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Porto Alegre, domingo, 25 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h27.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 26/12/2016. Alterada em 25/12 às 19h39min

Cresce exportação brasileirade genética bovina

Especializado em agricultura de clima tropical, o Brasil também avança a passos largos na seleção genética de bovinos de leite e de corte próprios para serem criados em áreas abaixo da linha do Equador. Há décadas, aprimora raças que se desenvolvem muito bem alimentadas apenas a pasto, sob altas temperaturas, solos ácidos e ataque de parasitas, como carrapatos, moscas e bernes. Todo esse avanço tem despertado a atenção de países de clima semelhante, mas sem pecuária geneticamente desenvolvida, que ampliam acordos comerciais para adquirir tecnologia desenvolvida aqui, na forma de sêmen e embriões.
De janeiro a outubro de 2016, o faturamento do Brasil com a exportação de sêmen bovino aumentou 20% ante igual período de 2015, atingindo US$ 1,282 milhão. Na comparação com 2013, o ganho foi de 48%, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Com números tão animadores, o governo brasileiro intensificou, nos últimos meses, as tratativas para expandir as exportações de genética bovina.
Em janeiro, o País acertou com Moçambique, na África, o Certificado Zoossanitário Internacional, documento que garante o cumprimento das condições sanitárias exigidas para o trânsito internacional de embriões vivos, in vitro e sêmen bovinos. Em dezembro de 2015, acordo semelhante foi feito com Bolívia e Costa Rica. No mês passado, uma missão oficial do Panamá inspecionou regiões pecuárias brasileiras para revisar protocolos sanitários e aumentar as compras de material genético. Após a visita, a expectativa do Ministério da Agricultura brasileiro é de que a quantidade a ser vendida ao país da América Central cresça quatro vezes - de janeiro a outubro foram para lá 2.400 doses de sêmen bovino por US$ 11.239,00.
Também neste ano foram encaminhadas aos Serviços Veterinários estrangeiros mais 49 propostas de certificados com vistas à abertura de novos mercados. Dentre elas, já houve resposta positiva para República Dominicana (importação de embriões); Etiópia (embriões e sêmen); Paraguai (embriões in vitro); Israel (sêmen) e Uruguai (embriões in vitro).
O Ministério da Agricultura destaca como motivadores dessa expansão os avanços sanitários que o Brasil obteve na última década, como a ampliação da zona livre de febre aftosa no território nacional - no dia 23 de novembro, o ministro Blairo Maggi anunciou, em vídeo, que o Brasil receberá em maio de 2018 da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em Paris, o certificado de território livre de febre aftosa, com vacinação.
Entre os representantes do setor, a recente ampliação dos acordos é apenas o começo. "Acredito que, até 2020, vamos duplicar as exportações brasileiras de genética bovina", diz o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), Sergio Saud. A diretora da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Ana Claudia Mendes de Souza, afirma que, com o credenciamento de novas centrais para exportação de material genético e a expansão internacional, os embarques devem avançar outros 20% já no ano que vem. Ela cita como compradores em potencial países do Sudeste asiático, como Malásia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Bangladesh. A ABCZ desenvolve, com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações, abrigada no Mdic), o projeto Brazilian Cattle Genetics, de exportação e promoção da genética pecuária brasileira.
O coordenador da Divisão de Trânsito Nacional da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério, Rodrigo Padovani, disse que desde o fim de 2014 a pasta coordena iniciativas em parceria com entidades do setor para ampliar mercados. Para 2017, prevê continuar a abertura de mercados e expandir as vendas para países que já são clientes. Saud, da Asbia, diz que o Brasil tem sido demandado para material genético sobretudo de raças zebuínas leiteiras, como Gir e Girolando.
O Rio Grande do Sul é polo de produção de genética de raças europeias, tanto de corte - como Angus, Hereford, Charolês, Devon, Limousin e Simental - quanto de leite - Jersey e Holandês, por exemplo.  O rebanho Angus assumiu a liderança na venda de sêmen de taurinas no Brasil, e a maior parte dessa produção genética é responsabilidade dos pecuaristas gaúchos. Independentemente da raça, os criadores buscam, cada vez mais, valorizar a genética nacional e destacar que ela está adaptada ao ambiente e características do País.
Focando na valorização da genética Angus nacional, o Teste de Progênie Angus 2016 passou a ofertar ao mercado as doses de sêmen dos melhores reprodutores jovens da Geração 2014. A meta é disponibilizar aos sócios da Associação Brasileira de Angus, neste ano, 1,5 mil doses para avaliação em rebanho puro, o que deve permitir retorno para o banco de dados do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) sobre as potencialidades dos touros analisados.
O Teste de Progênie Angus é uma parceria entre e Angus, o Promebo e as centrais Alta Genetics e Progen. A meta, explica o diretor da Progen, Fábio Barreto, é ofertar mais 6 mil doses para uso comercial, mas, se houver demanda, a produção poderá ser ampliada já que os reprodutores encontram-se em coleta na central em Dom Pedrito (RS). "São animais superiores em fenótipo e na avaliação genética. É muito importante para a raça Angus estar desenvolvendo um trabalho referência para conseguir identificar os melhores reprodutores adaptados à realidade nacional. É uma mostra de que o Angus brasileiro tem prova", ressaltou Barreto.
Enquanto as doses de sêmen do Teste 2016 chegam às ruas, os criadores começam a verificar os primeiros produtos do Teste de 2015. Segundo Fernando Velloso, diretor da Assessoria Agropecuária, empresa responsável pela coordenação técnica do teste, os comunicados de nascimento já começaram a chegar e, nos primeiros meses de 2017, teremos os dados de desmame.  Dos seis touros Angus testados em 2015, três foram contratados pela Alta: Retruco (Tradição 2028) - Parceria Rota Assis/Estância Tradição, de Santa Vitória do Palmar (RS); Master (Net Worth de Cantagalo 3845), da Cabanha Cantagalo, de Quaraí (RS); e Camaro (Camaro Density da Rio da Paz) da Fazenda Rio da Paz, de Cascavel (PR). Os comunicados de nascimento já começaram a chegar e, nos primeiros meses de 2017, haverá os dados de desmame.

Tecnologia do País no setor é referência

Adaptação de bovinos brasileiros para a criação a pasto desperta atenção de países do Hemisfério Norte
Adaptação de bovinos brasileiros para a criação a pasto desperta atenção de países do Hemisfério Norte
DIVULGAÇÃO/JC
A adaptação de bovinos brasileiros para a criação a pasto, sistema menos custoso em relação à criação confinada, mais usual no Hemisfério Norte, é um grande ponto de interesse de países compradores da genética desenvolvida no Brasil, menciona a diretora da ABCZ, Ana Cláudia Mendes de Souza. "A maior parte dos países tropicais que criam gado em pastagens e de forma sustentável - que é o jeito mais próximo do que existe na natureza - tem o Brasil como referência", afirma.
Pecuarista com experiência em seleção genética há uma década, o diretor da empresa de biotecnologia Seleon, Bruno Grubisich, de Itatinga (SP), confirma que, atualmente, a genética zebuína brasileira é considerada a mais bem selecionada no mundo - até mesmo em relação ao país de origem das raças zebuínas, a Índia. Ele cita que a seleção foi capaz de produzir animais cada vez mais precoces, produtivos e bem adaptados ao clima quente.
De olho nessa tendência de aumento de exportações, ele investe na expansão da empresa, que atualmente tem capacidade para alojar 220 touros puros e produziu neste ano 1 milhão de doses, o dobro do registrado em 2015 (primeiro ano de funcionamento da Seleon). A expectativa de Grubisich é, a partir do ano que vem, exportar 5% do sêmen bovino produzido.
Para a concretização dessas expectativas, porém, ainda há desafios. Entre eles, a necessidade de simplificar protocolos sanitários e a redução do trâmite burocrático entre os países. Para o Ministério da Agricultura, a participação em fóruns internacionais onde haja a possibilidade de discussões de protocolos com autoridades veterinárias estrangeiras pode também impulsionar o comércio internacional.

Asbia confirma crescimento de 15,4%da venda de sêmen da raça Angus

Dados divulgados pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) indicam aumento de 15,4% na venda de sêmen Angus no Brasil. O relatório contabiliza a comercialização de 4.268.968 doses (Angus e Red Angus) em 2015 frente a 3.697.501 de 2014. Nos últimos seis anos, a raça teve crescimento de 150%, bem acima da média do gado de corte que ficou em 50%.
O resultado, pondera o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber, reflete a consolidação da raça na pecuária brasileira e o avanço significativo do cruzamento industrial. "A Angus responde por mais da metade do sêmen de bovinos de corte vendido do País (51%). Estamos em crescimento e isso é reflexo de um trabalho sério e que traz resultados ao pecuarista", pontuou. Em 2015, as raças de corte negociaram 8.274.084 doses no Brasil.
Segundo Weber, mais de 30% das vendas realizadas no País, ou seja, mais de 1,4 milhão de doses são produzidas com genética nacional, um crescimento de 21%. "Os usuários da genética Angus no Brasil têm tido excelentes resultados com a utilização de sêmen nacional, desmitificando a questão do importado." Hoje, as cabanhas brasileiras produzem Angus de excelente qualidade, diz o presidente, com a vantagem de ser genética adaptada às condições nacionais de produção e provada em nosso meio ambiente e mercado.
"O crescimento na venda de sêmen expressa os bons resultados que o cruzamento entre Angus e Nelore vem apresentando no Brasil Central", completou o diretor do Programa Carne Angus, Reynaldo Salvador. Segundo o dirigente, a forte demanda por novilhos Angus jovens e bem terminados por parte da indústria reflete a preferência dos consumidores brasileiros e internacionais pela carne Angus. "No primeiro semestre de 2016, os abates do programa Carne Angus cresceram 38% frente à retração do volume total abatido no País. Isto mostra a forte demanda de nossa carne pelo mercado" complementa.
 

Propostas aceitas

Um dos motivos da expansão são os avanços sanitários que o Brasil obteve na última década, como a ampliação da zona livre de febre aftosa no território nacional
Um dos motivos da expansão são os avanços sanitários que o Brasil obteve na última década, como a ampliação da zona livre de febre aftosa no território nacional
DIVULGAÇÃO/JC
Também este ano foram encaminhadas aos Serviços Veterinários estrangeiros mais 49 propostas de certificados com vistas à abertura de novos mercados. Dentre elas, já houve resposta positiva para República Dominicana (importação de embriões); Etiópia (embriões e sêmen); Paraguai (embriões in vitro); Israel (sêmen) e Uruguai (embriões in vitro).
O Ministério da Agricultura destaca como motivadores dessa expansão os avanços sanitários que o Brasil obteve na última década, como a ampliação da zona livre de febre aftosa no território nacional - no dia 23 de novembro, o ministro Blairo Maggi anunciou, em vídeo, que o Brasil receberá em maio de 2018 da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em Paris, o certificado de território livre de febre aftosa, com vacinação.
Entre os representantes do setor, a recente ampliação dos acordos é apenas o começo. "Acredito que, até 2020, vamos duplicar as exportações brasileiras de genética bovina", disse o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), Sergio Saud. A diretora da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Ana Claudia Mendes de Souza, afirma que, com o credenciamento de novas centrais para exportação de material genético e a expansão internacional, os embarques devem avançar outros 20% já no ano que vem. Ela cita como compradores em potencial países do Sudeste Asiático, como Malásia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Bangladesh. A ABCZ desenvolve, juntamente com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações, abrigada no MDIC), o projeto Brazilian Cattle Genetics, de exportação e promoção da genética pecuária brasileira.
O coordenador da Divisão de Trânsito Nacional da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério, Rodrigo Padovani, disse que desde o fim de 2014 a pasta coordena iniciativas em parceria com entidades do setor para ampliar mercados. Para 2017, prevê continuar a abertura de mercados e expandir as vendas para países que já são clientes. Saud, da Asbia, diz que o Brasil tem sido demandado para material genético sobretudo de raças zebuínas leiteiras, como Gir e Girolando.
Segundo Fernando Velloso, diretor da Assessoria Agropecuária, empresa responsável pela coordenação técnica do Teste de Progênie Angus 2016, a seleção dos reprodutores partiu da lista dos 100 touros jovens SA do Promebo. Em seguida, foram separados aqueles com índice final acima de 20 e, após análise de interesse dos criadores e viabilidade técnica, foram revisados 31 animais, restando três a serem habilitados pela central. “Temos no teste deste ano os melhores animais de 2014”, pontuou Velloso. Os criadores que quiserem utilizar o sêmen coletado no Teste de Progênie Angus devem encaminhar pedido direto à Progen. Sócios da Angus, participantes do Promebo, pagam valor subsidiado de R$ 6,00 por dose e os demais, preço padrão de mercado.
Os animais avaliados em 2016 pertencem a três aclamados criatórios que vêm atuando pelo fortalecimento do Angus do Brasil. A Parceria Rota Assis, Santa Vitória do Palmar (RS), apresenta o touro Tradição TE53 (HBB 181914, SAV Brand Name x Tres Marias 6301 Zorzal). O animal obteve os maiores índices de Desmama (28,1) e Final (25,6) do Teste de Progênie Angus 2016, o que confirma alto potencial para crescimento. Segundo o criador Rogério Rotta, da Estância da Tradição, o teste vem contribuindo muito. “Os produtos da genética nacional dão resultado e podem ser superiores aos importados”, garante. Ele conta que, em 2015, utilizou o sêmen do touro Retruco, também direcionado pela Tradição ao teste, e obteve 60% de taxa de prenhez em IATF. Com os primeiros animais recém-nascidos, ficou tão satisfeito com o resultado que, agora, vai ampliar o uso do reprodutor de 25% para 40% do rebanho. “Obtivemos animais do estilo que a Tradição gosta, com muita costela, carne, animais fortes”, salienta.
Estreando no teste, a Estância Ponche Verde, de Cascavel (PR) confia nas qualidades do touro Red Angus Chivas - EPV Red Watch 1701 (HBB 181803, Alston Black Watch x Reconquista 01051 Levado Quebracho G.Canyon). Chivas é filho de pai preto (Black Watch), sendo opção para abertura de sangue nos plantéis de vermelho e um dos melhores índices de sua geração. A propriedade de José Filippon e filhos trabalha prioritariamente com animais de pelo curto e focada em um gado produtivo capaz de produzir carne a pasto e com grande adaptação à regiões de clima quente. Segundo o criador Cristopher Filippon, ver um dos reprodutores no Teste de Progênie significa o “retorno de um trabalho de quase 20 anos em avaliação genética e seleção de plantel”.

Japão vai abrir mercado de carne para o Brasil

O Japão vai permitir a importação de carne bovina brasileira. O vice-ministro de Assuntos Internacionais do Ministério da Agricultura do país asiático, Hiromichi Matsushima, disse ao ministro brasileiro Blairo Maggi que "faltam apenas resolver algumas questões burocráticas no Ministério da Saúde do Japão". Os dois se encontraram em Cancún (México), durante a COP 13, a Conferência da Biodiversidade.
Matsushima teria destacado o avanço das negociações iniciadas pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura do Brasil, Eumar Novacki, em outubro, para ampliar o comércio entre os dois países. Segundo a pasta, o fim das barreiras compreende tanto carne bovina processada quanto in natura.
Na nota, a Agricultura diz que o vice-ministro também pediu a Maggi que sejam aprovados estabelecimentos japoneses para exportar ao Brasil a carne bovina in natura da raça wagyu. Maggi disse que não há restrições a essa importação e prometeu resolver a questão o mais rápido possível. "Talvez ainda neste ano."
O Brasil ainda vai abrir mercado no Japão para frutas e produtos pets (rações e outros alimentos para animais de estimação). Maggi se comprometeu a enviar informações complementares sobre manga e melão. Em julho do ano que vem acontece o 3º Diálogo Agrícola com o Japão sobre Agricultura e Alimentos.

Região Sul é polo de produção genética

Medeiros destaca o desafio de oferecer animais cada vez mais precoces
Medeiros destaca o desafio de oferecer animais cada vez mais precoces
JC
Cristine Pires
A forte demanda por novilhos Angus jovens e bem terminados por parte da indústria reflete a preferência dos consumidores brasileiros e internacionais pela carne Angus. De acordo com a Associação Brasileira de Angus, no primeiro semestre de 2016, os abates do programa Carne Angus cresceram 38% frente à retração do volume total abatido no País. De acordo com Fábio Medeiros, Gerente do Programa Carne Angus Certificada, entre as raças taurinas, a Angus, hoje, é a que apresenta maior consumo de sêmen no País, o que sinaliza para uma maior produção de bezerros ao ano.
Empresas & Negócios - Como está o desenvolvimento da genética das raças britânicas no Rio Grande do Sul?
Fábio Medeiros - A região Sul do Brasil é polo de produção de genética europeia de gado de corte. Entre as raças mais criadas, a Angus é a com maior abrangência no Brasil, uma vez que vem sendo utilizada em larga escala em cruzamento industrial no Brasil Central. Isso significa que os pecuaristas estão investindo em sêmen Angus para cruzamento em matrizes zebuínas em busca de animais meio sangue, que permitem agregar o sabor e suculência da Angus a escala de produção viabilizada com os grandes rebanhos zebuínos. O que vemos hoje no Brasil é o aumento exponencial do uso de sêmen Angus. Estamos "misturando" o rebanho do Brasil Central, porque, mais do que viabilizar uma carne de alta qualidade, o Angus também é lucrativo dentro da porteira, ganhando peso mais rápido do que o gado Nelore, por exemplo. O que podemos dizer é que a Angus, entre as raças taurinas, hoje é a com maior consumo de sêmen no País, o que nos sinaliza para uma maior produção de bezerros ao ano. Em 2015, por exemplo, foram vendidas 4,2 milhões de doses de sêmen Angus, aumento de 15% em relação a 2014, segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). Estes dados também indicam que mais de 90% dos animais nascidos no Brasil de cruzamento entre raças taurinas e zebuínas tem a genética Angus. Isso confirma que estamos na liderança e em crescimento. Especificamente no estado do Rio Grande do Sul, Angus é a raça britânica que mais vende sêmen e reprodutores.
Empresas & Negócios - Qual é o diferencial que o Rio Grande do Sul apresenta em relação a outros estados?
Medeiros - Por questões climáticas e de origem genética, o Rio Grande do Sul concentra hoje os criatórios de genética taurina. São pecuaristas que dedicam a vida a produzir animais cada vez mais adaptados ao que o mercado busca. Animais medianos, precoces, que permite a terminação extremamente jovem e com características de boa capacidade de ganho de peso. Isso garante um animal pronto para o abate ainda jovem, o que resulta em carne macia e suculenta. Claro que genética não é tudo. Depois de escolher o sêmen certo para inseminação das vacas, é preciso boas técnicas de manejo que garantam a expressão desta genética. Nutrição, sanidade e manejo adequado são indispensáveis. Escolher o sêmen certo não é uma receita de bolo. Cada produtor de terneiros precisa levar em conta as características de seu rebanho, das matrizes e os objetivos a serem alcançados.
Empresas & Negócios - Quais são os benefícios para o criador que investe em genética?
Medeiros - O criador que investe em genética de qualidade produzirá descendentes dentro do que se espera para a raça, sem surpresas. Em 2016, a Angus lançou o projeto Touro Angus Registrado, que busca exatamente apresentar as vantagens de produzir animais com base em genética confiável e em animais registrados e com testes de desempenho.
Empresas & Negócios - E quanto aos desafios?
Medeiros - Os desafios dos pecuaristas que trabalham com genética é tentar oferecer animais cada vez mais precoces e adaptados ao ambiente de produção nacional, e com índices de conversão melhores e dentro dos parâmetros de mercados. A seleção não é algo simples e envolve diversos critérios. Hoje usa-se muito as Deps (Diferença esperada de progênie) para realizar a seleção de touros. Há Deps para área de olho de lombo, Deps para idade de desmama e até Deps para controle de carrapato. Com isso, o criador identifica em índices o que precisa na sua propriedade. Há ainda avanços consistentes na área de genômica que vem mudando a cara da pecuária brasileira, profissionalizando os criatórios e equiparando-os aos internacionais.
Empresas & Negócios - Quais são os melhoramentos promovidos nos exemplares?
Medeiros - Em linhas gerais, touros de tamanho adulto grande, ou seja, Frame maior que 6,5 (ou elevadas Deps para altura) e Deps extremadas para desempenho são indicados para produção commodity de forma eficiente e rentável. São animais que terão progênie com tamanho adulto grande (carcaças bem pesadas), o que favorece a deposição de tecido magro e alto desempenho especialmente em confinamento. Se você está de olho nas premiações por qualidade e na produção de carne de qualidade diferenciada, deverá focar animais de tamanho médio, com frames entre 5 e 6,5, com boas Deps para precocidade de terminação (EGS e P8), e Deps moderadas para desempenho, que produzirão novilhos de tamanho adequado e com desempenho compatível, carcaças de tamanho desejável com boa cobertura de gordura, sempre que seu sistema de produção estiver adequadamente calibrado. Tenda sempre para o limite inferior da recomendação de tamanho e para as Deps mais extremadas de precocidade de terminação se seu sistema for a pasto, e para o frame 6/6,5 se seu sistema de terminação for em confinamento. Animais com tamanho menor que estes são interessantes para situações específicas e devem ser usados com cuidado para evitarmos carcaças muito pequenas ou desempenho comprometido pelo tamanho adulto pequeno dos animais.
Empresas & Negócios - O que ainda se pode avançar no quesito genética?
Medeiros - O futuro estará relacionado aos avanços na genômica, em marcadores que consigam auxiliar os pecuaristas a selecionar animais cada vez mais jovens e para caracteres de difícil mensuração, como conversão alimentar, resistência a carrapatos e outras doenças, e as próprias características de qualidade de carne, as quais só podem ser selecionadas ao abate ou por meio de ultrassonografia após a puberdade. As escolhas visuais que tanto foram feitas no passado ainda hoje são extremamente importantes, mas devem ser complementadas com ciência. Uso das Deps, ultrassonografia de carcaças, marcadores moleculares, residual feed intake são e serão essenciais.
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