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Porto Alegre, segunda-feira, 02 de janeiro de 2017. Atualizado às 09h09.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 02/01/2017. Alterada em 02/01 às 10h13min

Mínimo deve somar R$ 2 bilhões a mais aos gaúchos

Thiago Copetti
Os cerca de 2,7 milhões de gaúchos que ganham salário-mínimo brasileiro, de acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), devem agregar à economia do Estado cerca de R$ 2 bilhões ao longo de um ano, considerando 12 meses e o 13º salário. Em 2017, porém, esse recurso tende a não irrigar setores que tradicionalmente contam com algum ganho imediato a partir do reajuste. Em 1 de janeiro, o valor de referência passou de R$ 880,00 para R$ 937,00.
São R$ 57,00 a mais que entrarão nos contracheques de pensionistas do INSS (principalmente) e de empregados domésticos, por exemplo, duas das categorias impactadas pela mudança. Normalmente, diz o supervisor técnico do Dieese no Rio Grande do Sul, Ricardo Franzoi, o reflexo mais direto e imediato desse reajuste (que equivalerá a cerca de R$ 148 milhões no Estado, em fevereiro) é na compra de alimentos ou vestuário. No atual cenário de crise, no entanto, o destino poderá ser diretamente para o buraco negros das dívidas.
"Qualquer dinheiro a mais que entra é bom para a economia, para o comércio, mas neste ano temos dúvidas se o ganho chegará ao varejo. Os consumidores estão com muitas dívidas, e esses R$ 57,00 a mais podem ser usados para isso elas", avalia Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS.
O reajuste concedido agora, lembra Franzoi, quebra uma série de correções acima da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Neste ano, até o momento, a diferença de R$ 880,00 para R$ R$ 937,00 (aumento de 6,48%) implica perda de 0,45% ante a inflação medida pelo INPC, de 6,96%, de acordo com dados prévios de dezembro. Assim como já ocorreu em 2011, diz o economista, ainda pode haver alteração do valor determinado até agora.
"Isso depende de mobilização sindical, mas pode ocorrer. Em 2011, o valor definido no início do ano de 2011 foi de R$ 540,00, revisado em março para R$ 545,00. Nada significativo, mas o valor ainda pode ser alterado para cima em 2017", explica supervisor técnico do Dieese no Estado.
Economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Bruno Caldas pondera que o impacto do mínimo nacional é pouco relevante para a maior parte dos trabalhadores do Rio Grande do Sul devido à vigência do salário-mínimo regional, que abrange indústria, agropecuária e serviços. "O que mais importa aqui é reajuste do mínimo regional que será dado. A tendência é que seja abaixo do reajuste do nacional, de 6,47%, afim de reduzir a diferença nos custos de produção e aumentar a competitividade dos setores gaúchos", projeta Caldas.
Previsto em agosto na Lei de Diretrizes Orçamentárias da União para ficar em R$ 945,00, o valor do reajuste do mínimo nacional foi reduzido para R$ 937,00 em razão da desaceleração da inflação, que naquele período era de 7,47%. Apesar da visão inicial de que um salário maior injetaria mais recursos na economia, Caldas explica que nem sempre o reflexo é exatamente. Um aumento para R$ 945,00, diz Caldas, poderia até ser prejudicial e aumentar o desemprego. Isso porque um reajuste acima do INPC aumentaria o custo do empregador justamente no momento em que está mais precisando de redução de gastos e de margens de lucro
"Nesse atual contexto recessivo, reajustes do salário-mínimo acima da inflação vão na contramão da economia e tendem a agravar a situação, especialmente para o trabalhador que já encontra dificuldade de encontrar emprego."
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Como é feito o cálculo

Por lei, até 2019, a fórmula de reajuste do salário-mínimo nacional é INPC (para recompor perdas) Variação do PIB de dois anos atrás (para promover o crescimento real dos salários). No caso de 2017, como o País teve queda no PIB, não há índice para somar ao do INPC.
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