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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de dezembro de 2016. Atualizado às 23h41.

Jornal do Comércio

Perspectivas 2017

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Opinião

Notícia da edição impressa de 23/12/2016. Alterada em 22/12 às 18h56min

Previsão é de retomada, mas sociedade precisa ajudar

Pedro maciel, editor-chefe
O ano que está chegando deve marcar a conclusão da travessia para sair da mais intensa crise econômica que o Brasil já viveu desde a catástrofe de 1929-30 do século passado. Se os indicativos que já surgem estiverem corretos - e todos os brasileiros esperam que estejam -, entraremos em 2017 com a economia no rumo para a retomada. Será um crescimento modesto, algo próximo de 0,5%, mas, diante da catastrófica queda acumulada de quase 8% em 2015 e 2016, será um alento para trazer de volta o otimismo e a confiança, dois sentimentos fundamentais na decisão de fazer investimentos para o aumento da produção e para a redução do desemprego que devasta o País.
A grande maioria dos analistas e dos empresários trabalha com a expectativa de que os sinais de mudança da economia já começarão a se mostrar de maneira mais clara no segundo semestre de 2017. Contam para isso, com a queda da inflação, que vem recuando sistematicamente e aponta para chegar ao centro da meta no ano que vai começar, o que provavelmente acelerará os cortes da taxa Selic e, em consequência, tornará o preço do dinheiro mais barato tanto para investimentos quanto para o consumo - essa receita é o passaporte do País para o início de um círculo virtuoso de crescimento.
Mas claro que nem a economia, nem a história são ciências precisas. No cenário doméstico, há incertezas, a maior parte delas originadas dos efeitos da Operação Lava Jato sobre a estabilidade política. A cada dia, as delações mostram a gravidade e o comprometimento da elite brasileira com a corrupção, o que pode voltar a desestabilizar não só o sistema Legislativo e Executivo como lançar o País inteiro em um clima de desesperança e contaminar a economia. E a delação dos executivos da Odebrecht, a chamada "delação do fim do mundo", recém-começa a ser revelada.
Outro imponderável de grande calibre atende pelo nome de Donald Trump, o 45º presidente dos Estados Unidos. O bilionário norte-americano assume o cargo no dia 20 de janeiro, após uma campanha que parecia, até mesmo para o Partido Republicano, não ter futuro. Trump desafiou o partido, fez uma campanha agressiva, abraçou temas que mereceriam repúdio em uma sociedade civilizada e venceu. A montagem da equipe tem revelado que manterá as promessas de uma política antiabertura comercial e isolacionista em relação ao mundo - e não é só o prometido muro para separar o país do México.
O principal assessor de Trump, se é que ele vai ouvir alguém quando chegar ao Salão Oval da Casa Branca, atende pelo sugestivo apelido de T-Rex, o maior predador que já existiu na face da terra. Rex Tillerson, o nome real de T-Rex, é o CEO da Exxon Mobil, conhecido pela agressividade nos negócios.
É verdade que os Estados Unidos deixaram de ser os maiores parceiros comerciais do Brasil, embora continuem sendo importantes. Se houver uma redução desse mercado, a nossa balança comercial vai sentir, mas provavelmente poderá compensar se, finalmente, o Mercosul fechar um acordo amplo com a União Europeia. E se aumentarmos nossas trocas com a China, que vai precisar de alimentos e de matérias primas. Não custa lembrar que os sinais de hostilidade de Trump em relação à China não favorecem os negócios entre os dois gigantes. Ao contrário, a tendência da China é direcionar suas compras para outros fornecedores - e aí a posição do Brasil é privilegiada.
Claro que são somente previsões, sempre sujeitas a serem desmentidas. Mas, se não sobrevier nenhum tsumâni político ou econômico, é provável que o Brasil inicie a saída da grande crise em que esteve atolado nos últimos dois anos. Oxalá esta previsão esteja correta.
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