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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de janeiro de 2017. Atualizado às 15h25.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

18/01/2017 - 14h20min. Alterada em 18/01 às 16h25min

Brasil pode tirar proveito da globalização após reformas, diz Meirelles em Davos

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falou nesta quarta-feira no Fórum em Davos

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falou nesta quarta-feira no Fórum em Davos


FABRICE COFFRINI /AFP/JC
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acredita que o Brasil poderá tirar proveito da globalização depois que fizer suas reformas e ampliar sua produtividade. Em declaração durante coletiva de imprensa em Davos nesta quarta-feira, ele avaliou que o País está num estágio diferente perante países avançados e não consegue aproveitar tanto o ganho de uma integração global. Ele reforçou o que disse mais cedo durante um painel sobre a crise da classe média nos países desenvolvidos: "Essa classe média está incomodada por não dividir os ganhos da globalização."
Meirelles comentou que a classe média dos países mais ricos está incomodada em relação à percepção de que não estão dividindo os ganhos da globalização. "No Brasil agora o desafio é fazer as reformas. O mais importante para o Brasil agora é criar empregos", afirmou.
No debate mais cedo, Meirelles, avaliou que a globalização é um fenômeno que, para o mundo como um todo, trouxe benefícios, tirando mais gente da pobreza e levando para a classe média. Ele participou do painel "Comprimida e irritada: Como reparar a crise da classe média".
"Evidentemente que globalização trouxe pessoas da classe baixa para a classe média. Isso é extremamente positivo", considerou, acrescentando que este é um debate que gira mais em torno das economias desenvolvidas.
Durante sua fala, ele citou que, nos últimos 25 anos, a classe média dobrou no Brasil. Disse também que, nos últimos anos, o País passou por uma recessão, mas que agora voltará a crescer. O ministro da Fazenda brasileiro avaliou também que a globalização tem gerado vencedores e perdedores. Para muitos especialistas, é o movimento dos perdedores que vem gerando inquietação da classe média.
O assunto foi colocado em pauta depois de algumas surpresas, principalmente políticas, vistas no ano passado e que foram basicamente capitaneadas pela classe média. A decisão pela saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), a vitória do republicano Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a vitória do não na Itália num referendo que propunha a maior reforma constitucional do país nos últimos 70 anos e a ascensão do populismo em várias regiões do globo.
O ministro das Finanças italiano, Pier Carlo Padoan, resumiu durante sua fala no painel o que foi visto nos últimos meses: "A classe média está desiludida com o futuro, não enxerga a possibilidade de um mercado de trabalho para todos, para seus filhos, e optou por dizer não às propostas sugeridas por seus líderes."
Padoan, inclusive, era um dos mais cotados para ser o primeiro-ministro italiano, depois que Matteo Renzi renunciou ao cargo ao perder no referendo de dezembro.
Para Meirelles, é preciso deixar clara a diferença entre problemas que surgem de algumas reações à globalização versus reações mais populistas que se aproveitam da situação. Ele citou como exemplo o que ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial, quando a Europa passava por um período de consequências negativas e movimento populistas se aproveitaram da situação para emergirem.
Questionado sobre se os bancos centrais do mundo podem ser considerados também culpados pela crise da classe média atual, com a disponibilidade de recursos muito baratos, Meirelles disse que "eles são". Ele lembrou que essas instituições percorrem diferentes caminhos ao longo do tempo e considerou que a situação atual pode ser avaliada como "calma". "Os BCs agora não têm que lidar com crise de liquidez e de crédito, mas lidam com inflação baixa", considerou.
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