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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de janeiro de 2017. Atualizado às 12h56.

Jornal do Comércio

Panorama

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 05/01/2017. Alterada em 05/01 às 13h56min

Vencedor da Palma de Ouro estreia hoje na tela do cinema brasileiro

O filme britânico-franco-belga foi apontado como um retrato fiel da Grã-Bretanha moderna

O filme britânico-franco-belga foi apontado como um retrato fiel da Grã-Bretanha moderna


IMOVISION/DIVULGAÇÃO/JC
Estreia hoje nos cinemas brasileiros o título vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2016, que elege o melhor longa do evento. De Ken Loach, Eu, Daniel Blake relata a história de um homem que, após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelo médico a voltar ao trabalho, busca receber os benefícios concedidos do governo a todos nesta situação. Entretanto o viúvo de 59 anos esbarra na extrema burocracia instalada pelo sistema, amplificada pelo fato de ele ser um analfabeto digital.
Blake sempre trabalhou como marceneiro em uma cidade do Reino Unido. Depois que o infarto quase o fez despencar de um andaime, ele precisa da ajuda do Estado pela primeira vez em sua vida, sob ameaça de morar na rua. Numa de suas várias idas ao Departamento de Trabalho e Pensões, o protagonista, interpretado por Dave Johns, conhece Katie (Hayley Squires), mãe solteira de duas crianças, expulsa de Londres pela gentrificação (a alternativa era morar em abrigo para sem-tetos). Despachada pelo Serviço Social, ela se mudou recentemente para a cidade de Newcastle (a 500 km da capital da Inglaterra) e também não tem condições financeiras para se manter. Daniel e Katie, dois estranhos cujas voltas do destino deixaram sem forma de sustento, veem-se obrigados a aceitar ajuda do banco alimentar. No meio do desespero, se tornam a única esperança um do outro. 
O filme britânico-franco-belga foi apontado como um retrato fiel da Grã-Bretanha moderna, uma poderosa denúncia sobre a falência do sistema previdenciário do Reino Unido. Em Eu, Daniel Blake, o cineasta de cunho social retorna ao habitual tema da defesa das minorias perante os abusos cometidos pelo Estado, com seu tom incisivo típico ao apontar desvios existentes na sociedade contemporânea.
Loach, pouco antes de completar 80 anos, venceu a Palma de Ouro pela segunda vez - a primeira foi em 2006, por Ventos da liberdade. "Outro mundo é possível e necessário", disse o diretor britânico ao receber a distinção em maio do ano passado, aproveitando para criticar o neoliberalismo. Ele já havia recebido, ainda, três vezes o Prêmio do Júri no Festival de Cannes com Agenda secreta (1990), Chuva de prata (1993) e Terra e liberdade (1995).
Outro trunfo da produção é a atuação comovente do ator Dave Johns ao encarnar o personagem-título. Ironicamente, ele é um comediante de stand up que faz sua estreia no cinema. Sua escolha para o papel se deveu ao fato de ele ser da cidade onde ocorreram as filmagens, estar na idade certa e seu pai ter sido carpinteiro, conhecendo o contexto de Blake.
Eu, Daniel Blake chega às salas 50 anos após Cathy come home, telepeça que Loach dirigiu para uma série da BBC. Nela, uma mulher entra em choque com as rígidas regras do Serviço Social, criadas sob a desculpa de evitar fraudes no sistema previdenciário, e acaba perdendo a casa, o marido e, finalmente, a custódia dos filhos. O paulatino desmantelamento das conquistas sociais britânicas já havia sido esmiuçado pelo diretor no documentário O espírito de 45 (2013), sobre o projeto de reconstrução do país após a Segunda Guerra Mundial, quando a Inglaterra criou políticas públicas para os sistemas de transporte, habitação, educação e saúde.
O novo título teve argumento de Paul Laverty, colaborador de Loach em vários outros filmes, como A canção de Carla (1996), O meu nome é Joe (1998), Pão e rosas (2000), Felizes dezesseis (2002), Apenas um beijo (2003), Ventos da liberdade (2006) Mundo livre (2007), À procura de Eric (2009), Rota irlandesa (2010), A parte dos anjos (2012) e Jimmy's Hall (2014).
Esses dois últimos foram lançados no Brasil pela Imovision, que também coloca em cartaz Eu, Daniel Blake. Incentivadora do trabalho deste cineasta e de outros aclamados diretores cult, a distribuidora é responsável pela entrada de títulos vencedores do Festival de Cannes no País pela sétima vez. Os anteriores foram Dançando no escuro, de Lars Von Trier (2000); A criança, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (2005); Entre os muros da escola, de Laurent Cantet (2008); A fita branca e Amor, de Michael Haneke (2009 e 2012, respectivamente); e Azul é a cor mais quente, de Abdellatif Kechiche.
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