de 15/02/2017. Alterada em 15/02 às 11h02min

Ação da CVM emperra negociação de compra da Kepler Weber pela AGCO

Líder na produção de silos foi fundada em Panambi há 92 anos

Líder na produção de silos foi fundada em Panambi há 92 anos


KEPLER WEBER/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
A proposta de aquisição da gaúcha Kepler Weber pela norte-americana AGCO ao preço de R$ 578,9 milhões (R$ 22,00 por ação), sofreu um forte revés nesta terça-feira, o que deverá atrasar a concretização do negócio. Cobrada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Kepler Weber divulgou ontem comunicado ao mercado informando que a multinacional terá de refazer a proposta de compra. O problema apontado pela CVM na oferta de aquisição da empresa gaúcha, apresentada no dia 10 de fevereiro, é o anúncio antecipado de que a AGCO pretende fechar o capital da Kepler Weber.
De acordo com documento emitido pela CVM, a Oferta Pública de Ações (OPA) para cancelamento de registro de companhia aberta só pode ser formulada pela companhia emissora de ações, o acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou indiretamente - no caso, a própria a Kepler Weber e não a AGCO. Procuradas para falar sobre a negociação, as assessorias de imprensa das duas companhias informaram que não se pronunciariam.
"A AGCO não poderia, antes de ter adquirido o controle, anunciar esse tipo de intenção (encerrar a negociação de ações na Bovespa). Isso mexe com o mercado de forma indevida. Outro problema é que empresa fez, ao mesmo tempo, duas ofertas públicas de ação, o que não é permitido. Uma foi para aquisição do controle, outra para o fechamento do registro na Bovespa", explica a diretora técnica da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais no Estado (Apimec-Sul), Débora Morsch.
Na última sexta-feira, a multinacional norte-americana, dona da Massey Ferguson, Valtra e GSI, entre outras empresas ligadas ao agronegócio, anunciou que havia feito acordo para comprar a totalidade de ações da Previ (Fundo de Previdência do Banco do Brasil) e da BB Investimentos, duas sócias da companhia gaúcha. A empresa, porém, condicionou o negócio à aquisição posterior da totalidade de ações da empresa em mãos de outros investidores.
Com a aquisições direta dos papéis dos acionistas e das ações de minoritários dispersas na Bovespa, a gigante norte-americana poderá assumir a liderança no mercado brasileiro de armazenagem de grãos, já que também é dona da GSI, com sede em Marau, que atua no mesmo segmento.
Em comunicado ao mercado, Martin Richenhagen, presidente e CEO da AGCO, afirma que "a aquisição da Kepler Weber aumentaria significativamente nossa posição de mercado no setor de manuseio e armazenagem de grãos da América do Sul".
"Juntas, as duas empresas (Kepler Weber e GSI) terão quase 90% do mercado local de silos e armazéns", analisa o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Estado (Simers), Claudio Bier. "O lado bom é que, inicialmente, isso deve significar investimentos. A parcela ruim do negócio será a elevada concentração e a redução de opções no mercado", completa Bier. "O movimento não chegou a causar surpresa no mercado porque a Previ já havia anunciado que estava se desfazendo de investimentos no agronegócio."
O alto potencial do mercado agrícola brasileiro também é outro motivo pelo qual aquisições como essa são aguardadas pelo segmento, diz o especialista da Agrocult, Adriano Mallet. Para ele, a safra de 209 milhões de toneladas prevista para 2016/2017 é a grande justificativa para investidas dessa natureza.
"Há um movimento mundial de olho no agronegócio brasileiros. Além do imenso potencial das safras, temos uma carência enorme neste setor (armazenagem de grãos)", ressalta Mallet, ao avaliar o potencial desse mercado. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apenas na safra passada o déficit de armazenagem para grãos no Brasil era de quase 60 milhões de toneladas, o que demostra que há potencial de mercado no setor.
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Companhia vem perdendo fôlego e amargando prejuízos

É a associação de colheitas em alta e carência de espaço para armazenagem, aliada a uma visão de longo prazo, segundo especialistas, que justificam o interesse da AGCO na Kepler Weber - líder brasileira na fabricação de silos -, que vem registrado queda nos negócios nos dois últimos anos.
A receita da companhia passou de R$ 906 milhões em 2014 para R$ 706 milhões em 2015. E deve encerrar 2016 com número ainda inferior. Até setembro de 2016, o faturamento não alcançava R$ 325 milhões. O balanço do ano passado ainda não foi publicado.
"A empresa chegou a registrar lucro de R$ 132 milhões em 2014, estimulada pelo PSI (programa federal de estímulo aos investimentos), que oferecia juro reduzido na aquisição de silos e armazéns. Com o fim do programa, as vendas despencaram e o lucro caiu para R$ 6 milhões, em 2015. E, até setembro, os dados apontavam para prejuízo de quase R$ 11 milhões", informa a diretora técnica da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais no Estado (Apimec-Sul), Débora Morsch.
Na proposta inicial, a AGCO fixou em R$ 22,00 (US$ 7,03) o valor por ação na oferta pública de aquisição de todos os papéis ordinários detidos pelos demais acionistas, elevando o valor da Kepler Weber para R$ 578,9 milhões. Esse preço por ação representaria um prêmio de 25,7% ao preço de fechamento de 9 de fevereiro de 2017 e um prêmio de 24,3% ao preço médio de ações de três meses da Kepler. Com notícias da negociação, a cotação tem sido marcada por altos e baixos.
 
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