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Porto Alegre, domingo, 25 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 26/12/2016. Alterada em 25/12 às 21h21min

Atenção básica foi principal alvo da SMS

Gestor, que se despede do cargo no fim do ano, aponta necessidade de atenção na saúde mental

Gestor, que se despede do cargo no fim do ano, aponta necessidade de atenção na saúde mental


JONATHAN HECKLER/JC
Suzy Scarton
Para solucionar a superlotação das emergências, não basta abrir novos hospitais, uma vez que somente o investimento em atenção básica fará com que a população reduza a busca pelo atendimento de urgência e emergência. Essa é a opinião do secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, à frente da pasta desde março do ano passado. A expansão da atenção básica foi a principal bandeira da gestão de Ritter, que se encerra neste final de ano. O secretário também questiona a necessidade de implantação de mais três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), conforme anunciado pelo prefeito José Fortunati há alguns anos.
Em 2012, Fortunati inaugurou a UPA Zona Norte Moacyr Scliar, na avenida Assis Brasil. Desde então, a prefeitura não entregou nenhuma das outras três UPAs prometidas, embora considere o Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul - o Postão da Cruzeiro -, a emergência do Hospital Restinga e Extremo Sul, o Pronto Atendimento Lomba do Pinheiro e o Pronto Atendimento Bom Jesus também como UPAs. "Precisamos de mais uma UPA no município. Considerando que já temos o território cedido pelo Estado, sugiro a UPA Partenon. Porém, ainda falta parte do recurso, que vêm do governo federal", explica. A UPA Partenon ficaria na avenida Bento Gonçalves, ao lado do Instituto Psiquiátrico Forense, mas não há novidades sobre o andamento do projeto. Segundo o secretário, os principais entraves são orçamentários e financeiros.
No entanto, a implementação de outras unidades é vista com dúvida por Ritter. "Não adianta encher de UPA sem completar a cobertura de atenção básica. A UPA é resolutiva e importante, mas é preciso atuar na retaguarda para dar tratamento continuado. A atenção básica reduz as internações por problemas respiratórios, por hipertensão, por diabetes", explica. Porto Alegre conta com 228 equipes de saúde da família para 55 unidades básicas de saúde e 88 unidades de saúde em família.
Essa é a principal sugestão do secretário para seu sucessor, que assumirá a pasta em janeiro de 2017. Ritter também acredita que é preciso investir na saúde mental da Capital. "Precisamos aumentar o número de centros de Atenção Psicossocial (Caps). Deixaremos um chamamento público pronto para interessados que queiram assumir o desenvolvimento de atividades em seis Caps. Acho que, com esse número, conseguiremos resolver boa parte dos problemas de saúde mental", explica. Além disso, o secretário reitera a importância do aumento de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Porto Alegre possui, atualmente, 13 Caps.
Ao assumir a gestão da saúde na cidade, a intenção do secretário era extinguir o atendimento pelas fichas em postos. Em 2015, somente seis das 141 unidades básicas atendiam os pacientes conforme a classificação de risco. Hoje, são 104. "Ainda temos 37 unidades que não aboliram completamente o acesso por ficha. Precisamos preparar os profissionais. Esse foi nosso carro chefe na questão da atenção básica", garante Ritter. Nessas 37 unidades, o processo de troca já foi iniciado, mas ainda não foi concluído.
O secretário também acredita que a intenção do prefeito eleito Nelson Marchezan Júnior de ampliar o horário de atendimento dos postos de saúde é bastante viável. "Fazíamos isso, mas era tudo sustentado por hora extra, uma forma frágil de garantir um serviço estendido. Vamos deixar sugestões de quais unidades seriam ideais para isso, tem de ser um local de fácil acesso", explica. A justificativa para que os postos não ofereçam mais esse serviço é, novamente, a crise financeira.

Gestão termina mandato sem resolver algumas demandas da Capital

Algumas demandas da Capital, no entanto, não foram resolvidas nos últimos quatro anos. A fila de espera por especialidades, por exemplo, ainda persiste, embora tenha sido reduzida. Segundo o secretário Fernando Ritter, 76% das 180 especialidades não apresentam fila de espera - ou seja, os pacientes conseguem marcar uma consulta em menos de 30 dias.
"Reumatologia, urologia e ortopedia seguem sendo nossa principal dificuldade. As doenças crônicas, principalmente, porque 95% desses casos não precisam de cirurgia, e sim, de cuidados profissionais", esclarece. Para a próxima gestão, a pasta deixará a sugestão da criação de uma clínica da dor crônica, para que o paciente seja atendido por diversos profissionais. "Expandimos a atenção básica, mas vimos que precisamos dar uma importância maior à atenção especializada", conclui.
Outro problema que não terá solução é a questão do hospital Parque Belém. O hospital segue em vias de abandono, recebendo pacientes apenas na ala psiquiátrica, e não há previsão de que a situação mude, uma vez que, de acordo com Ritter, a diretoria não se adequa às solicitações feitas pela Vigilância em Saúde. "A gestão precisa ser modernizada. Fizemos várias intervenções, mas não podemos usar dinheiro público sem retorno", lamenta. Os diretores do hospital costumam dizer que há um quadro político de perseguição contra o hospital, algo que Ritter refuta. "Tudo já foi esclarecido junto ao Ministério Público e eles mesmos chegaram a um ponto que não tinha mais o que fazer", conta. O secretário citou o caso do hospital Vila Nova, que se encontrava em situação similar ao Parque Belém. Como a direção do Vila Nova cooperou e se mostrou disposta, foi possível dar nova vida à instituição.
A capacidade total do hospital da Restinga e Extremo Sul, na zona Sul de Porto Alegre, tampouco será atingida até o final do ano. O hospital foi inaugurado com direito à presença da ex-presidente Dilma Rousseff em junho de 2014 e, até agora, ainda não disponibiliza todos os serviços. É preciso equipar o centro de especialidades, além de aumentar a capacidade de 63 para 120 leitos e abrir o bloco cirúrgico. "Não existe possibilidade de fazer isso até o fim da gestão porque não temos recurso novo", resume Ritter.
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