Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 05 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

conjuntura internacional

Notícia da edição impressa de 06/02/2017. Alterada em 05/02 às 21h12min

Estado pode se beneficiar com saída dos EUA do TPP

Produtos agrícolas, que respondem por mais da metade da pauta exportadora gaúcha, seriam afetados

Produtos agrícolas, que respondem por mais da metade da pauta exportadora gaúcha, seriam afetados


SÂMAR RAZZAK/APPA/
Guilherme Daroit
Entre as tantas medidas polêmicas defendidas e efetivadas pelo agora presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a que mais tende a impactar o Rio Grande do Sul é a saída do país do Tratado Transpacífico (TPP, na sigla em inglês). A boa notícia é que os desdobramentos devem ser positivos - ou, pelo menos, não mais tão negativos quanto desenhava-se antes da decisão de Trump, no fim de janeiro. Para que as oportunidades se concretizem, porém, especialistas defendem que o Brasil deve buscar acordos com os países afetados.
"Em um primeiro momento é bom, pois tirou-se o bode da sala. Com isso, diminui a possibilidade de perda para o Brasil no comércio exterior, especialmente para o agronegócio", argumenta a advogada Vera Kanas, responsável pela área de Comércio Internacional do escritório TozziniFreire. Os produtos agrícolas, que representam mais da metade da pauta exportadora do Rio Grande do Sul, temiam o TPP pela presença não só dos Estados Unidos, mas também de países como o Canadá e a Austrália (6º e 12º maiores exportadores agrícolas, respectivamente), que passariam a ter acesso livre a vários mercados.
A maior ameaça, porém, era mesmo o país governado por Trump, hoje o único que exporta mais produtos agrícolas do que o Brasil, além de ser nosso principal concorrente na venda de grãos. "Tivemos muita sorte de os Estados Unidos terem voltado atrás nessa posição", comenta o analista de Relações Internacionais da Farsul, Renan dos Santos. O especialista argumenta que, entre os produtos gaúchos, o milho teria sido um dos mais afetados por um TPP com a presença norte-americana. Mesmo que os Estados Unidos já vendam o grão aos países do bloco, o acordo praticamente fecharia as fronteiras para boa parte das poucas exportações do milho gaúcho.
Efeito semelhante aconteceria na soja, embora o principal comprador da oleaginosa gaúcha, a China, não faça parte do TPP. Já nas carnes, em especial a bovina, os efeitos ainda poderão acontecer, segundo Santos, embora muito menores do que poderiam ser sem a desistência dos norte-americanos. O motivo é a presença da Austrália, país exportador da proteína. "É ruim nesse sentido, mas, perto do que prometia ser, torna-se apenas mais um acordo entre vários outros que não participamos e que causam prejuízo na competição", argumenta o analista da Farsul.
Ambos defendem que, para ocupar o espaço, o Brasil negocie acordos comerciais com os demais países do TPP - que, sem os Estados Unidos, pode acabar nem saindo do papel. Vera cita o México, o Sudeste asiático e países americanos, como Chile, Peru e Colômbia, como alvos. "O que não pode é ficar parado", comenta. Já Santos avalia que, enquanto 13,8% das exportações agrícolas brasileiras têm como destino países do TPP (incluindo os EUA), esse mesmo montante representa apenas 3,8% das importações das nações que assinaram o acordo. "É um mercado muito importante", defende, lembrando que os números estão inflados pela participação dos Estados Unidos.
A incerteza quanto às decisões de Trump, porém, podem afetar o Brasil de outras formas. Na pauta do presidente está a reformulação do Nafta, acordo de livre-comércio entre os três países da América do Norte. Na visão do pesquisador da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Bruno Jubran, o movimento pode ser benéfico a alguns setores, uma vez que os Estados Unidos poderiam se voltar com mais força aos insumos brasileiros. Outro ponto é que, ao contrário da esmagadora maioria dos países, o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos - importa mais do que exporta produtos para lá. "Por isso, a tendência é de não enxergarem o Brasil como um problema, e pode haver o interesse do País em buscar equilibrar essa relação", comenta Jubran.
Já quando se olha para o México, principal alvo dos ataques de Trump até o momento, a situação é mais complicada. "É um parceiro considerável, mas duvidoso", classifica o pesquisador da FEE. O motivo é que 90% das exportações do país tem o poderoso vizinho como destino. Sem o Nafta, portanto, é provável que o México perdesse capacidade financeira para importações. Por outro lado, é natural que os hispânicos busquem outros mercados.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia