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Porto Alegre, sexta-feira, 30 de dezembro de 2016. Atualizado às 07h18.

Jornal do Comércio

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Assistência Social

Notícia da edição impressa de 30/12/2016. Alterada em 30/12 às 08h21min

Número de menores em situação de rua cai 93%

Suzy Scarton
Depois da divulgação do censo sobre o perfil da população de rua da Capital, foi a vez de a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), liberar um levantamento a respeito do número de crianças e adolescentes que vivem nas ruas. Esse número, em comparação à quantidade de adultos em vulnerabilidade extrema, é bem menor: foram encontrados, entre os dias 8 de setembro e 10 de outubro, 27 crianças e adolescentes em situação de rua, uma redução de 93% com relação à pesquisa anterior, de 2008 (mais dados no box).
Quando desse último estudo, a Capital contabilizava um total de 383 crianças e adolescentes em situação de rua. O presidente da Fasc, Marcelo Soares, explica que o alto investimento em assistência para essa faixa etária justifica a redução significativa. "A prefeitura aplica cerca de R$ 80 milhões por ano no trabalho com menores de 18 anos. Para o tratamento dos adultos, o investimento não chega a 10% desse valor", afirma. No levantamento a respeito da população adulta, constatou-se que existem 2.115 vulneráveis, contra 1.203 encontrados em 2007. 
Com relação à etnia, considerando o olhar do entrevistador, a prevalência de negros e pardos se destaca. Hoje, 14 dos jovens são pardos; seis, negros; e cinco, brancos - de duas crianças não foi possível definir. No entanto, o indicativo de raça ou cor atribuído pelo entrevistado mostra que sete se consideram brancos; seis, negros; três, pardos; e oito se classificam como "outra". Em 2008, de acordo com os entrevistadores, eram 122 negros, 125 pardos e 109 brancos - as outras não tiveram a etnia definida.
Uma das 27 crianças declarou que se encontra em situação de rua há mais de dez anos. Outras 13, que representam a maioria, estão há menos de um ano. "Não vemos uma criança de quatro anos perambulando e vivendo sozinha pela rua. Boa parte dessas crianças está com a família, ou seja, toda a estrutura familiar está na rua", explica Júlia Obst, da Coordenação da Proteção Social de Média Complexidade.
Além disso, algumas dessas crianças conseguem passar a noite na própria casa ou na de amigos ou parentes. No entanto, a rua é o principal local de sobrevivência e onde estabelecem relações. "Avaliamos o tempo que a criança passa em casa, a aparência que ela apresenta, se está sendo cuidada por alguém. Nossas equipes não abordam somente quem está efetivamente na rua", conta Júlia, que destaca que, para lidar com menores, é preciso criar um vínculo com as famílias.
Atualmente, a Fasc possui 13 equipes e 95 profissionais encarregados desse tipo de trabalho, e disponibiliza 1,2 mil vagas para crianças e adolescentes, distribuídas entre 67 abrigos e casas-lares. As equipes de abordagem recebem investimento anual de R$ 6 milhões, e a rede de acolhimento, de R$ 40 milhões. O orçamento anual gira em torno de R$ 200 milhões. 
Para Soares, que, com a mudança de governo, deixará a presidência da Fasc, a prioridade de seu sucessor deve ser a continuidade dos investimentos na assistência a menores e o aumento do montante aplicado para adultos. "Lidar com os adultos é o grande desafio. Se conseguirmos encontrar alternativa para trazer recursos, teremos resultados positivos", garante.
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