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Porto Alegre, terça-feira, 07 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 08/02/2017. Alterada em 07/02 às 21h25min

Opinião econômica: Tempos normais

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal


/VALTER CAMPANATO/abr/jc
Delfim Netto
Tempos estranhos, estes? Não! Tempos normais, quando vemos o homem como ele é, despido da romântica "humanidade" moral que lhe atribuímos. Um animal territorial, dotado pela evolução biológica de um terrível e perigoso instrumento - a sua inteligência. Com ela submeteu a natureza que o criou e inventou sofisticadas "teorias" para separar-se em tribos que se veem com desconfiança dentro e nos limites do "território" que ocupam e estabeleceram como "seu"!
Esse sentimento é tão poderoso que, frequentemente, ele sacrifica a única coisa que, efetivamente, dispõe - a própria vida - para defender-se da cobiça real ou inventada de outras tribos internas ou externas.
As pesquisas antropológicas recentes acumulam, cada vez mais, evidências de que só o homem é capaz, em nome de crenças sem nenhum suporte factual, de desenvolver poderosos preconceitos para "justificar" os mais pavorosos massacres de membros da sua espécie quando os "supõem" de outras tribos.
Não há registro desse comportamento em nenhuma outra espécie que a natureza produziu. O predador é sempre a espécie que está acima da cadeia alimentar, que a consome para sobreviver e reproduzir. Há registros esporádicos de lutas entre grupos de macacos, mas que não terminaram em "macacocídeos".
A notícia mais amena é que a história revela também uma outra faceta da "natureza" do homem. Ainda que menos frequentemente, ele dá demonstração de altruísmo. Há algumas semanas, assistimos a uma explosão universal de solidariedade da espécie em resposta ao trágico acidente que se abateu sobre o Chapecoense.
Isso coloca um problema. Como saber se tem sentido - a não ser por um desejo generoso - afirmar que, para "civilizar" os homens, bastaria liberá-los dos constrangimentos que lhes impôs o regime capitalista, uma organização econômica que aumentou exponencialmente, nos últimos 300 anos, a produtividade do seu trabalho (e o seu desejo de "quero mais"), mas gerou uma desigualdade insuportável?
Bastará eliminá-la para reduzir a sua agressividade e aumentar a solidariedade e o altruísmo potencialmente implícitos na sua natureza para que floresça no homem a imaginada "humanidade" que lhe atribuímos?
Tenho dúvidas. Afinal, somos, diariamente, testemunhas de que o homem é "humano", tanto quando "mata", como quando "consola" o outro da sua espécie. As evidências antropológicas não sustentam a hipótese de que seu comportamento é a resposta à organização capitalista de produção.
A natureza do homem é um fenômeno complexo e é duvidosa a ideia de que a ciência lhe imporá a desejada "humanidade", antes que ela produza sua própria destruição.
Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura
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