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Porto Alegre, domingo, 18 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h10.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 19/12/2016. Alterada em 18/12 às 19h14min

Greve de auditores fiscais gera prejuízo de R$ 1 milhão por dia

Atraso na liberação de mercadorias nas aduanas prejudica empresários

Atraso na liberação de mercadorias nas aduanas prejudica empresários


SINDIFISCO NACIONAL/DIVULGAÇÃO/JC
A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que vem prejudicando a movimentação das aduanas do Rio Grande do Sul, já causou um importante impacto para o setor industrial. A avaliação da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) é reforçada por um levantamento realizado junto a empresas de diversos portes no Estado. A maioria das indústrias (87,5%) revelou que está sendo afetada pela greve. "A estimativa da Fiergs é de que as indústrias gaúchas entrevistadas tenham perdas acumuladas de R$ 60 milhões desde o início das paralisações da Receita Federal, há 57 dias, o que equivale a aproximadamente R$ 1 milhão por dia", indica Cezar Müller, coordenador do Conselho de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Concex) da Fiergs. Além disto, algumas empresas relataram, em um encontro realizado com a Fiergs, que estariam suspendendo o envio de mercadorias nas próximas semanas para evitar custos adicionais devido ao atraso no embarque. A entidade analisa buscar novas ações judiciais para minimizar os prejuízos.
A sondagem foi realizada entre os dias 12 e 14 de dezembro, e 104 indústrias de vários segmentos responderam à pesquisa disponibilizada na internet para empresas importadoras e exportadoras. Para cerca de 90%, está havendo um significativo prejuízo, que ocasiona principalmente atraso do envio e recebimento de mercadorias, dano na imagem da empresa perante clientes e fornecedores, maiores custos operacionais nas operações de comércio exterior e, em alguns casos, até mesmo a paralisação da linha de produção. Outro aspecto relevante é que a greve está causando impactos, tanto na exportação quanto na importação, com maior incidência na importação, relatada por 61% dos respondentes.
Para a economia do Rio Grande do Sul, a greve tem impacto relativamente maior que em outras regiões do País devido à vocação exportadora e consequente volume de operações de comércio exterior. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), foram 2.773 exportadoras do Estado entre os meses de janeiro a novembro de 2016 e 3.630 importadoras gaúchas no mesmo período.
Embora a greve atinja uma grande diversidade setorial, os que mais apontaram os impactos negativos foram os fabricantes de máquinas e equipamentos, móveis e couro e calçados. O levantamento também abordou as zonas alfandegárias de maior incidência de atrasos. Foram destacados o Terminal de Contêineres do Porto de Rio Grande, o aeroporto Salgado Filho e os portos secos de Canoas e Uruguaiana.
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