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Porto Alegre, quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h48.

Jornal do Comércio

Economia

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Balanços

Notícia da edição impressa de 10/02/2017. Alterada em 09/02 às 21h31min

Banrisul lucra R$ 659,7 milhões em 2016

Gonzaga explicou motivos da queda dos ganhos da instituição

Gonzaga explicou motivos da queda dos ganhos da instituição


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Evocando eventos "incomuns", o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, explicou nesta quinta-feira a queda de 22,3% no lucro líquido do banco gaúcho. O resultado no ano passado alcançou R$ 659,7 milhões, ante R$ 848,8 milhões em 2015. Já o lucro líquido ajustado, que considera apenas itens recorrentes, teve uma queda menor, de 14%, totalizando R$ 652,3 milhões em 2016.
"É um resultado bom, mas claro que poderia ser melhor", analisa Gonzaga. O executivo defende que o desempenho foi afetado por fatores extraordinários à operação bancária. Em 2015, segundo ele, o lucro teria sido inflado graças ao resgate de dívidas no exterior e aos ganhos com a desvalorização do dólar ocorrida no período. Já em 2016, a conjuntura passou a jogar contra, uma vez que o movimento do câmbio foi inverso, e, assim, causou perdas no lucro.
Além disso, também passaram a ser computados nas planilhas os gastos do Banrisul com a compra de folhas de pagamento do governo estadual, do Judiciário e de 77 municípios gaúchos, mitigando o lucro. "Estes são investimentos estratégicos do banco, pois são ativos que gerarão receitas lá na frente", justificou Gonzaga. Nessa linha, o presidente afirmou ainda que o Banrisul segue negociando com mais prefeituras.
No ano passado, as despesas administrativas do banco cresceram 14,2%, alcançando R$ 3,461 bilhões. O presidente justifica que os gastos sofreram principalmente com o abono concedido aos bancários na negociação coletiva da categoria, além da retomada dos investimentos com propaganda após 20 meses. "Temos lidado a mão de ferro com as despesas, que estão sob controle", garantiu Gonzaga.
No ano passado, os ativos totais do Banrisul cresceram 3,1%, para pouco mais de R$ 69 bilhões, e o patrimônio líquido, 3,8%, para R$ 6,443 bilhões. Já a carteira de crédito encolheu, totalizando R$ 30,3 bilhões, valor 5,2% menor do que em 2015. O banco vê a situação como normal por conta da depressão econômica dos últimos anos e, com isso, a falta de investimento por parte das empresas. A afirmação se justifica com os dados que mostram que, na pessoa jurídica, a carteira diminui 20%, enquanto na pessoa física aumentou 9%.
Também justificado pela aquisição das folhas de pagamentos, o Banrisul viu cair o seu índice de Basileia. O indicador, utilizado para calcular a solvência das instituições bancárias, baixou de 17,8% para 16,9%, mesmo assim acima do limite de 11% obrigatório no País. A sobra, que poderia ser transformada em mais R$ 30 bilhões em oferta de crédito, é vista como confortável para o crescimento, segundo o banco.
As melhores notícias, mais uma vez, vieram das subsidiárias, em especial a Banrisul Cartões. O número de transações nas máquinas de adquirência Vero cresceu 21,6%, ultrapassando a barreira dos 300 milhões de capturas. Com isso, aumentou também o valor transacionado, na casa dos 22,4%, totalizando R$ 25,5 bilhões. No fim das contas, a coligada respondeu sozinha por quase um terço do lucro de todo o conglomerado. O resultado da empresa de cartões foi de R$ 206,2 milhões, expansão de 28,2% em relação a 2015.

Banco aposta em retomada da economia neste ano para melhorar desempenho

Quando confrontados com as expectativas para os resultados de 2017, os diretores do Banrisul mostraram-se otimista. Um dos principais motivos é a crença de que um dos problemas centrais enfrentados pelo banco nos últimos anos deverá deixar de dar dor de cabeça. Como espera por uma retomada da economia e uma melhora do fluxo de caixa das empresas, o banco crê que não sejam mais necessárias tantas renegociações de dívidas.
O vice-presidente do Banrisul, Irany Sant'Anna Junior afirma que nas conversas com as empresas já é possível perceber interesse em retomar os investimentos. "Quem sobreviveu, começará a investir agora, mesmo que não em velocidade muito grande", comenta o executivo. Sant'Anna lembra também que, com as renegociações feitas até aqui, o banco qualificou sua carteira de crédito, dando novamente capacidade de pagamento aos devedores. Sem citar nomes, garantiu que, nesse processo, muitas empresas regionalmente importantes foram salvas de possíveis falências.
A confirmação é importante para ajudar a diminuir a taxa de inadimplência dos clientes do banco. O indicador para 60 dias, que era de 5% no fim de 2015, fechou 2016 em 5,63%. Apesar disso, o número é uma redução importante em relação aos 6,62% vistos no período do último balanço, findo em setembro. "Desde lá, mudamos nosso plano, agora com um foco centrado em diminuir essa taxa", conta o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, citando mudanças na cultura organizacional da empresa.
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