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Porto Alegre, domingo, 06 de novembro de 2016. Atualizado às 21h26.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Notícia da edição impressa de 07/11/2016. Alterada em 06/11 às 18h49min

Sobre a ocupação de escolas

Rodrigo Klassen Ferreira
Trabalhei na aplicação do Enem durante muitos anos. Em uma dessas aplicações, o Inep cometeu um erro e alocou na escola mais candidatos do que ela suportava. Tudo foi resolvido de um dia para o outro, passando os excedentes para uma outra escola. Sem prejuízos. A aplicação do Enem é gerida de modo descentralizado. Cada região tem um coordenador responsável, que já tem um plano B, caso uma escola não possa sediar o Enem, devido a fatores climáticos, por exemplo. Além disso, há muitas escolas que não sediam o Enem e teriam interesse em fazê-lo porque é pago um valor à escola, pelo aluguel do prédio, e aos servidores que trabalham na aplicação. Agora me digam, o que interessa mais ao governo: realocar candidatos e resolver o problema de maneira prática ou fazer um estardalhaço na mídia, jogando a opinião pública contra os movimentos estudantis?
Os estudantes que ocupam escolas estão de parabéns pela coragem em enfrentar tantas adversidades para protestar por causas nas quais acreditam. Entre assistir sentados o ápice do desmonte da educação pública e resistir nem que seja para dizer "Oi, estamos aqui e não concordamos com isso", preferiram a segunda opção. O que é mais importante: estudar aos trancos e barrancos para terminar um ano letivo ou ter a chance de estudar com qualidade e dar seguimento aos estudos com graduação e pós-graduação? O hoje ou o futuro? E é uma pena que outros setores da sociedade não cultivem essa revolta/resistência. São tantas coisas erradas acumuladas em décadas de (des)governos - inclusive do PT, que é acusado de manipular o movimento - que o certo seria não sobrar um único espaço público não ocupado pela sociedade civil até que mudanças fossem reais e visíveis.
É com orgulho e tristeza, ao mesmo tempo, que afirmo que estes estudantes estão fazendo o que nenhuma organização de professores conseguiu fazer até hoje pela educação. Com toda imaturidade e falta de experiência, próprias da idade, já conseguiram fazer muita gente (re)pensar para que serve uma escola. Fala-se muito em ilegalidade nas ocupações, porém a mesma comoção não é observada quando tantos milhões são desviados por agentes públicos das mais variadas ideologias. Os ocupantes me representam.
Professor do IFSul Campus Camaquã
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