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Porto Alegre, terça-feira, 17 de janeiro de 2017. Atualizado às 21h39.

Jornal do Comércio

Panorama

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ENTREVISTA

Notícia da edição impressa de 18/01/2017. Alterada em 17/01 às 17h18min

"Não existe cidadania sem cultura forte"

À frente da cultura municipal, Luciano Alabarse quer fortalecer diálogo com iniciativa privada

À frente da cultura municipal, Luciano Alabarse quer fortalecer diálogo com iniciativa privada


FREDY VIEIRA/JC
Michele Rolim
O novo Secretário Municipal da Cultura , Luciano Alabarse, tem trajetória estabelecida no teatro gaúcho e em cargos como Secretário de Cultura de Canoas e a coordenação do Porto Alegre em Cena. Agora, concede ao Jornal do Comércio uma entrevista sobre os primeiros planos dessa gestão que será acompanhada pelo secretário-adjunto Eduardo Wolf.
JC- Panorama: Você comentou, recentemente, que é preciso ser criativo e não depender exclusivamente do financiamento público. Existem tantos patrocinadores ou investidores para a cultura? Para a reforma do Teatro de Câmara, aquisição de equipamentos para o Elis Regina, como será resolvido?
Luciano Alabarse: Veja esse como o único caminho possível da atualidade brasileira. Os recursos públicos secaram. A situação global das prefeituras brasileiras é de contenção e a quantidade de demandas é infinitamente maior que a disponibilidade orçamentária. Não há o que fazer a não ser estabelecer parcerias com as empresas, patrocinadores, bancos de fomento, etc. Não existe somente uma fonte de financiamento. Os eventos têm apelo para os patrocinadores, mas a exemplo da Usina do Gasômetro, o financiamento é via CAF (Corporação Andina de Fomento), que não é exatamente patrocínio no sentido convencional como acontece no Porto Alegre Em Cena. Vamos bater em todas as portas. Se depender exclusivamente de verba pública, eu paraliso e engesso. 
Panorama: Essa verba que já está aprovada via CAF, de US$ 3,2 milhões, para a reforma da Usina é suficiente? Só as reformas dos armazéns do Cais Mauá vão custar R$ 150 milhões.
Alabarse: Isso foi conduzido em outra gestão. Eu não acho pouco. Mas obra é o quarto mistério de Fátima - nunca vi uma obra que não tenha aditivos, nesse momento que o trabalho nem começou é um diagnóstico prematuro. Espero que dê o dinheiro, mas se houver necessidade, esses aditivos serão feitos com a CAF e não com verba pública municipal.
Panorama: O que está incluído na reforma da Usina do Gasômetro?
Alabarse: Tudo. Parte estrutural e elétrica. Nenhuma das atividades que estão sediadas lá perderão espaços, mas muitas serão realocadas, como a Sala P.F. Gastal, que do terceiro andar vai para o térreo. Os grupos do projeto Usina das Artes manterão seusx espaços conquistados por edital. Teremos uma bilheteria para todas as atividades. O Elis Regina será inaugurado.
Panorama:O que está faltando para o Teatro Elis Regina? E os equipamentos?
Alabarse: Veja, o pessoal de teatro é extremamente criativo - o Centro Municipal de Cultura já está fazendo mudanças. Em parceria com o Porto Verão Alegre, conseguimos aparelhos de ar-condicionado para o Teatro Renascença. Às vezes, não é só uma questão de ter a verba. Não podemos perder tempo. Como conseguimos equipamentos? Há linhas de crédito abertas? Esse é o caminho. Eu não vou pensar em jogar tudo na Fazenda do município. Estamos criando uma área na secretaria de captação de recursos.
Panorama: Quem fará a manutenção da Usina pós-reforma?
Alabarse: Nunca vou entregar o gerenciamento artístico dos espaços. Com a Usina reaberta, haverá um edital público, todos os interessados poderão concorrer. Estará em jogo a administração física da Usina e nunca a administração artística.
Panorama: A outra gestão deixou dívidas com os funcionários da cultura, uma delas é em relação ao grupos da Usina das Artes. Quando essa situação será normalizada?
Alabarse: O prefeito quer um diagnóstico preciso das dívidas. Até onde estou sabendo, tem um valor superior ao que foi divulgado. Penso que é uma responsabilidade administrativa, ele não quer gastar o que não tem. Na minha visão está correto. Como ele vai dar um patrocínio significativo para o carnaval enquanto não souber o total da dívida? Ele quer que os serviços básicos não sejam interrompidos. Isso significa dar as costas para os eventos culturais? Aí começa o meu trabalho de tentar viabilizar de outras formas. Daqui a 90 dias saberemos exatamente com o que podemos contar. Na lista de prioridades de pagamento está os grupos da Usina das Artes. Também estamos vendo locais para recebê-los quando a Usina fechar para a reforma. Já pedi para o secretário de Cultura do Estado, Victor Hugo, que me ceda o Centro Cenotécnico e também estamos pensando na Cia das Artes para que os grupos sigam trabalhando. Depois da reforma os grupos retornam para a Usina.
Panorama: O Atelier Livre corre o risco de terminar por conta das carências no corpo docente e a permanente dificuldade na manutenção física e de compras de equipamentos. Que prioridade ele terá na tua gestão?
Alabarse: É uma situação bem singular. Quando eu trabalhei na prefeitura, havia 38 professores - hoje parece que tem oito, porque isso não foi reposto ao longo dos anos? Não sei a resposta. Não manter o Atelier não me passa pela cabeça, vou tomar atitudes práticas desde que me deem tempo de eu entender. Tem servidores se aposentando, qual é a normalidade? Que exista a reposição daquela vaga. Mas nunca vi, em nenhuma estrutura, um quadro ideal de funcionários, mas temos que tomar providências para que não acabe o Atelier Livre. 
Panorama: E a coordenação do Em Cena, você irá manter?
Alabarse: Por enquanto repassei o Em Cena para quem trabalha comigo há 12 anos, que é o coordenador de artes cênicas nessa gestão, o Fernando Zugno. Eu, obviamente, continuarei como uma espécie de curador onipresente.
Panorama: Como fazer com que a cultura seja prioridade assim como educação e saúde?
Alabarse: Eu tenho certeza absoluta que não existe uma plena cidadania sem uma cultura fortalecida. Vamos trabalhar por eixos - um deles é o formativo, que vamos dar ênfase através da descentralização. O Breno Ketzer Saul, que foi coordenador de artes cênicas na outra gestão, está na equipe da descentralização. Um dos exemplo de projeto que deu certo foi a criação da Escola Preparatória de Dança na periferia, que ocorre através na Cia Municipal de Dança (aliás, Airton Tomazzoni segue na coordenação). Então, não viemos para desmanchar nenhuma experiência que deu certo - é preciso reforçar que a cultura é um eixo formador de cidadania. O Fumproarte, braço de diálogo com os artistas da cidade, já mudou de local - foi para o Solar Paraíso (sede do Em Cena, no bairro Santa Tereza), pois cada vez que chovia na Casa Torelly alagava aquela sala. Quem vai ocupar o cargo de gerente será o Miguel Sisto Jr.
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