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Porto Alegre, sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017. Atualizado às 13h09.

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Jaime Cimenti

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Notícia da edição impressa de 24/02/2017. Alterada em 24/02 às 13h10min

Mestres do modernismo

Jaime Cimenti
Mário de Andrade e Oswald de Andrade - Texto e contexto da modernidade (Mecenas Editora e Grupo Zaffari, 352 páginas) é o décimo segundo volume da Coleção Dicionários, que presta louvor aos grandes nomes da literatura e trata de vida e obra de dois mestres do modernismo brasileiro. Pela primeira vez a coleção homenageia dois autores num só momento.
O volume encadernado, com sobrecapa, que vem numa caixa especial, foi editado pelo poeta, publicitário e homem de cultura Luiz Coronel, também responsável pela coordenação-geral, concepção e projeto. Simone M. Pontes assina o projeto gráfico e a direção de arte e Janaína de Azevedo Baladão foi a responsável pela coordenação da pesquisa. A obra contou com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura-RS, do Ministério da Cultura e da Agência Matriz, além do patrocínio do Grupo Zaffari.
Os aproximados mil e quatrocentos verbetes trazem frases, ensinamentos e o humor típico do Movimento Modernista de 1922, que marcou a literatura, as artes e a cultura de nosso País. Há alguns verbetes autobiográficos e o verbete sobre modernistas da Semana de Arte Moderna de Mário diz: "Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição. O homem atravessa uma fase integralmente política da humanidade. Nunca jamais ele foi tão 'momentâneo' como agora".
Flávio Aguiar, Antônio Candido, Carlos Nejar, José Eduardo Degrazia, Jaime Vaz Brasil e Lúcia Maia, entre outros acadêmicos, professores, doutores, mestres e ensaístas, apresentam textos sobre as vidas e as obras dos dois modernistas mais famosos e importantes.
Mário e Oswald, acima de tudo que fizeram e escreveram, romperam com as amarras do passado, foram cabeças pensantes e almas inquietas. Com eles e os demais integrantes da Semana de Arte Moderna de 1922, o Brasil se pôs em dia com o mundo, disposto a ser ele mesmo, num ritmo compatível com o giro das roldanas do progresso.
Na apresentação da obra, escreveu Luiz Coronel: Pintores, escultores, dramaturgos, poetas e prosadores despem as casacas do neoclassicismo e abrem alas à bem-vinda modernidade. Rompem-se as grades das rimas, abaixo os repetidores pomposos, o sentimentalismo retórico. Villa-Lobos com seu "O trenzinho do caipira", Mário de Andrade com Macunaíma e Oswald de Andrade com Memórias sentimentais de João Miramar, para citar algumas obras, marcaram o Movimento Modernista, que ainda hoje influencia o fazer cultural no Brasil.
Mário e Oswald tornaram nosso Brasil mais brasileiro e fazem muita falta, especialmente neste momento de tantas discussões, contradições, crises e questionamentos de todos os tipos. Eles certamente teriam muito o que falar, sobre nossa situação e nossos problemas. Seus pensamentos, palavras e atitudes seguem atuais.

lançamentos

  • O amor que não sentimos e outros contos (Cepe Editora, 95 páginas), do escritor Guilherme Azambuja Castro, natural de Santa Vitória do Palmar, apresenta narrativas sobre relações familiares e emocionais, com sensibilidade e delicadeza. Uso correto da oralidade e boa construção de personagens marcam a obra.
  • Tapera - Quatro primeiras décadas (Edição do Autor, 248 páginas), do médico e escritor Anildo Sarturi, apresenta breves biografias de famílias e pessoas das quatro primeiras décadas de Tapera e textos sobre locais e história do município. José Baggio foi o primeiro colonizador da cidade e a obra fala das famílias Sarturi, Batistela e Weber, entre outras.
  • Estilos Psicológicos (Editora Sulina, 244 páginas), do professor e coach Elton Oliveira, ensina os leitores a conhecerem suas forças e fraquezas e como administrá-las, com vistas ao desenvolvimento de talentos e a saber gerenciar, liderar, se comunicar, inovar e empreender.

Bumbum paticumbum prungurundum

Bumbum paticumbum prungurundum, sons de tambores, de Dudu Nobre, escrito em 1982, foi o samba-enredo da Império Serrano daquele ano. No final, os versos "Superescolas de samba S.A./ Superalegorias/ Escondendo gente bamba/ Que covardia!" falam da industrialização do samba e das mudanças. Os outros versos prestam homenagem a antigos Carnavais e a um tempo em que as coisas e pessoas eram mais verdadeiras.
Este samba a gente lembra quando lembra os antigos carnavais de rua e do entrudo português que originou nosso Carnaval. Num momento em que o País está imerso em crises política, ética, de segurança e econômica, lembrar do bom, bonito e barato Carnaval de rua só faz bem.
Atualmente até o Carnaval de rua ficou bastante profissionalizado, solicitando verbas públicas e privadas para acontecer. Muitos Carnavais de rua, como a da rua Santana em Porto Alegre, simplesmente não existem mais. Em Recife e Olinda, a tradição do Carnaval de rua segue forte, mas nas capitais e cidades brasileiras a coisa minguou.
Não é demais repetir que o Carnaval de rua é o verdadeiro, o de raiz, o mais espontâneo e divertido. Não há Carnaval de rua que se preze sem humor, isto todo mundo sabe. Num momento em que os poderes públicos reclamam falta de verba para educação, saúde e segurança e cortam verbas para os desfiles de Carnaval, é hora de prestigiar o Carnaval de rua, que pede do poder público apenas alguns banheiros químicos e segurança. O resto as pessoas dão um jeito.
Tomara que permaneçam e se fortaleçam as marchinhas de Carnaval e o Carnaval de rua, símbolo de alegria, simplicidade, bom humor, integração comunitária, blocos divertidos e espontaneidade. Além do mais, o Carnaval de rua permite a participação desde bebês com mais de uma semana até senhores e senhoras com cento e tantos anos. Carnaval de rua é democrático, plural, livre e descontraído e não discrimina ninguém, absolutamente ninguém.
Nada contra os desfiles milionários, as festas nababescas dos salões e das mansões e nada contra as festas mais econômicas nas casas, nos salões de festas de edifícios e condomínios. Cada um deve divertir-se como achar melhor. Os que querem descansar, ler, trabalhar no "tríduo momesco" e que não gostam muito de folia devem ser igualmente respeitados e deixados em paz. Até porque no Carnaval, principalmente, gente e coisas muito sérias devem ficar longe da agitação.
O Carnaval de rua mostra que sem muita (ou nenhuma) organização, grana e burocracias de toda natureza, as pessoas podem se divertir e trocar energias hilariantes. A gente não precisa que organizem nosso Carnaval. Isso, como na música do João Bosco e do Aldir Blanc, Plataforma, que pede para não colocarem corda no bloco e que não venham com carro-chefe.
É isso, botem seus blocos na rua, ginguem, botem para gemer, brinquem, como cantava o maldito bendito Sérgio Sampaio, que de certo está agitando lá no andar de cima.

a propósito...

Para não dizerem que sou alienado, que Carnaval é escapismo e ilusão, proponho que neste Carnaval as pessoas aproveitem para protestar, em bloco, por tudo que está errado e deve mudar. A galera pode e deve berrar por um Brasil melhor. Algumas marchinhas e máscaras já estão disponíveis. Nesse País de cultura e muita coisa carnavalizada, por que não aproveitar o momento para brincar de ser sério e levar a sério a brincadeira? E viva o Carnaval de rua, a alegria pura, o sorriso natural, a espontaneidade, a cerveja, os carinhos e o que mais você quiser. Ótimo, absurdo, surreal, magnífico, organizado e desorganizado Carnaval para você! 
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