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Porto Alegre, quinta-feira, 19 de janeiro de 2017. Atualizado às 07h13.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura Internacional

Notícia da edição impressa de 19/01/2017. Alterada em 19/01 às 08h14min

Insatisfação da classe média reforça populismo

Christine Lagarde participou do painel no Fórum Econômico Mundial junto com outras autoridades

Christine Lagarde participou do painel no Fórum Econômico Mundial junto com outras autoridades


BENEDIKT VON LOEBELL/WORLD ECONOMIC FORUM/DIVULGAÇÃO/JC
A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) dominaram, mais uma vez, os debates do Fórum Econômico Mundial de Davos (WEF). Um dos painéis desta quarta-feira tratou da insatisfação da classe média nos países desenvolvidos com seus governos. Isso provocou uma rejeição das políticas propostas, que gerou uma onda antiglobalização e reforçou discursos populistas como o adotado por Trump para vencer nas urnas.
Participaram do debate a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde; o ministro das Finanças da Itália, Pier Carlo Padoan; o ex-secretário do Tesouro norte-americano, Larry Summers; o criador do fundo de investimentos Bridgewater, Ray Dalio; e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo Padoan, os governantes precisam rever sua forma de lidar com a classe média nas economias desenvolvidas, pois essas pessoas sofreram impacto da crise econômica mundial e hoje está desiludida em relação ao futuro, rejeitando tudo o que se propõe.
"A classe média está desiludida em relação ao futuro, em relação às perspectivas de empregos para seus filhos e em relação ao futuro de sua rede de proteção social. Eles dizem 'não' para qualquer política que é sugerida. É muito mais difícil resolver um problema assim. É preciso pensar em como trazer essa classe média de volta", disse Padoan.
O ex-secretário do Tesouro norte-americano ressaltou que o encolhimento da classe média nos Estados Unidos abriu caminho para que as pessoas que sofreram perdas ficassem favoráveis ao discurso populista de Trump, que critica os imigrantes e quer fechar o mercado norte-americano. O empobrecimento e a rejeição aos imigrantes também foram os principais motivos que permitiram a concretização do Brexit. "É uma manifestação significativa. O populismo é contraprodutivo para aqueles que o escolhem. As pessoas que serão as vítimas dessas políticas", disse o ex-secretário.
Summers afirmou que o presidente eleito Trump ligou, recentemente, para grandes empresas que tinham negócios no México para obrigá-las a trazer empregos para os Estados Unidos. Segundo ele, isso vai impactar negativamente o mercado de trabalho nos dois países. Isso porque pode provocar o fechamento de vagas no México, mas também vai levar a uma queda do peso em relação ao dólar, tornando o mercado do país latino-americano ainda mais atraente para as empresas dos EUA.
Christine Lagarde afirmou que lidar com as desigualdades sociais tem de ser um elemento central na resposta dos líderes a preocupações geradas pelos movimentos populistas. A diretora do FMI admitiu que "não há bala de prata", mas afirmou que é o momento para que os líderes "corajosos" se reconectem com o povo.
Lagarde afirmou que a excessiva desigualdade é "contraproducente" para sustentar o crescimento, mas que reverter a globalização com mais protecionismo seria o caminho errado. "A redistribuição da riqueza deve ser parte central de qualquer estratégia para lidar com desigualdades, bem como uma análise profunda sobre como as novas tecnologias afetam os empregos", disse. Ela pediu ainda aos líderes que "não se resignem a manter a situação como está".
Nesta semana, a entidade não governamental Oxfam apresentou documento, na abertura do fórum de Davos, informando que que oito homens possuem riqueza equivalente à da metade da população mundial, ou 3,6 bilhões de pessoas. Segundo o texto, a diferença entre ricos e pobres tem aumentado a cada a cada edição do estudo e numa velocidade maior do que a prevista. "Os 50% mais pobres da população mundial detêm menos de 0,25% da riqueza global líquida. Nesse grupo, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem abaixo da "linha ética de pobreza" definida pela riqueza que permitiria que as pessoas tivessem uma expectativa de vida normal de pouco mais de 70 anos", descreve a ONG, que utilizou números da desigualdade do Credit Suisse Wealth Report 2016.
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