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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de janeiro de 2017. Atualizado às 22h10.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 30/01/2017. Alterada em 30/01 às 23h12min

Médicos recomendam vacinar contra febre amarela no Rio Grande do Sul

Pessoas buscam postos de saúde para fazer vacina em Porto Alegre

Pessoas buscam postos de saúde para fazer vacina em Porto Alegre


CLAITON DORNELLES/JC
Suzy Scarton
O Brasil vive o pior surto de febre amarela desde 1980, quando os dados da doença começaram a ser registrados pelo Ministério da Saúde. Até agora, foram confirmados 88 casos, com 43 mortes. Minas Gerais concentra quase a totalidade dos registros: 84 confirmações, com 40 óbitos - os demais são de São Paulo. Mato Grosso do Sul e Goiás, que até então ainda não haviam notificado suspeitas, informaram recentemente 26 casos sob investigação.
Uma vez que a febre amarela vem se alastrando, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul lançou um alerta epidemiológico para reforçar a importância da vacinação contra a doença, mesmo que os últimos casos em solo gaúcho tenham sido registrados em 2008 e 2009. A doença é transmitida em área urbana pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que causa a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus e, na zona rural, pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.
Ainda que a probabilidade de contaminação autóctone seja baixa no Estado, médicos acreditam que a população gaúcha deve ficar em alerta. "Boa parte do Rio Grande do Sul é considerada área de risco para a doença, ou seja, ela pode recircular no futuro", explica o infectologista Paulo Ernesto Gewehr Filho, coordenador do Núcleo de Vacinas do Hospital Moinhos de Vento.
Um dos termômetros que aponta que a doença chegou a um local é o adoecimento e a morte de bugios. Há muitos relatos de pessoas que matam os macacos por acreditarem que eles sejam os transmissores da doença, quando o que ocorre é justamente o contrário: eles agem como uma espécie de "sentinela", alertando a população sobre a circulação do vírus. O contágio inicial ocorre em regiões silvestres, de mata fechada e, de acordo com o Ministério da Saúde, não há registros de contágio urbano desde 1942.
As medidas de prevenção são as mesmas utilizadas para se proteger das outras doenças causadas pelo Aedes aegypti: uso de repelente e de roupas que cubram o corpo, evitar áreas de circulação do mosquito e evitar que o inseto se propague. No entanto, a melhor maneira de evitar a contaminação é se vacinar. Nos locais de risco, a recomendação da vacina já existe e está inclusa no calendário de rotina. A primeira dose costuma ser feita aos nove meses de idade, e a segunda, antes de a criança completar cinco anos. "Quem por acaso já tiver mais de cinco anos e não tiver tomado a segunda dose, deve tomá-la e, dez anos depois, fazer uma dose de reforço", explica Gewehr.
Chefe do Serviço de Infectologia do Hospital São Lucas,o médico Fabiano Ramos acrescenta que, caso a pessoa não se lembre ou não possua registro da imunização, é ideal que a repita. É preciso respeitar algumas situações - pessoas imunodeprimidas, com HIV, transplantadas, acima de 60 anos. Nesses casos, o paciente deve conversar com o médico e tomar uma decisão individual, para avaliar o risco-benefício. "Temos de lembrar que a vacina é com o vírus vivo atenuado, enfraquecido, mas ainda assim, é o vírus. Pode causar alguma manifestação da doença, principalmente em quem tem imunidade baixa", alerta Ramos. Gewehr também ressalta que a dose não é recomendada para gestantes. Uma vez que o último surto de febre amarela no Estado ocorreu em 2009, as pessoas que se vacinaram naquele ano seguem imunes até 2019.
Os sintomas comuns da febre amarela são manchas na pele, dores nas costas, no corpo e musculares, febre, enjoo, vômito, fadiga e fraqueza. "Em casos graves, que são exceção, a pessoa pode ter uma febre bem alta e ficar com aquele amarelão, que chamamos de icterícia, no branco dos olhos. Pode ter hemorragia, sangramentos e entrar em choque, quando a pressão baixa e a pessoa entra em coma. A doença evolui, porque ataca vários órgãos, causando insuficiência generalizada de múltiplos órgãos", detalha Gewehr. Não há tratamento específico para a febre amarela, apenas o de suporte. "Sabemos que vai evoluir para insuficiência renal, então a pessoa vai ser rigorosamente hidratada, que pode ter hemorragia, aí fazemos transfusão de sangue, até que o próprio organismo combata e resolva a infecção por conta própria", completa o especialista do Moinhos de Vento. O índice de mortalidade dos pacientes contaminados varia de 20% a 50%.
O Ministério da Saúde estuda a tese de que o surto em Minas Gerais esteja relacionado à tragédia do rompimento da barragem em Mariana, em 2015. A possibilidade foi levantada pela bióloga Márcia Chame, da Fiocruz. 
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