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Porto Alegre, domingo, 18 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h10.

Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Notícia da edição impressa de 19/12/2016. Alterada em 18/12 às 19h13min

Arambaré oferece passeio para deficientes visuais

Trajeto é percorrido com auxílio de guias e conta com placas em braile

Trajeto é percorrido com auxílio de guias e conta com placas em braile


SEBRAE RS/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Tocar em butiazais, figueiras, capororocas, bromélias e sentir a textura das plantas enquanto se escuta uma audiodescrição sobre as espécies nativas e os pássaros da região da Costa Doce é uma experiência inédita para deficientes visuais, que virou produto em Arambaré. Desde o dia 10 deste mês, o passeio pela Trilha dos Piquetes, que sai do centro do município e termina na Lagoa dos Patos, passando por uma mata litorânea de restinga, é a nova atração da cidade - conhecida por ser um destino de praia e de carnaval no Estado. São 800 metros até a praia, com a companhia de guias preparados para monitorar visitantes com limitação visual.
Durante a caminhada, além da experiência sensorial e auditiva, é possível acessar as informações sobre a flora e fauna local através de placas em braille. "Os guias ajudam os deficientes a tocar nas plantas, conduzindo com a mão, para que, através do tato, seja possível identificar melhor as características descritas", explica a turismóloga especializada na gestão de turismo acessível e consultora de hospitalidade do Sebrae, Regina Cardona. Segundo ela, a novidade surgiu a partir da busca dos empreendedores locais por um diferencial para o destino. A ideia é que toda a comunidade local se aproprie do conceito de ecoturismo e assim possa também explorar as belezas naturais da cidade.
"A iniciativa é totalmente válida, e gostei muito da experiência", opina o professor de braille Anderson Vautieri de Abreu, que participou do passeio inaugural, que reuniu mais de 10 deficientes visuais, além de agentes de turismo e autoridades locais. Desde que perdeu a visão, há nove anos, Abreu não havia percorrido nenhuma trilha. "Eu já conhecia as plantas, mas foi muito interessante ter um contato através do tato. Além disso, a caminhada é boa, não é cansativa. Quando cheguei no final, ainda fui até a praia e toquei na água."
Segundo a diretora da Rota Cultural Turismo, Susana Abreu, a empresa já incluiu o passeio no seu portfólio e está com um pacote pronto para a comercialização, com saída no dia 19 de fevereiro. O produto é aberto ao público em geral. Além das placas em braille, há banners com explicações sobre os atrativos do caminho.
O passeio da Rota Cultural inclui transporte desde Porto Alegre, seguro-viagem, almoço, trilha acompanhada de guias, ingresso no local e piquenique com produtos da região. "O custo é de R$ 216,00 por pessoa", informa Susana. Segundo ela, muita gente já tem se informado, devido ao diferencial do produto. "Acredito que esta iniciativa deve alavancar o turismo da região", diz.
Regina afirma que a trilha acessível foi tão bem aceita no mercado turístico pelas agências locais quando foi apresentada, em uma rodada de negócios no dia 29 de outubro, em Pelotas, que a maioria destas empresas já está vendendo e anunciando os pacotes. A trilha que possibilita o passeio para cegos possui ainda corda guia, para garantir segurança. "Mas, na minha opinião, ainda tem que adaptar algumas coisas", sugere Abreu, destacando que, devido a raízes de plantas no caminho, acabou tropeçando durante o passeio inaugural. "Também queimei os dedos na placa de braille, pois esqueceram de proteger do sol", conta o professor, ponderando que, ainda assim, "voltará no verão", pois aprovou o produto.

Ideia é ampliar a inclusão no setor turístico, afirma gestora do Sebrae

A partir de 2017, novas iniciativas que promovam a acessibilidade no turismo em Arambaré deverão ser implementadas pelos empreendedores locais, com o apoio do Sebrae-RS. A entidade viabilizou a Trilha dos Piquetes junto com a prefeitura do município, através de um convênio para o Projeto Qualificar o Turismo da Costa Doce, que teve início em 2014 com um diagnóstico do destino. "Foi emocionante ver as pessoas fazerem algo que não conseguiam antes", comenta a turismóloga Regina Cardona.
"O produto foi muito bem aceito, porque o mercado estava buscando um novo segmento, e a cidade é plana, com belezas naturais expressivas, mata nativa próxima à Lagoa dos Patos, cercada de figueiras, com tudo para oferecer um diferencial turístico", observa a gestora do projeto, Jussara Argoud. "Pensamos em ampliar a ideia para outras necessidades especiais."
O objetivo do grupo que está gerindo o projeto é de alcançar um patamar onde todas as empresas do município trabalhem com uma maior acessibilidade, promovendo inclusão no turismo. "Restaurantes e hotéis podem estar melhor preparados, com cardápios em braile e pessoas capacitadas para atender quem tem alguma deficiência", sugere Regina.
Segundo a turismóloga, para que a iniciativa ganhe fôlego, será importante a adesão da próxima gestão municipal, que assume em janeiro. "A atual prefeita, Joselena Scherer, foi muito atenciosa e receptiva neste sentido", elogia Regina.
Quem chega na cidade atrás de contato com a natureza pode aproveitar ainda outras trilhas, como a do Caramuru, e outros caminhos em meio à mata, que podem ser feitos de bicicleta. "É possível ir até a Lagoa dos Patos de bike, passando pela localidade de Santa Rita, esse é um passeio muito bonito", destaca Regina.
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