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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de janeiro de 2017. Atualizado às 15h50.

Jornal do Comércio

Internacional

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Estados Unidos

Notícia da edição impressa de 30/01/2017. Alterada em 29/01 às 21h06min

Decreto anti-imigração de Trump recebe enxurrada de críticas

Protestos contra a medida instituída na sexta-feira se espalharam por diversas cidades dos Estados Unidos

Protestos contra a medida instituída na sexta-feira se espalharam por diversas cidades dos Estados Unidos


DARREN MCCOLLESTER/AFP/JC
O decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que proíbe a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana gerou uma onda de revolta e críticas por todo o mundo. Líderes políticos, agências da Organização das Nações Unidas, organizações não governamentais, artistas, parlamentares norte-americanos, entre outros, se uniram em um coro de repúdio que levou milhares de pessoas às ruas de diversas cidades do país.
O decreto sobre a "proteção da nação contra a entrada de terroristas estrangeiros nos Estados Unidos", que entrou em vigor na sexta-feira, suspende a entrada de refugiados em território norte-americano por pelo menos 120 dias e impõe estritos novos controles durante três meses contra viajantes procedentes de Irã, Iraque, Líbia, Somália, Síria, Sudão e Iêmen.
A chanceler alemã Angela Merkel conversou com Trump por telefone após o anúncio polêmico. A primeira-ministra da maior potência econômica europeia disse que o combate ao terrorismo não é justificativa para proibir refugiados ou pessoas de países de maioria muçulmana de entrar nos Estados Unidos. O teor da conversa entre Merkel e Trump foi divulgado ontem pelo porta-voz da chanceler. "Ela está convencida que, mesmo que seja necessário, a batalha contra o terrorismo não justifica colocar sob suspeita pessoas de fé ou origem específicas", afirmou o porta-voz Steffen Seibert.
O porta-voz afirmou que o governo alemão lamenta a barreira de entrada de refugiados e de cidadãos de países de maioria muçulmana, e que o país está analisando as consequências para alemães de dupla nacionalidade. Seibert afirmou, ainda, que Merkel expressou suas preocupações a Trump durante uma ligação e lembrou o presidente dos EUA que a Convenção de Genebra exige que a comunidade internacional abrigue refugiados de guerra.
A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou "discordar" das restrições migratórias. "A política migratória dos Estados Unidos é um assunto do governo dos Estados Unidos, do mesmo modo que a nossa é determinada por nosso governo. Mas estamos em desacordo com esta forma de encará-la", disse um porta-voz de Downing Street. "Se tiver um impacto para cidadãos do Reino Unido, vamos intervir ante o governo americano", completou.
O chanceler do Irã, por sua vez, chamou a decisão de "grande presente para os extremistas". Em sua conta no Twitter. Mohamad Javad Zarif, escreveu que o decreto "entrará para a história como um grande presente para os extremistas e seus protetores". O Irã, um dos países afetados, decidiu aplicar o princípio de reciprocidade. "Esta discriminação coletiva ajuda os terroristas a recrutar, ampliando a fratura iniciada pelos demagogos extremistas", completou Zarif.

Justiça federal suspende deportações

A Justiça Federal dos Estados Unidos aceitou na noite de sábado um pedido da União Americana pelas Liberdades Civis para suspender as deportações de refugiados e cidadãos dos sete países barrados nos aeroportos do país após decreto assinado pelo presidente Donald Trump. A ação foi interposta depois que dois iraquianos foram detidos na noite de sexta-feira no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque.
Nomeada pelo ex-presidente Barack Obama, a juíza Ann M. Donnelly, da Corte Federal do Brooklyn, afirmou em sua sentença que a implementação da ordem de Trump e o envio dos viajantes de volta para seus países de origem pode causar a eles "danos irreparáveis".
O Departamento de Segurança Nacional norte-americano afirmou, ontem, que irá cumprir a decisão da Justiça. No entanto, o comunicado afirma que o órgão continuará a aplicar as ordens executivas do presidente. "As ordens executivas do presidente Trump continuam válidas - viagens proibidas continuarão proibidas, e o governo americano sustenta o direito de revogar vistos sempre que necessário para a segurança nacional ou segurança pública."
O departamento sustenta ainda que a proibição de entrada nos Estados Unidos, no sábado, afetou menos de 1% dos 325 mil passageiros internacionais que chegam aos Estados Unidos todos os dias. "Nenhum estrangeiro em território estrangeiro, sem vínculo com os Estados Unidos tem o direito de exigir livre entrada nos Estados Unidos ou benefícios de imigração", diz o Departamento de Segurança Nacional.

'Europa vive uma bagunça', diz Trump

Donald Trump tratou de responder às críticas recebidas por parte de lideranças europeias em relação ao decreto anti-imigração assinado por ele na sexta-feira. O presidente dos EUA escreveu em sua conta no Twitter que os Estados Unidos precisam de fronteiras fortes e afirmou que Europa e o mundo vivem uma "bagunça horrorosa".
Segundo o Departamento de Segurança dos Estados Unidos, 375 pessoas foram afetadas pela medida. Desses, 109 estavam em viagem e foram barrados no aeroporto, enquanto 173 foram impedidos de embarcar pelas companhias aéreas.
O chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, disse ontem que estrangeiros com visto permanente (green card) não serão afetados. Segundo Priebus, cidadãos de Irã, Iraque, Síria, Sudão, Líbia, Somália e Iêmen que possuem green card podem passar por inspeção mais rigorosa ao chegar aos EUA. "A ordem executiva em si não traz mais problemas para pessoas que possuem green cards", disse Priebus à rede de TV CBS.
O decreto presidencial já é questionado por membros do Congresso. O senador republicano Rob Portman, de Ohio, disse que "é preciso diminuir o ritmo", e que os legisladores "devem fazer parte" das discussões sobre a melhor forma de aprimorar a seleção para estrangeiros que entram nos Estados Unidos.
Em entrevista a uma rede de TV, Portman afirmou que não acredita que a ação de Trump tenha sido devidamente revista antes de ser assinada. Portman acredita que todos devem "respirar fundo e pensar em algo que faça sentido para nossa segurança nacional". Ele ressaltou que "os Estados Unidos sempre foram um lar acolhedor para refugiados e imigrantes".
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