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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h03.

Jornal do Comércio

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entrevista

Notícia da edição impressa de 30/12/2016. Alterada em 29/12 às 19h08min

Roque Jacoby: 'é um término um pouco melancólico'

Roque Jacoby encerra quatro anos à frente da Secretaria Municipal de Cultura

Roque Jacoby encerra quatro anos à frente da Secretaria Municipal de Cultura


CLAITON DORNELLES/JC
Michele Rolim
A Secretaria Municipal da Cultura lançou recentemente um relatório de gestão 2013/2016. O Jornal do Comércio conversou com o secretário que deixa o governo, Roque Jacoby, a respeito de uma avaliação desses quatro anos.
JC Viver - Nestes quatro anos, qual o orçamento anual da sua pasta?
Roque Jacoby - A média anual do orçamento foi de R$ 52 milhões. Nós conseguimos, nesses quatro anos com projetos incentivados, convênios, Ministério da Cultura e Ancine,  adicionar ao orçamento da cultura em torno de R$ 45 milhões, média de mais de R$ 10 milhões ao ano. Diante das limitações orçamentárias buscamos parcerias de toda ordem. Isso deu uma dimensão bem maior e significativa para a cultura em Porto Alegre.
Viver - Por conta da reforma na Usina do Gasômetro, como deve ficar o projeto Usina das Artes?
Jacoby - Está tudo encaminhado para que não sofra transtornos. A Usina das Artes é um projeto que está sendo respeitado nos espaços que são ocupados pelos grupos. O que ainda não sabemos é onde, durante a reforma, os grupos vão ficar estabelecidos. Não temos essa definição. Depois eles voltarão em condições melhores. Esse é um dos grandes legados que conseguimos nessa gestão.
Viver - Quanto será investido na Usina do Gasômetro?
Jacoby - Cerca de US$ 3 milhões de dólares estão destinados para requalificação da Usina. O dinheiro está garantido via Cooperação Andina de Fomento (CAF). Este valor está sendo pago por essa gestão.
Viver - Após a reforma, a Usina ficará sob a responsabilidade de uma Organização Social (OS)?
Jacoby - Sim, a previsão é que uma OS a administre tentando dar à Usina uma autossustentabilidade necessária. Dessa forma, a cultura, que tem um orçamento bastante limitado, poderá dispor desse espaço sem prejuízo do seu próprio orçamento.
Viver - Ao longo da gestão, que ações foram tomadas a respeito de reclamações quanto ao uso do Araújo Vianna?
Jacoby - Fizemos um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecendo um regramento da ocupação do espaço. O Araújo deu uma outra dimensão à Secretaria Municipal de Cultura - podemos utilizar 25% das datas durante o ano e não conseguimos ocupar todas porque é totalmente impossível em termos de contratação. Contudo, realizamos diversos eventos, como Maratona de dança, Grande Encontro - a música dos gaúchos, apresentações da Ospa etc.
Viver - Um espaço que fechou em 2014 foi o Teatro de Câmara Túlio Piva. Como essa gestão deixa o teatro?
Jacoby - Quando assumi, em 2013, as informações que recebi por parte de um técnico da secretaria é de que seria necessário demolir e construir um novo. Chamei o pessoal da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) e foi feito um laudo técnico para ver se o prédio comportava uma simples reforma ou merecia uma demolição. Depois de um longo período, a Smov afirmou que poderia ser reformado. A própria Smov fez um projeto de ampliação e melhoria do espaço, só que não existe recursos disponíveis. Entendemos que será maravilhoso, mas não temos como dizer quando será reaberto.
Viver - Recentemente o JC publicou uma matéria sobre a situação precária do Atelier Livre. Como a SMC tratou a questão de um novo concurso?
Jacoby - O atelier é uma instituição que tem sua tradição e realmente está com o quadro de servidores reduzidos. Temos solicitado com muita veemência para que seja feito um concurso, mas por questões financeiras ainda não aconteceu. Mas tem havido contratações temporárias e é nosso sonho que esse concurso aconteça o mais rápido possível, mas não depende mais da cultura e, sim, do governo propriamente dito. Pedimos, mas, em razão da situação econômica, isso não avançou.
Viver - Teve algo que o senhor gostaria de ter feito nessa gestão e não conseguiu?
Jacoby - Uma das minhas frustrações é não ter dado encaminhamento, por razões financeiras - apesar de o prefeito ter concordado - a Lei de Incentivo à Cultura do município. O projeto foi concluído, mas não tem ambiente. Ele está em stand by. Ficará para a próxima gestão encaminhar.
Viver - Em termos de gestão, qual o legado da sua?
Jacoby - A inauguração da transferência da Pinacoteca Ruben Berta para o casarão da Duque de Caxias; conclusão das obras e reabertura da Cinemateca Capitólio - a Petrobras felizmente sinalizou que vai patrocinar o projetor novo e parte da programação daqui para frente; a requalificação da Usina do Gasômetro; a criação da Companhia Municipal de Dança; a ordem de início das obras da construção do Centro Cultural Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz; e, ainda, a assinatura de um convênio com o Ministério da Cultura, de R$ 3,3 milhões, para financiar a compra de material e um conjunto de oficinas para o Carnaval de 2017.
Viver - Os grupos reclamam do não pagamento na sua totalidade do Fumproarte e das parcelas do projeto Usina das Artes. Como está essa questão?
Jacoby - Isso tem gerado muita dor de cabeça, porque as cobranças são feitas na Secretaria da Cultura. As pessoas não têm a obrigação de saber que a secretaria deu o encaminhando para que seja pago e a prefeitura não paga por falta de recursos. Esse é um término de gestão um pouco melancólico. Desejo que essa situação financeira se normalize o mais rápido possível, que o futuro gestor tenha a sensibilidade de tentar resolver essas pendências. As pessoas que trabalham na cultura dependem disso e ficamos torcendo. Trabalhamos nesse período com boa vontade e dedicação, ao menos saímos vivos.
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