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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h55.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 16/12/2016. Alterada em 15/12 às 21h30min

Marfrig anuncia fim da unidade de Alegrete

Trabalhadores estudam forma de assumir a planta, hoje locada pela empresa, para evitar que se deteriore

Trabalhadores estudam forma de assumir a planta, hoje locada pela empresa, para evitar que se deteriore


SIND. DOS TRAB NA IND DE ALIMENTO DE ALEGRETE/
Thiago Copetti
Município com um dos maiores rebanhos de gado bovino do Estado, com cerca de 660 mil cabeças disponíveis para negócio, Alegrete perdeu ontem a unidade do Marfrig na cidade. E a justificativa da companhia para a medida, em curto comunicado, é justamente a "baixa oferta de gado na região". Presidente do Sindicato Rural da cidade, Pedro Píffero rebate com firmeza a alegação de que não há produto disponível. Oficialmente, as atividades se encerram em 3 de janeiro.
"Quem paga tem. O problema não é não ter gado disponível, e nem a alegação de que se vende muito gado em pé para fora do Estado. O problema é que outras empresas da região estão pagando melhor, e o Marfrig, se não pagar o que o mercado estimula, não tem mesmo matéria prima", defende Píffero.
Para o pecuarista, além dos mais de 640 empregos perdidos e da queda que haverá arrecadação da cidade, ocorrem outras perdas com a saída do Marfrig devido a ser uma das poucas plantas exportadoras do Estado hoje em atividade. "Eles têm visão de mercado exterior e contratos internacionais. Isso também estamos perdendo", lamenta Píffero, debruçado em alguns números sobre o caso.
O fechamento da unidade, porém, não chega a surpreender. Em fevereiro de 2015, o fechamento da planta foi impedido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, o que obrigou o Marfrig a manter empregos e a atividade do local por pelo menos 12 meses (encerrados, portanto, no início deste ano). Entre os trabalhadores, apesar do impacto, o fato parecia estar se anunciado desde o mês passado, quando a empresa fez seu último abate, no dia 26 de novembro. Depois disso, concedeu férias coletivas ou licenças remuneradas aos colaboradores.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Alegrete (Stiaa), Marcos Rosse, tem preocupação com o presente (das muitas famílias que ficam em situação precária) e com o futuro (da planta, que pode se deteriorar em pouco tempo). Rosse alega que, após a notícia do fechamento e seu impacto imediato, ainda há o risco de não se recuperar a estrutura abandonada pelo Marfrig.
"Uma planta industrial como essa pode se deteriorar rapidamente, em 90 dias, se ficar parada. Especialmente as câmaras frigoríficas. E essa planta do Marfrig é alugada. No mínimo, vamos querer que abra mão dessa estrutura, sem tirar vantagens disso, para que possamos buscar novos investidores. Para nós, manter o frigorifico em funcionamento, com ou sem Marfrig, é prioridade", reforça Rosse.
O presidente do sindicato dos trabalhadores diz, ainda, estranhar investimentos recentes feitos na unidade, como na própria estrutura para os funcionários e em alguns equipamentos, para fechar poucos meses depois. Integrante da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, o deputado Frederico Antunes (PP) também tentava se inteirar do assunto na quinta-feira. E estranhou o anúncio da empresa, porque havia, inclusive, tentativa de viabilizar a unidade para exportar aos Estados Unidos. "Estou buscando mais informações, e vamos procurar o secretário da Agricultura (Ernani Polo) para achar uma solução", diz Antunes.
 
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