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Porto Alegre, domingo, 25 de dezembro de 2016. Atualizado às 13h11.

Jornal do Comércio

Perspectivas 2017

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 23/12/2016. Alterada em 25/12 às 14h16min

Nível de desemprego deverá persistir no ano que vem

Filas com milhares de pessoas em busca de trabalho são cenas que vão se repetir no próximo ano

Filas com milhares de pessoas em busca de trabalho são cenas que vão se repetir no próximo ano


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
Longas filas em 2016, e filas longas em 2017. A situação do mercado de trabalho brasileiro, com mais de 12 milhões de desempregados - quase 3 milhões a mais que em 2015 -, no próximo ano, será marcada pela corrida de multidões em busca de vagas escassas, repetindo as cenas que mostraram o drama de quem não conseguiu se inserir neste ano. "Todos temos esperança de conseguir emprego, ou não estaríamos nessa fila", afirmou Tanise de Oliveira, recebendo o coro positivo dos colegas de desemprego que aguardavam a vez no mutirão do EmpregarRS, em Porto Alegre, em novembro. "Só estou aqui por necessidade", avisa Tanise.
Especialistas e gestores de organizações de formação e intermediação culpam a reversão tímida da economia, projetada em alta de 0,3% ou um pouco mais do PIB para 2017, pela demora na retomada das contratações. Além disso, em meio a ajustes das contas públicas, não há ainda nenhuma luz do governo federal sobre a volta de programas de qualificação profissional, nos moldes do Pronatec, ou mesmo de garantia de renda, frentes de trabalho ou ampliação de benefícios como seguro-desemprego. E é justamente a qualificação que barra candidatos como Tanise.
Nas agências do Sine gaúcho havia, em dezembro, a oferta diária de 3,6 mil vagas. Até novembro, foram disponibilizados 71,9 mil postos, mas o aproveitamento preocupa o diretor técnico da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas), Darci Cunha. Dos quase 260 mil candidatos, apenas 18 mil conseguiram se colocar, ou 25% de aproveitamentos das vagas. "O principal problema é a falta de qualificação", diz Cunha. Para 2017, a Fgtas vai treinar mais os atendentes, para poderem escolher melhor o candidato a vagas. "Muitos se comovem com o desespero da pessoa e enviam quem não tem perfil", admite o diretor técnico. Sem previsão e recursos para qualificação, a Fgtas tenta fazer convênio com universidades, mas há limitações sobre tipo de curso. "É difícil prever algo diferente do que mais gente batendo à porta dos Sines em 2017."
Enquanto desperdiça-se vagas, a taxa de desemprego chegou perto dos 11% na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) em novembro, depois de romper a barreira dos 10% no segundo semestre de 2015. Até novembro, se mantinha neste patamar, ficando em 10,8% na RMPA, taxa mais recente divulgada por Fundação de Economia (FEE) e Dieese. São mais de 200 mil pessoas sem nenhum trabalho. No País, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) apontou 11,8%. A economista e coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), Iracema Castelo Branco, aponta que somente medidas para ativar um maior nível da atividade podem ajudar brasileiros como Tanise.
Em 2016, a desocupação só não foi maior, porque muita gente desistiu de buscar vaga, saindo momentaneamente da População Economicamente Ativa (PEA). "Se não fosse isso, o desemprego sairia da média de 10,7% para 13,2%!", adverte Iracema. Ao lado disso, as ocupações que mais abriram vagas ou viraram saída ante a falta de perspectivas foram de autônomo, doméstico e assalariado sem carteira. "A tendência de 2017 de fraco crescimento implica menor geração de postos e queda de rendimentos, o que fará mais gente disputar as vagas, pressionando mais a taxa de desemprego", previne a economista.
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Pessoas precisam se preparar para queda na remuneração e tomar nova atitude

O consultor de carreiras e gerente regional da De Bernt, Fábio Souza, diz que o próximo ano ainda será difícil para quem está desempregado e de pressão das empresas para baixar remuneração. "As pessoas terão de se preparar para ter valores entre 20%, 30% e até 50% mais baixos que 2016. As empresas buscam reduzir custos e, ao contratar, puxam para baixo os salários", observou Souza, reforçando a manutenção do contingente de desempregados. Souza projeta que deve levar de um a dois anos para a retomada dos patamares salariais anteriores ao recrudescimento das taxas, que ocorre desde 2015. Segundo o consultor, um tema que se inserirá é a oferta de ganhos variáveis, atrelados à remuneração baseada em resultados. Ele cita ramos como vendas como os mais atingidos.
Para quem espera uma chance, Souza orienta mais organização e planejamento, com definição de parâmetros dispostos a encarar, como nível salarial. Além disso, com um cenário adverso, o consultor aconselha muita paciência até achar o momento para voltar ao mercado. Para quem vai encarar as filas de esperança por emprego, o sócio da De Bernt recomenda formular um currículo baseado em experiências, priorizando o que faz a diferença e o que valoriza a trajetória. "Se tem uma carreira de sucesso e precisa resumir tudo em 10 minutos, destaque o que pode realmente interessar." Muitos também buscam negócio próprio, usando recursos da rescisão do antigo emprego. O consultor adverte que é preciso ter um plano de negócio muito claro, sob pena de desperdiçar o único dinheiro disponível.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado (Senai-RS) reforçará a formação unindo automação e conectividade, e muito focada em melhorar competências para dar conta de uma indústria que precisará ser mais competitiva. "Vamos ofertar o que o setor precisa para vencer este cenário recessivo", traduz o diretor regional, Carlos Artur Trein, projetando 150 mil matrículas, as mesmas de 2016, bem longe das 180 mil de 2015 e da capacidade de 240 mil da estrutura do órgão. O Senai-RS complete a entrega de oito institutos de inovação, que custaram R$ 170 milhões em três anos e seguem os conceitos da chamada indústria 4.0.
Para a qualificação mais geral, nenhuma definição foi dada para vagas em cursos do antigo Pronatec, bancado pelo governo federal. "Estamos negociando há vários meses, mas o governo prioriza outros assuntos." O setor vislumbra alguma melhora no mercado somente no fim do ano. Antes disso, agroindústria e ramos exportadores mostram mais fôlego para vagas. Já a indústria metalmecânica apresenta só demissões, na Serra, Planalto e Sul do Estado. As mais recentes foram as 3,2 mil de uma vez da Ecovix no polo naval de Rio Grande. "Retomada, só em 2018", conforma-se Trein.
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