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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de dezembro de 2016. Atualizado às 23h41.

Jornal do Comércio

Perspectivas 2017

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Varejo

Notícia da edição impressa de 23/12/2016. Alterada em 22/12 às 17h48min

Ano de baixo crescimento e de muitos desafios

Mercado de trabalho deprimido e renda em desaceleração afugentam consumidores das lojas

Mercado de trabalho deprimido e renda em desaceleração afugentam consumidores das lojas


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Adriana Lampert
O ano de 2017 começa com lojistas ainda se defrontando com a baixa confiança do consumidor e as vendas reprimidas, além de desafios que vão se estender até que se inicie um lento crescimento econômico, projetado para as vésperas do segundo semestre. Impactados pelas altas taxas de juros, que reduziram as chances de captar crédito e realizar investimentos, o momento exigirá reinvenção até a concreta retomada da economia, especialmente no caso dos pequenos empresários do setor. A tarefa será menos árdua para as grandes redes, uma vez que estas empresas costumam se planejar de forma mais estrutural do que conjuntural, observa a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. "Nestes casos, os investimentos acontecem a longo prazo, porque existe saúde financeira para isso."
As reduções da renda e do emprego registradas no ano que passou causou um efeito psicológico no consumidor que ainda deverá impactar os resultados do setor varejista pelo menos nos próximos seis meses, opina o consultor de varejo Xavier Fritsch. Ele aponta que o cenário deve melhorar para lojistas que qualificarem seus processos internos, impulsionando sua capacidade operante. "Aquelas empresas melhor preparadas, que desenvolveram projetos em 2016 - algumas inclusive já registrando resultados, com crescimento de 10% a 15% -, devem colher bons frutos ainda no primeiro semestre", avalia Fritsch. Entre as ferramentas que ampliam estas possibilidades, o consultor cita o marketing digital pelo seu baixo custo.
"O empresário que está preparado irá voltar a anunciar, até porque 2016 foi um ano de redução de verbas", comenta o consultor de varejo. Para Fritsch, guardar uma pequena reserva para marketing, estabelecer boa oferta de preços e manter uma equipe capacitada é uma boa fórmula para gerar fluxo de clientes. "Não se poderá ficar na dependência da demanda natural", alerta o especialista, ao reforçar que, em 2017, quem quiser se manter no mercado deve ser proativo em mídia e mais agressivo comercialmente.
Na visão do presidente da CDL-POA, Alcides Debus, o ano ainda será bastante difícil para a economia. Dificuldades para fechar contas públicas, ajuste fiscal, parcelamento de salários de servidores e impasses políticos ainda travam o desenvolvimento do setor. "Vejo o início de uma recuperação das vendas, no entanto irá depender muito da estabilização do cenário político após as votações das reformas de legislações em trâmite no Congresso." Para o dirigente, o cenário conturbado gera incertezas que afetam a decisão de compra do consumidor. "Em agosto, após o impeachment de Dilma Rousseff, as vendas deram sinais de melhora, mas esta durou pouco e, em outubro, houve nova retração", admite Debus. O dirigente avalia que a aguardada ampliação da queda da taxa básica de juros (Selic) será importante para que os negócios no varejo possam novamente dar uma guinada, mas ainda não com o vigor de anos anteriores da história recente do País.
Há algum otimismo entre a maior parte dos representantes do setor, embora bastante vinculado às medidas de governo tanto em nível nacional, quanto estadual. Para a Federasul, o Brasil passará por uma "recuperação gradual", com o governo federal "fazendo o dever de casa". O pacote de medidas anunciado pelo governador José Ivo Sartori é visto como positivo pela dirigente da Federasul. Para Simone, as medidas "devem readequar o tamanho da máquina pública, gerando um novo ciclo de confiança, garantindo uma economia forte e possibilitando que pessoas que perderam emprego possam se recolocar no mercado, a partir de um novo círculo virtuoso". "Se por um lado, cerca de 1 mil servidores gaúchos perderão seus postos - caso ocorram as extinções de fundações e demissões previstas -, na iniciativa privada, 70 mil vagas foram fechadas. Precisamos desta parcela de sacrifício da sociedade", opina.

Resultado positivo é esperado no segundo semestre, afirmam dirigentes

Portugal prevê queda da Selic e da inflação
Portugal prevê queda da Selic e da inflação
JC
O aceno de novas quedas da taxa Selic e da inflação podem ajudar a recuperação das vendas, na avaliação do economista Marcelo Portugal. "É possível que, em 2017, tenhamos um resultado positivo antes do segundo semestre. Tudo indica que haverá uma ampliação do crédito, beneficiando as famílias com renda mais preservada e maior capacidade de compra." Novos empreendimentos também devem atrair a atenção de consumidores de Porto Alegre e Região Metropolitana, aponta o presidente da Associação Gaúcha de Varejo (AGV), Vilson Noer. Na lista de centros de compras que abrirão as portas em 2017 estão o Park Canoas Shopping, que já comercializou mais de 70% das 258 lojas previstas, e o Zaffari Hípica, voltado para compras de conveniência na zona Sul de Porto Alegre.
"Aspectos que se colocam como pautas permanentes no varejo são a redução do custo operacional e aumento da produtividade funcional", lembra Noer. "Uma grande alavanca para os lojistas será a renegociação de custos fixos, pois os aluguéis em shoppings estão muito caros", afirma Noer, lembrando que, em vista desta dificuldade, muitos empresários estão buscando outras alternativas, como o comércio de rua.
"Em 2016, observamos uma evasão das lojas de shoppings", concorda o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) do Rio Grande do Sul, Vitor Koch. Analisando o ano como um período "muito complicado nos aspectos político e econômico, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul", o dirigente avalia que, para 2017, é possível uma perspectiva de cenário mais favorável para o varejo. "A desvalorização do real, caso sustentada, vai aumentar a competitividade da exportação brasileira e a renda interna da conversão da moeda estrangeira em reais", opina Koch, que estima que o setor terá um incremento em vendas, na ordem de 1,5% e 3% das vendas no ano que vem.
O dirigente da FCDL acredita que, se a boa safra prevista para o agronegócio se confirmar e ocorrerem iniciativas do governo "minimizando os efeitos da substituição tributária, da margem de valor agregado e do imposto de fronteira", também as micro e pequenas empresas devem crescer. "Há uma grande expectativa em relação ao crescimento da economia durante o ano que vem, que vai depender muito na política e dos desfechos da Operação Lava Jato", aponta o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse. "Com a troca da administração municipal e de gestores nas secretarias de Produção, Indústria e Comércio e de Turismo, esperamos que se amplie o incentivo à venda de Porto Alegre como destino para visitantes, e o combate ao comércio ilegal de produtos e o retorno dos camelôs às ruas da
cidade."
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